Queimadas avançam em Goiás em meio a incêndio que destruiu 14 mil hectares
Goiás registra 225 focos entre 10 e 16 de agosto, alta de 40,6%; na região de Terra Ronca, fogo atinge cerca de 14,1 mil hectares
O avanço das queimadas em Goiás ganha dimensão no Nordeste goiano, onde um incêndio que começou em 10 de agosto atingiu aproximadamente 14,1 mil hectares na região da Área de Proteção Ambiental (APA) Serra Geral de Goiás. O fogo foi controlado após oito dias de combate.
Do total atingido, cerca de 11,3 mil hectares ficam no Parque Estadual de Terra Ronca (Peter) e outros 2,8 mil hectares correspondem à Reserva Extrativista Recanto das Araras de Terra Ronca. A área afetada representa aproximadamente 20,2% dos 70 mil hectares da APA.
A ocorrência se soma ao aumento dos focos registrados no Estado durante a segunda semana de agosto. Entre os dias 10 e 16, Goiás contabilizou 225 focos de queimadas, contra 160 no mesmo período de 2025. O crescimento foi de 40,6%, segundo dados do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), em conjunto com a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad).
Estiagem favorece propagação das chamas
A Região Leste concentrou a maior quantidade de focos no período, com 129 ocorrências, ante 48 no mesmo intervalo do ano passado. A Norte registrou 41, contra 23 em 2025, as demais regiões registraram queda em comparação com o ano passado.
Embora a comparação semanal indique aumento, o acumulado de agosto ainda está abaixo do registrado no mesmo mês de 2025. Até agora, Goiás soma 389 focos no mês, o equivalente a 43,95% dos 885 registrados durante todo agosto do ano passado.
O cenário ocorre após um longo período sem chuvas. Para o gerente do Cimehgo, André Amorim, a estiagem deixa a vegetação mais seca e contribui para a propagação do fogo, mas não significa que as altas temperaturas sejam responsáveis pelo início das ocorrências. “Não quer dizer que o fogo seja proveniente de altas temperaturas, mas sim de ações de incendiários”, afirma ao O HOJE.
O especialista também afirma que a tendência é de continuidade dos focos caso persistam as ações de pessoas que colocam fogo. O Cimehgo considera maior o risco em municípios onde se combinam temperaturas acima de 30°C, umidade abaixo de 30% e ventos superiores a 30 km/h. Segundo Amorim, mais de 100 municípios têm aparecido diariamente nessa condição.
O Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBM-GO) também aponta condições meteorológicas mais severas em 2026, com temperaturas elevadas, baixa umidade, redução das precipitações e episódios de ventos fortes. Segundo a corporação, esse conjunto favorece a ignição, acelera a propagação e aumenta a complexidade do combate.
“Esse cenário ocorre em um contexto de estabelecimento do El Niño em 2026, com perspectiva de temperaturas acima da média e maior risco de incêndios florestais durante o segundo semestre”, afirma a corporação.
Nordeste concentra atenção
O Nordeste goiano é hoje uma das áreas que recebem atenção especial do CBM-GO pela extensão dos incêndios e pela presença de unidades de conservação. Segundo a corporação, em 2025, mais de 50% dos aproximadamente 1,058 milhão de hectares queimados em Goiás estavam concentrados na região.
No incêndio que atingiu a APA Serra Geral, a atuação das equipes ocorreu durante oito dias até o controle das chamas. Para Raquel Pires, coordenadora do movimento nacional ODS Goiás, a dimensão alcançada pelo fogo está relacionada à combinação de fatores que favorecem sua propagação.
“Um incêndio chega a essa dimensão quando diferentes fatores se combinam: vegetação muito seca, baixa umidade do ar, temperaturas elevadas, ventos fortes, grande quantidade de material combustível e dificuldade de acesso para as equipes de combate”, explica.
Segundo Pires, o vento pode alterar rapidamente a direção das chamas e transportar partículas incandescentes. Em áreas extensas e de difícil acesso, localizar e alcançar todas as frentes também torna o combate mais complexo.
Os impactos, porém, não terminam quando o fogo é controlado. A especialista cita morte de animais, destruição de ninhos e abrigos, perda de vegetação e de áreas de alimentação, além da exposição do solo. Com as chuvas, cinzas e sedimentos podem ser carregados para córregos, rios e nascentes.
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