Após décadas de abandono, prédio redondo do Centro de Goiânia tem destino anunciado
Proprietários planejam retomar obra e instalar apartamentos para locação; Prefeitura promete fiscalizar outros edifícios sem uso
A Prefeitura de Goiânia intensificou a cobrança sobre proprietários de imóveis abandonados após anos de ocupações irregulares, problemas de segurança e falta de conservação no Centro da capital. Um dos principais exemplos é o prédio redondo da Avenida Araguaia, na esquina com a Rua 2, que permanece inacabado há cerca de 30 anos e se tornou alvo de reclamações, fiscalizações e ações municipais. Após uma operação realizada no início de outubro, o prefeito Sandro Mabel anunciou, nesta terça-feira (20), que um novo grupo de proprietários pretende retomar a obra e dar uma nova destinação ao edifício.
Planejado em 1991, o prédio começou a ser construído em 1994 para abrigar um laboratório de análises clínicas e consultórios médicos. No entanto, as obras foram interrompidas no final de 1995, em meio a dificuldades financeiras do proprietário e mudanças econômicas da época. Desde então, a construção permaneceu inacabada, tornando-se uma das estruturas abandonadas mais conhecidas do Centro de Goiânia.
Ao longo dos anos, o imóvel passou a ser ocupado irregularmente por pessoas em situação de rua, situação que gerou reclamações de moradores e frequentadores da região. Além dos problemas relacionados à conservação e à ocupação, ações de inteligência da Polícia Militar identificaram, nas proximidades, suspeitas de tráfico de drogas e furtos a estabelecimentos comerciais e pedestres.
A preocupação com a segurança também ganhou destaque após um morador em situação de rua ser esfaqueado na tarde da última segunda-feira (19), no Centro de Goiânia. Conforme relatos de moradores e vizinhos, o prédio abandonado é frequentemente utilizado como abrigo por pessoas em situação de vulnerabilidade e usuários de drogas, e a região registra episódios de violência e tumultos durante a madrugada.
Diante desse cenário, no início de outubro, a Secretaria Municipal de Eficiência (Sefic) autuou o proprietário por falta de manutenção das condições de estabilidade, higiene, segurança e salubridade do imóvel. A Prefeitura também mobilizou a Guarda Civil Metropolitana (GCM) e equipes da assistência social para atuar no local. Em uma das operações, seis pessoas foram abordadas enquanto utilizavam o edifício como abrigo irregular. Com apoio do Grupo de Operações com Cães (GOC K9), os agentes realizaram buscas, mas não encontraram armas ou drogas naquela ação.
Cobrança por medidas concretas
O objetivo anunciado foi cobrar dos responsáveis providências para impedir novas invasões e resolver as condições que mantinham o imóvel abandonado. Segundo o secretário municipal de Eficiência, Fernando Peternella, os proprietários já haviam sido autuados duas vezes por não adotarem medidas para garantir a segurança do local.
Durante o anúncio da retomada, Mabel afirmou que a Prefeitura procurou os responsáveis e estabeleceu que o prédio precisaria receber uma destinação. Caso contrário, segundo o prefeito, o município poderia adotar medidas para impedir que o imóvel continuasse nas condições atuais. O gestor também relatou que os novos proprietários se comprometeram a reforçar a segurança do edifício, com muros, portões e concertinas para dificultar novas invasões.
A previsão apresentada é que o prédio receba apartamentos destinados à locação por meio da plataforma Airbnb. Mabel afirmou que laudos técnicos apontam boas condições estruturais e disse que os proprietários estão se mobilizando para executar as intervenções. Apesar do anúncio, não foi informado um cronograma detalhado para o início e a conclusão das obras.
Outros imóveis entram no radar
A Prefeitura pretende ampliar a fiscalização para outros edifícios abandonados em Goiânia. Mabel citou como exemplo um imóvel localizado na esquina da Avenida Assis Chateaubriand com a Avenida Portugal, no Setor Oeste, e afirmou que pretende adotar medidas semelhantes em construções que estejam na mesma situação.
A atuação municipal também envolve o atendimento às pessoas que ocupam esses espaços. No prédio da Avenida Araguaia, equipes do Serviço de Abordagem Social (Seas) realizaram atendimentos e ofereceram encaminhamentos para programas, serviços e benefícios da rede socioassistencial. A iniciativa busca associar as ações de segurança e conservação à oferta de atendimento social, embora a retirada das pessoas do imóvel, por si só, não resolva a situação de vulnerabilidade.
A retomada do edifício ocorre ainda em meio à proposta de estimular a moradia no Centro. Segundo Mabel, o programa Venha Morar no Centro está em fase final de regulamentação, mas ainda depende de providências para viabilizar sua execução. A iniciativa integra a estratégia anunciada pela gestão para incentivar a ocupação residencial da região central.
Leia mais aqui:
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.