Na Globo, Flávio promete salário mínimo acima da inflação e mandato único na Presidência
Durante sabatina, senador também defendeu cortes de gastos públicos, reforçou apoio ao fim da escala 6×1 e foi questionado sobre recursos para filme do pai, ex-presidente Jair Bolsonaro
Bruno Goulart
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, defendeu cortes de despesas públicas, manutenção do reajuste do salário mínimo acima da inflação e disse garantir que não revisará o fim da escala de trabalho 6×1. Durante sabatina na TV Globo, na noite desta sexta-feira (16), o parlamentar também prometeu apresentar uma proposta para acabar com a reeleição presidencial, criticou a atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e respondeu a questionamentos sobre o financiamento do filme “Dark Horse” sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu pai.
Na área econômica, Flávio afirmou que pretende reduzir gastos sem retirar recursos da população mais pobre. Para isso, citou o combate à corrupção, a redução do número de ministérios e o aproveitamento de imóveis públicos. Segundo o candidato, o governo federal tem 39 ministérios, e a intenção é cortar pelo menos dez. “Eu não vou fazer economia com as pessoas que mais precisam do governo, as pessoas mais pobres”, declarou. O presidenciável do PL reconheceu, porém, que a redução dos ministérios, isoladamente, não seria suficiente para produzir uma economia de R$ 200 bilhões por ano.
Como alternativa para ampliar as receitas, Flávio mencionou os imóveis da União, que, segundo o senador, somam mais de 30 mil unidades. O candidato afirmou que a avaliação desses bens, embora desatualizada, chega a R$ 1,7 trilhão. A proposta seria reunir os imóveis em um fundo de gestão e utilizar operações financeiras para antecipar receitas.
O senador também citou a possibilidade de obter recursos com a cobrança de dívidas da União e a exploração de petróleo na Margem Equatorial, na região do Amapá. Na avaliação de Flávio, essas medidas poderiam gerar centenas de bilhões de reais. Entretanto, os valores apresentados foram estimativas do candidato, sem detalhamento, durante a entrevista, sobre os prazos, os custos e as condições necessárias para transformar essas projeções em receitas efetivas.
Escala 6×1
Outro tema da sabatina foi o fim da escala 6×1. Questionado sobre a mudança de posicionamento, Flávio afirmou ter percebido que a maioria dos trabalhadores ouvidos apoiava o fim da escala. “Eu votei conforme o que eu vi nas ruas”, disse. Apesar disso, ponderou que a redução da jornada precisa vir acompanhada de melhorias nas condições de vida. Para o candidato, um dia a mais de descanso não resolve problemas como a insegurança no transporte público e a dificuldade de fazer o salário durar até o fim do mês.
Ao ser questionado se, caso eleito, trabalharia para reverter a mudança, Flávio respondeu que respeitará a decisão do Congresso Nacional. “Todos os direitos trabalhistas estão garantidos”, afirmou.
Mandato único
Flávio também reiterou a intenção de governar por apenas um mandato. O senador afirmou que pretende apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para acabar com a reeleição presidencial e disse que abriria mão de disputar um novo mandato mesmo se o Congresso não aprovasse a mudança. “Eu só preciso de um mandato”, declarou. Segundo o presidenciável, a proposta também abriria discussão sobre a duração do mandato presidencial, que poderia continuar em quatro anos ou passar para cinco, conforme a decisão dos parlamentares.
O candidato foi questionado ainda sobre a possibilidade de seu pai ou de seus irmãos concorrerem à sucessão presidencial. Flávio afirmou que seguirá as regras constitucionais vigentes, que estabelecem restrições à candidatura de parentes de titulares do Poder Executivo.
Críticas ao STF
Na área institucional, o senador defendeu uma reforma do Judiciário para recuperar a “credibilidade” do Supremo Tribunal Federal (STF). O candidato criticou diretamente o ministro Alexandre de Moraes, a quem acusou de perseguir adversários políticos e interferir em diferentes assuntos.
Flávio também foi questionado sobre o ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao STF por Jair Bolsonaro, seu pai, diante das relações com o banqueiro Daniel Vorcaro. De forma vaga, o candidato respondeu que a lei deve valer para todos e afirmou que ministros que cometerem crimes de responsabilidade podem ser alvo de processos de impeachment no Senado. “A lei tem que valer para todo mundo”, disse.
Dark Horse
O candidato também foi questionado sobre os valores solicitados a Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse” sobre Jair Bolsonaro e a ausência de prestação de contas detalhadas dos recursos. A perícia da produtora, conforme mencionado na pergunta, apontou custo de R$ 75 milhões para a produção, enquanto o senador teria pedido R$ 134 milhões ao empresário.
Flávio afirmou que o contrato não foi cumprido integralmente e que os recursos recebidos de Vorcaro e de outros investidores permitiram concluir o projeto. O senador classificou a operação como uma relação privada e negou que tenha havido contrapartida política. O senador também comparou o caso a contratos publicitários do Banco Master, ligado a Vorcaro, com a Globo.
Ao ser perguntado se Jair Bolsonaro ocuparia algum cargo em um eventual governo, Flávio afirmou que o pai nunca manifestou interesse em integrar a administração. Segundo o candidato, o ex-presidente seria uma pessoa de confiança a quem poderia recorrer para consultas, mas não haveria compromisso de nomeação. O candidato do PL fechou as sabatinas da TV Globo, que começaram na quarta-feira (14), em ordem definida por sorteio, com o presidente Lula da Silva (PT).
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