Mercado de moda de segunda mão cresce três vezes mais que o varejo tradicional
Moda de segunda mão pode movimentar US$ 360 bilhões até 2030
O mercado de moda de segunda mão cresce em ritmo superior ao varejo tradicional e amplia as oportunidades para negócios de revenda de roupas, calçados e acessórios. A expansão acompanha mudanças no comportamento do consumidor, que busca preços mais baixos, qualidade e alternativas de consumo. O movimento também abre espaço para pequenos empreendedores, mas exige planejamento para administrar estoques, avaliar produtos e manter a rentabilidade.
O setor, que reúne desde brechós de bairro até plataformas digitais de revenda, passou a ocupar uma posição mais relevante na indústria da moda. Além do preço, fatores como a procura por peças vintage, roupas de grife e produtos que já não são encontrados no comércio convencional ajudam a explicar o interesse. Para os negócios, o desafio é transformar essa demanda em vendas recorrentes, com oferta adequada ao público e preços compatíveis com as condições das peças.
Mercado global pode chegar a US$ 360 bilhões até 2030
O mercado global de moda e artigos de luxo de segunda mão movimenta entre US$ 210 bilhões e US$ 220 bilhões, segundo estimativas divulgadas em 2025. A projeção é que o segmento alcance até US$ 360 bilhões em 2030, com crescimento anual próximo de 10%. O ritmo é cerca de três vezes superior ao esperado para o mercado de produtos novos, indicando que a revenda vem ganhando espaço na cadeia da moda.
Outra análise setorial aponta que o mercado de segunda mão deve crescer de duas a três vezes mais rápido que o de primeira mão entre 2025 e 2027. No levantamento, 59% dos consumidores entrevistados globalmente afirmaram que provavelmente comprariam produtos usados em 2026. O dado sinaliza que esse tipo de consumo deixou de estar associado exclusivamente à busca por economia e passou a fazer parte das escolhas de diferentes perfis de compradores.

Brechós brasileiros movimentam pequenos negócios
No Brasil, os brechós têm presença significativa entre os pequenos empreendimentos. Um levantamento divulgado em setembro de 2025 identificou 7.348 negócios de varejo de produtos usados no estado de São Paulo. Desse total, 5.211 eram microempreendedores individuais (MEIs), o equivalente a 71%. Embora os números sejam estaduais e não representem todo o mercado brasileiro, ajudam a dimensionar a participação dos pequenos negócios no segmento.
A pesquisa ouviu 400 consumidores de brechós entre abril e maio de 2025. Para 71% dos entrevistados, os preços mais baixos estão entre os motivos para comprar nesses estabelecimentos. A qualidade dos produtos foi mencionada por 45%, enquanto 43% citaram sustentabilidade e consumo consciente. Os resultados indicam que a decisão de compra combina fatores econômicos e ambientais, o que amplia as possibilidades de posicionamento dos empreendimentos.
O gasto médio informado ficou entre R$ 50 e R$ 100 por compra. A frequência também mostra diferentes hábitos de consumo: 32% dos entrevistados disseram comprar em brechós a cada dois meses, enquanto 22% realizavam compras semestrais. Para os empreendedores, os dados reforçam a importância de conhecer o público, acompanhar a procura por categorias específicas e renovar a oferta de produtos de acordo com a demanda.

Roupas, calçados e acessórios lideram a procura
As roupas estão entre os principais produtos procurados nos brechós. No levantamento paulista, 51% dos entrevistados citaram roupas masculinas e 50%, roupas femininas. Calçados apareceram em 46% das respostas, enquanto acessórios, como bolsas, bijuterias e óculos, foram mencionados por 43%. As roupas de grife foram citadas por 42% dos consumidores. Como a pesquisa permitia indicar mais de uma categoria, os percentuais não são excludentes.
A variedade de produtos permite atender públicos com interesses e orçamentos diferentes. Algumas operações priorizam roupas para o dia a dia, enquanto outras trabalham com peças de grife, acessórios, artigos vintage ou vestuário para ocasiões específicas. Essa diversidade também exige critérios para selecionar o estoque: uma peça pode estar em boas condições, mas não ter procura suficiente para justificar o preço de aquisição, o espaço ocupado e o trabalho necessário para prepará-la para a venda.
O comércio presencial ainda tem peso importante nesse segmento. Segundo a pesquisa, 84% dos consumidores preferiam comprar em brechós físicos, enquanto 40% também demonstravam preferência pelos canais on-line. Os percentuais não são excludentes, pois o mesmo consumidor pode utilizar os dois formatos. A combinação de loja física e divulgação digital pode ampliar o alcance dos negócios, desde que haja estrutura para fotografar os produtos, informar medidas, responder aos clientes e organizar entregas.
No ambiente digital, a apresentação das peças ganha importância porque o consumidor nem sempre pode experimentar ou avaliar o produto pessoalmente. Fotografias fiéis, descrições detalhadas e informações sobre possíveis desgastes ajudam a reduzir dúvidas antes da compra. A gestão das mensagens, dos pagamentos e dos envios também precisa acompanhar o volume de pedidos para evitar atrasos e problemas no atendimento.
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