Debate entre Lula e Flávio na Band é marcado por acusações e ataques pessoais
Confronto teve questionamentos sobre corrupção e familiares dos candidatos; propostas ficaram em segundo plano
O primeiro debate presidencial do segundo turno, entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), realizado pela Band neste domingo (18), foi marcado pela troca de acusações, ataques pessoais e questionamentos sobre suspeitas de corrupção de familiares dos candidatos. Embora segurança pública, economia, saúde e relações internacionais tenham sido abordados, o confronto foi dominado por embates diretos, nos quais os presidenciáveis frequentemente deixaram de responder às perguntas do adversário para retomar acusações contra o outro lado.
O tom ficou evidente já no primeiro bloco, quando os candidatos discutiram segurança pública. Questionado sobre como combater o avanço do crime organizado, Flávio prometeu endurecer a atuação do Estado. “A partir do ano que vem vou declarar guerra ao crime organizado. Vou declarar eles narcoterroristas”, afirmou. O senador também criticou a política de desencarceramento do governo federal e prometeu que, em uma eventual gestão, não haveria criminosos soltos nas ruas.
Lula rebateu ao lembrar que Flávio se posicionou contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. O presidente defendeu maior participação da União no enfrentamento à criminalidade e citou a atuação da Polícia Federal (PF), da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Lei Antifacção. O petista também atribuiu aos estados parte da responsabilidade pelos problemas na área.
Investigações e familiares entram na discussão
A discussão rapidamente deixou o campo das propostas e passou para ataques pessoais. Lula questionou Flávio sobre o voto contrário à ampliação da licença-maternidade, em 2009, quando era deputado estadual pelo Rio de Janeiro. O senador não respondeu diretamente e perguntou se o presidente conhecia a empresária Roberta Luchsinger, lobista citada em discussões sobre as investigações em torno de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do petista.
O embate avançou para o caso do Banco Master e do empresário Daniel Vorcaro. Lula questionou a relação de Flávio com o banqueiro e cobrou explicações sobre os R$ 134 milhões associados ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Flávio reagiu com menção a um áudio de Vorcaro divulgado pela revista Veja e voltou a atacar Lula, com citações de condenações por corrupção que foram posteriormente anuladas pela Justiça.
Ao citar Vorcaro, Lula chegou a dizer que “vocês fizeram dele um banqueiro e eu fiz dele um prisioneiro”. O presidente também acusou o adversário de repetir informações falsas sobre o caso e voltou a cobrar esclarecimentos sobre os valores. A troca de acusações envolvendo Vorcaro e os familiares dos dois candidatos foi um dos principais eixos do primeiro bloco.
O presidente ainda criticou a atuação de Flávio como advogado de um policial envolvido na morte de uma criança de cinco anos. Já Flávio questionou o eleitor sobre votar em quem seria “apoiado por criminosos que roubam celulares”.
Propostas ficam em segundo plano
A economia também foi palco de críticas mútuas. Lula destacou os índices de crescimento registrados em seus primeiros governos e afirmou que o país voltou a crescer acima de 3% com seu retorno à Presidência. O petista prometeu ampliar os investimentos e defendeu os resultados de sua gestão.
Flávio argumentou que o PT está há 18 anos no “comando do País” e que o custo de vida continua elevado. O senador prometeu uma economia de R$ 250 milhões com corte de gastos, que irá “ajudar os brasileiros a quitar dívidas” e estimular a atividade econômica. Porém, a proposta não foi detalhada durante o embate.
O fim da escala de trabalho 6×1 também apareceu na discussão. Lula questionou a posição do adversário sobre o tema, enquanto Flávio defendeu que os trabalhadores terão “condições de prosperar” em seu eventual governo.
No segundo bloco, a saúde foi tema de pergunta formulada por um jornalista da Band. Flávio prometeu transformar o Sistema Único de Saúde (SUS) em um serviço com padrão de atendimento semelhante ao do Hospital Albert Einstein. Lula rebateu com críticas à condução da pandemia de Covid-19 pelo governo de Jair Bolsonaro e questionou se a proposta do senador significaria privatizar o SUS. Flávio chegou a admitir que a saúde não teve bom desempenho no governo Bolsonaro, “em razão da pandemia”.
Relação com os Estados Unidos
No terceiro bloco, Lula questionou Flávio sobre a relação de seu grupo político com os Estados Unidos e sobre a exploração das terras raras brasileiras. O presidente afirmou que o país tem potencial para ampliar sua participação nesse mercado e perguntou se o adversário pretendia entregar recursos estratégicos aos norte-americanos. Flávio negou e respondeu com críticas à atuação internacional do governo petista.
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