Goiás registra alta de dengue e chikungunya e reforça combate ao mosquito
Estado confirma mais de 108 mil casos de dengue e 11 mil de chikungunya em 2026; ações incluem novas tecnologias, distribuição de insumos e vacinação
Goiás já contabiliza 108.673 casos confirmados de dengue em 2026, aumento de 17% em relação ao mesmo período do ano passado. Os registros de chikungunya também cresceram: são 11.311 casos confirmados, alta de 343% na comparação anual. Diante do cenário, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) intensificou as ações de combate ao Aedes aegypti e reforçou o alerta para que a população elimine recipientes com água parada antes do período chuvoso.
A estratégia estadual inclui monitoramento da presença do mosquito, capacitação de equipes municipais, distribuição de equipamentos e aplicação de tecnologias para reduzir a proliferação do vetor, transmissor da dengue, chikungunya e zika.
Segundo o secretário estadual da Saúde, Rasível Santos, o enfrentamento depende da atuação conjunta entre governo, prefeituras e moradores. A orientação é verificar quintais, calhas, caixas-d’água, vasos de plantas e recipientes utilizados por animais para evitar o acúmulo de água.
Monitoramento e novas tecnologias
Uma das ferramentas utilizadas pela SES é a ovitrampa, armadilha que permite identificar a presença de ovos do mosquito e mapear áreas com maior concentração. De acordo com a secretaria, 104 municípios utilizam a metodologia, com 5.736 armadilhas instaladas em diferentes regiões do estado.
Outra medida é a distribuição das Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs), que utilizam o próprio mosquito para transportar larvicida até criadouros de difícil acesso. Em 2026, foram distribuídas 3.278 estações para municípios considerados estratégicos. Caldas Novas recebeu 2 mil unidades, destinadas a bairros com maior incidência de chikungunya. Inhumas, Goianira, Senador Canedo e Trindade também foram contemplados.
O Estado também amplia o uso do método Wolbachia, que consiste na liberação de mosquitos com uma bactéria natural capaz de reduzir a transmissão de vírus. Valparaíso de Goiás e Luziânia foram os primeiros municípios goianos a receber a tecnologia. Anápolis iniciou a implantação em 5 de outubro, enquanto Aparecida de Goiânia e Trindade estão em fase de preparação.
Equipamentos e capacitação
A estrutura de combate inclui 20 equipamentos de Ultra Baixo Volume (UBV), conhecidos como fumacê, instalados em veículos e distribuídos entre regionais de saúde. Os municípios também contam com 372 pulverizadores costais manuais e 709 nebulizadores costais motorizados.
Conforme a SES, entre 2025 e 2026, treinamentos sobre controle químico do mosquito reuniram 592 participantes de 161 municípios. A capacitação aborda o uso adequado dos equipamentos, a aplicação segura de produtos e os procedimentos de campo.
A secretaria também informou a distribuição de 2,8 mil sachês de Fludora, 8,4 mil unidades de BTI, inseticida biológico, e 14,9 mil litros de Cielo para ações de controle do vetor em Goiás.
Vacinação contra a dengue
Além das medidas de controle do mosquito, a SES reforça a importância da vacinação contra a dengue para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. O esquema da vacina Qdenga prevê duas doses, com intervalo de três meses.
Até o momento, foram aplicadas 402.915 primeiras doses, segundo os dados divulgados pela secretaria, o que corresponde a 54,84% de cobertura para a primeira etapa da imunização. A pasta também informa que 39,91% do público-alvo está com a segunda dose atrasada.
A orientação é que quem iniciou o esquema procure uma unidade de saúde para verificar a situação vacinal e completar a imunização. A secretaria destaca, ainda, que a vacinação deve ser acompanhada das medidas de prevenção, já que a eliminação dos criadouros continua sendo essencial para reduzir a circulação do mosquito.
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