sábado, 7 de novembro de 2026
ENTREVISTA

Fábio Sousa diz que Flávio Bolsonaro precisa buscar votos de Caiado em Goiás

Deputado federal eleito pelo PL afirma que disputa pelo comando estadual do partido deve ficar para depois da eleição presidencial e sinaliza espaço para nova geração na liderança da sigla

Thiago Borgespor em
Fábio Sousa diz que Flávio Bolsonaro precisa buscar votos de Caiado em Goiás
“Não adianta conversar sobre quem vai presidir o partido se não elegermos o Flávio” | Foto: Pedro Banzoni/O HOJE

O deputado federal eleito pelo PL em Goiás, Fábio Sousa, visitou o Grupo O HOJE na última sexta-feira (16) e participou do programa Momento Político. Em entrevista conduzida pelos jornalistas Wilson Silvestre e Bruno Costa, o parlamentar falou sobre a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República no Estado, da disputa pelo comando estadual do partido, da polarização política no País e das perspectivas da direita para o próximo governo federal.

Questionado sobre como o PL trabalha para ampliar a votação de Flávio em Goiás, Fábio disse que um dos objetivos é angariar os eleitores que votaram no ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) no primeiro turno. A avaliação é de que a estratégia deve priorizar os votos de candidatos que ficaram fora da etapa final da disputa presidencial, incluindo Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo). 

“Na verdade, a gente tem que trabalhar com os eleitores do Caiado, Augusto Cury, os eleitores do Renan Santos. O Zema teve pouquíssimos votos, mas tem que ir atrás deles também. Dificilmente aquele que não votou no primeiro turno vai votar no segundo. Então, a gente tem que ir atrás desses votos. Não dá nem 10%, mas é isso que vai decidir a eleição”, afirmou.

O parlamentar eleito destacou que a candidatura de Caiado torna necessário um trabalho específico para alcançar os eleitores goianos que optaram pelo governador no primeiro turno. “Aqui em Goiás, pelo fato de ter tido o Caiado como candidato, você não pode desconsiderar. É preciso ir atrás desses votos.”

Segundo Sousa, os integrantes do PL no Estado já realizaram reuniões para organizar a mobilização e dividir as regiões de atuação. Apesar de demonstrar confiança na estrutura do partido, o parlamentar eleito ressaltou que o resultado não está garantido e criticou a estratégia eleitoral do PT. “A eleição não está ganha. O PT não tem medo de empobrecer a população para ganhar as eleições”, disse.

Disputa pelo comando do PL

A movimentação eleitoral também ocorre em meio às especulações sobre uma possível mudança na direção estadual do PL, atualmente presidido pelo senador Wilder Morais. O deputado federal e senador eleito Gustavo Gayer é apontado como nome para assumir o comando da legenda. 

Sousa descartou que o assunto está em pauta na legenda e que o foco está na eleição presidencial. De acordo com o deputado eleito, uma eventual vitória de Flávio teria impacto direto no peso político do PL em Goiás e ampliaria a capacidade de articulação da sigla com outras forças políticas, inclusive com o governador Daniel Vilela (MDB).

“O próprio governador Daniel vai ver o PL de uma forma diferente. Não adianta conversar agora sobre quem vai presidir e liderar o partido se nós não tivermos o Flávio presidente. Vamos eleger o Flávio, que aí o nosso poder é muito maior”, afirmou.

Apesar de não anunciar apoio formal a uma troca no comando, o deputado sinalizou para a necessidade de os dois senadores do partido se entenderem e destacou o perfil de uma nova geração de lideranças. “Na minha ótica, os dois senadores precisam se resolver, mas a gente tem um senador que está vindo com mais de um milhão de votos, que é jovem, que entendeu a política do jeito que está sendo feita. Talvez seja a hora, e não digo a ele, mas a essa nova geração, de ter a oportunidade de liderar o partido”, declarou.

Fábio Sousa diz que Flávio Bolsonaro precisa buscar votos de Caiado em Goiás
“A eleição não está ganha. O PT não tem medo de empobrecer a população para ganhar as eleições” | Foto: Pedro Banzoni/O HOJE

“O Lula impôs ao Brasil essa disputa de ‘nós contra eles’”

Ao analisar o cenário nacional, Sousa afirmou que a divisão entre direita e esquerda faz parte do amadurecimento democrático, mas criticou o que considera uma intensificação dos “conflitos políticos e sociais” no Brasil. O deputado atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a responsabilidade pela polarização e acusou o petista de estimular disputas entre diferentes grupos para obter vantagens eleitorais.

“A divisão entre direita e esquerda não é negativa para o Brasil. O que não pode é extrapolar os limites que a gente vê”, afirmou. “O Lula impôs ao Brasil essa disputa de ‘nós contra eles’, e isso é negativo para o País no sentido de querer nos separar. No final das contas, nós somos brasileiros”, disse.

Ligado ao segmento evangélico, Sousa também demonstrou ceticismo sobre a possibilidade de Lula recuperar apoio entre cristãos praticantes. Para o deputado, a aproximação do presidente com lideranças religiosas ocorre principalmente durante as campanhas eleitorais e não representa uma mudança consistente de postura.

Críticas às medidas econômicas

Sousa também criticou iniciativas do governo federal voltadas ao perdão de dívidas, especialmente para microempreendedores individuais (MEIs). Embora defenda a renegociação, o deputado argumentou que o perdão pode prejudicar quem manteve os pagamentos em dia.

“Você prejudica o bom pagador, que hoje está com cara de palhaço, porque pagou certinho, todo mês, e agora vem alguém que, por algum motivo, não conseguiu pagar e vai ter o perdão da dívida. A gente precisa beneficiar o bom pagador”, afirmou.

Na hipótese de vitória de Flávio, Sousa reconheceu que a reorganização da economia exigiria medidas difíceis, mas afirmou acreditar na capacidade do senador de conduzir o governo com uma “equipe qualificada” e apoio no Congresso Nacional.

O deputado eleito defendeu a manutenção de programas sociais, como o Farmácia Popular, associada a políticas de incentivo ao empreendedorismo. “O Farmácia Popular vai continuar, as bolsas vão continuar, os programas sociais vão continuar e serão fortalecidos, porque vamos buscar fortalecer o empreendedorismo, que é o que faz de fato o resgate da situação de miserabilidade”, pontuou. 

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