Cirurgião depõe sobre morte de empresária após cirurgia plástica em Goiânia
Lessandro Martins ficou cerca de três horas no 4º DP. Polícia aguarda laudo da exumação para esclarecer as circunstâncias da morte
O cirurgião plástico Lessandro Martins prestou depoimento nesta sexta-feira (16) ao delegado responsável pela investigação da morte da empresária Andreia Vieira Gaspar, que morreu após se submeter a procedimentos estéticos em Goiânia. O médico permaneceu por cerca de três horas no 4º Distrito Policial (DP) e, segundo o delegado Wladimir Freire, respondeu a todas as perguntas. O depoimento se concentrou nos aspectos técnicos da cirurgia.
De acordo com Freire, a investigação busca esclarecer se a morte foi provocada por omissão ou pelo procedimento cirúrgico. A polícia também apura se a cirurgia agravou uma condição preexistente e se o desfecho poderia ter sido evitado.
“Minha busca é o resultado morte. Foi causada por omissão ou pelo tratamento ao qual ela foi submetida? Ou seja, a cirurgia precipitou ou amplificou uma situação prévia, preexistente, e gerou o resultado morte? E esse resultado poderia ter sido previsível ou não? Tenho que dar uma resposta à sociedade e à família sobre se houve culpa no ato que gerou a morte da Andreia”, afirmou o delegado.
O médico não conversou com a imprensa ao deixar o distrito policial. Ele estava acompanhado de seguranças e do advogado.
Em nota, a defesa lamentou a morte da empresária e afirmou que Lessandro está colaborando com as investigações. Também negou negligência ou erro médico e sustentou que os exames pré-operatórios indicavam que Andreia estava apta a passar pela cirurgia.
Familiares da empresária, médicos e o proprietário da clínica também já foram ouvidos. A Polícia Civil aguarda o resultado do laudo produzido após a exumação do corpo, exame considerado importante para esclarecer as circunstâncias da morte.
Relembre o caso

Andreia Vieira Gaspar, de 51 anos, morreu em 12 de agosto, um dia depois de passar por procedimentos estéticos no rosto, no Hospital Ankar, em Goiânia. Moradora da Espanha, ela viajou ao Brasil para realizar as cirurgias, que incluíram ritidoplastia profunda, frontoplastia com redução de testa, mentoplastia óssea, blefaroplastia superior, lipoaspiração e enxertia de gordura no rosto.
Segundo uma representação apresentada pela família ao Ministério Público de Goiás (MPGO), após a operação Andreia foi levada a um quarto comum. Familiares relataram que ela estava com a língua inchada e que, durante a noite, começou a apresentar dificuldade para respirar.
A família afirma que os pedidos de atendimento não foram respondidos imediatamente e que os sintomas foram atribuídos a nervosismo. Andreia sofreu uma parada cardiorrespiratória durante a madrugada e morreu no hospital.
Após a família acionar o Ministério Público, foi solicitada a abertura de inquérito para apurar as circunstâncias da morte. A Polícia Civil investiga o caso como possível homicídio culposo.
Em 28 de agosto, o corpo da empresária foi exumado para uma nova perícia, com retirada de órgãos para exames complementares.
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