sábado, 17 de outubro de 2026
EM 2027

5 fatores que mostram como o agro contribui para o Brasil chegar à 8ª maior economia do mundo

Exportações recordes, safras elevadas e geração de empregos ajudam a explicar o peso do setor na economia brasileira

Micael Mourapor em
5 fatores que mostram como o agro contribui para o Brasil chegar à 8ª maior economia do mundo
Segundo as projeções, o país pode manter essa posição até 2031, último ano com estimativas disponíveis Foto: Divulgação

Nesta semana, o Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou o documento Perspectivas da Economia Mundial, no qual o Brasil é apontado como a oitava maior economia do mundo em 2027. Segundo as projeções, o país pode manter essa posição até 2031, último ano com estimativas disponíveis. Para 2027, o documento prevê um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 2,80 trilhões (R$ 14,65 trilhões). Em 2026, quando aparece na décima posição, a estimativa é de US$ 2,655 trilhões.

O PIB representa o conjunto de bens e serviços finais produzidos em um país e é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No caso da agropecuária, o indicador considera a produção dentro da porteira, incluindo lavouras, pecuária, produção florestal e pesca. Em 2025, esse PIB chegou a R$ 775,3 bilhões, cerca de 6,1% da economia brasileira.

Já o PIB do agronegócio, calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), abrange toda a cadeia produtiva, desde os insumos até a produção primária, a agroindústria e os agrosserviços. Por esse critério, o setor movimentou R$ 3,20 trilhões em 2025, o equivalente a 25,13% da economia.

As sete economias à frente do Brasil na projeção para 2027 são Estados Unidos (US$ 34,44 trilhões), China (US$ 22,94 trilhões), Alemanha (US$ 5,66 trilhões), Índia (US$ 4,52 trilhões), Reino Unido (US$ 4,49 trilhões), Japão (US$ 4,47 trilhões) e França (US$ 3,65 trilhões). Atrás do Brasil aparecem Itália (US$ 2,77 trilhões) e Rússia (US$ 2,68 trilhões), completando o grupo das dez maiores economias globais.

Mas qual é a contribuição do agronegócio para esse avanço? Confira cinco fatores que ajudam a explicar o peso do campo na economia brasileira.

1. O campo puxou o crescimento do país

Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3% e alcançou R$ 12,7 trilhões, segundo o IBGE. A agropecuária liderou a expansão, com alta de 11,7%, ritmo superior ao dos serviços (1,8%) e ao da indústria (1,4%).

Embora represente cerca de 6% do PIB, o setor respondeu por 32,8% do crescimento da economia no ano. As safras recordes de milho, com alta de 23,6%, e soja, com avanço de 14,6%, contribuíram para o resultado. O desempenho também se manteve positivo no segundo trimestre de 2026, quando a agropecuária cresceu 6,8% em relação ao mesmo período de 2025.

2. Um quarto da economia passa pela cadeia do agro

Quando a conta inclui toda a cadeia produtiva, das fábricas de fertilizantes às agroindústrias e ao transporte da safra, a participação do setor na economia é maior. O PIB do agronegócio cresceu 12,20% em 2025, de acordo com o Cepea/CNA. No mesmo período, sua participação no PIB brasileiro passou de 22,9% para 25,13%.

Para 2026, porém, o cenário é de ajuste. Com a queda dos preços agrícolas, o PIB do agronegócio recuou 2,01% no primeiro trimestre. A projeção apresentada no levantamento é de R$ 3,13 trilhões para o ano, o equivalente a 22,8% da economia. O cenário indica que, mesmo com maior produção, o setor pode receber menos por tonelada comercializada.

3. Os dólares que pesam no ranking

O FMI compara as economias em dólares, e as exportações do agronegócio são uma importante fonte de moeda estrangeira para o Brasil. Em 2025, as vendas externas do setor atingiram o recorde de US$ 169,2 bilhões, o equivalente a 48,5% de tudo o que o país exportou. O superávit comercial do agronegócio chegou a US$ 149,07 bilhões.

A entrada de divisas contribui para o fluxo de dólares na economia e pode influenciar a cotação do real, fator que interfere no valor do PIB brasileiro convertido para a moeda norte-americana.

A pauta exportadora também registrou resultados expressivos. A carne bovina in natura alcançou US$ 16,6 bilhões, alta de 42,5%, enquanto o café verde chegou a US$ 14,86 bilhões, avanço de 31,1%. Ambos atingiram recordes. A China permaneceu como principal compradora, com US$ 55,3 bilhões em aquisições. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Brasil acumulou 525 mercados abertos desde 2023.

4. A safra que chega em 2027

O campo prepara a produção que será colhida e comercializada no período em que o FMI projeta o Brasil como a oitava maior economia do mundo. Em levantamento divulgado em 15 de outubro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou a safra brasileira de grãos de 2026/2027 em 367,14 milhões de toneladas, um novo recorde.

A área plantada deve crescer 2,3%, chegando a 85,41 milhões de hectares. A produção de soja pode alcançar 181,61 milhões de toneladas, enquanto a de milho tem previsão de chegar a 148 milhões de toneladas.

Nas exportações, a Conab projeta embarques de 117,97 milhões de toneladas de soja e de até 46 milhões de toneladas de milho. O volume produzido e comercializado pode contribuir para a atividade econômica, a geração de renda e o desempenho das exportações brasileiras.

5. Um em cada quatro trabalhadores

A importância do agronegócio também aparece no mercado de trabalho. Em 2025, 28,4 milhões de pessoas estavam ocupadas no setor, o equivalente a 26,3% dos 108,1 milhões de trabalhadores do país, segundo a CNA.

Isso significa que aproximadamente uma em cada quatro pessoas ocupadas no Brasil trabalhava em alguma etapa da cadeia do agronegócio, da indústria de insumos à produção rural, ao processamento de alimentos e à logística. O setor, portanto, tem participação relevante não apenas nas exportações e no PIB, mas também na geração de empregos e renda.

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