Candidatos ao governo já fazem contas de olho no segundo turno em Goiás
Postura de Marconi, Daniel e Wilder durante primeiro turno pode influenciar alianças e apoios caso a eleição pelo Governo do Estado tenha uma segunda etapa
Bruno Goulart
A disputa pelo Governo de Goiás ainda está no primeiro turno, mas os principais candidatos já começam a fazer as contas para uma possível segunda etapa. O governador Daniel Vilela (MDB) aparece na liderança das pesquisas, enquanto o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e o senador Wilder Morais (PL) disputam espaço para chegar ao segundo turno. Nesse cenário, a forma como os candidatos se enfrentam agora pode influenciar as alianças depois da votação.
O cientista político Lehninger Mota avalia ao O HOJE ser pouco provável que a eleição termine no primeiro turno. Para o especialista, o principal fator é a força do bolsonarismo em Goiás. Wilder, embora ainda seja pouco conhecido por parte do eleitorado, pode crescer durante a campanha e disputar uma das duas vagas.
Mota lembra o que ocorreu na eleição para a Prefeitura de Goiânia em 2024. Na época, Fred Rodrigues (PL) também começou a disputa com menor conhecimento entre os eleitores e conseguiu chegar ao segundo turno. “É muito provável que o candidato que representa a direita e o bolsonarismo, Wilder Morais, vá ao segundo turno”, afirma.
A hipotética presença de Wilder no segundo turno ajuda a explicar o comportamento dos candidatos. Segundo Mota, Marconi não tem direcionado ataques ao senador do PL. Wilder, por sua vez, tem feito críticas a Daniel, mas não mantém o mesmo nível de confronto com Marconi. Para o cientista político, essa diferença pode indicar que os candidatos já consideram a possibilidade de precisar do apoio de adversários depois do primeiro turno.
Críticas e possíveis alianças
Marconi e Daniel têm uma disputa política mais antiga e, por isso, o confronto entre os dois é mais forte. Wilder, na avaliação de Mota, mantém um discurso mais moderado. “O candidato Wilder faz propostas mais comedidas, não faz ataques. Faz algumas críticas, mas não ataques”, explica.
Para o cientista político, Marconi também pode ter adotado tática de evitar um confronto direto com Wilder para não fechar portas. Caso o senador avance para o segundo turno, o ex-governador poderia precisar do apoio do grupo do PL. “E o Marconi, a tendência dele é essa: fazer uma campanha sem ataques ao Wilder para que, caso seja ele que vá ao segundo turno, possa ter um aliado na segunda etapa”, afirma.
A situação é diferente entre Wilder e Daniel. O senador do PL tem concentrado críticas no governador. O grupo governista também tem feito críticas a Wilder, além de ataques ao próprio Marconi. Na avaliação de Mota, isso mostra que os dois grupos já tratam o outro como um dos principais adversários da eleição. “Eles já entendem que são dois adversários e tentam desconstruir ou adotar uma postura de ataque já no primeiro turno”, diz.
Isso não significa, porém, que as alianças para o segundo turno já estejam definidas. Caso a disputa chegue à segunda etapa, os acordos ainda dependerão do resultado das urnas, das negociações entre partidos e dos interesses de cada grupo político.
Governo aposta na vitória no primeiro turno
No grupo de Daniel, a leitura é mais otimista. O ex-deputado federal e assessor especial da governadoria Euler Morais afirma ao O HOJE que o governo trabalha com a possibilidade de vencer já no primeiro turno. Euler diz que as pesquisas mostram vantagem de Daniel e que o governador tem espaço para continuar a crescer. “Sem presunção, mostra que podemos ganhar no primeiro turno”, afirma.
Na avaliação do assessor, os adversários estão interessados em levar a eleição para um segundo turno porque, nesse caso, teriam uma nova oportunidade de enfrentar Daniel. “Claro que os adversários vão tentar desconstruir e fazer a eleição chegar ao segundo turno”, afirma Euler.
Mesmo assim, o ex-deputado admite que, se houver segundo turno com Daniel, os adversários podem se unir contra o governador. “Se houver segundo turno com Daniel, os dois certamente se uniriam. Seria natural”, diz. Euler, no entanto, afirma que o grupo governista não trabalha neste momento com esse cenário. A prioridade, segundo o aliado de Daniel, é manter a campanha focada na vitória na primeira votação. “Não estamos considerando a hipótese de segundo turno”, reforça.
Bolsonaro é peça importante
Euler também avalia que Wilder depende do apoio e da força eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para avançar na disputa. Para um dos articuladores de confiança do MDB, ainda não está claro se o ex-presidente terá força suficiente para levar o senador do PL ao segundo turno. “Vemos que Wilder depende do Bolsonaro, que está sem voz”, afirma. Euler também questiona qual seria o fator capaz de fazer Wilder crescer a ponto de superar os adversários.
A avaliação é diferente da apresentada por Lehninger Mota. Para o cientista político, é justamente a força do bolsonarismo em Goiás que pode ser um dos principais fatores para levar Wilder ao segundo turno. (Especial para O HOJE)
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