terça-feira, 20 de outubro de 2026
ECONOMIA

Ibovespa recua em dia de cautela eleitoral e queda das ações da Petrobras

Índice brasileiro fecha aos 205 mil pontos, enquanto bolsas de Nova York têm resultados distintos e dólar cai para R$ 5,04

Luma Silveirapor em
Ibovespa recua em dia de cautela eleitoral e queda das ações da Petrobras
Petrobras recua mais de 2%, enquanto Azzas sobe 13,25% após revisão de recomendação pelo Citi | Foto: Canva

O Ibovespa encerrou a segunda-feira (19) em queda de 0,17%, aos 205.079 pontos, com volume financeiro de R$ 21,6 bilhões. O resultado ocorreu em meio à cautela dos investidores diante da proximidade do segundo turno das eleições presidenciais e à desvalorização das ações da Petrobras. No exterior, o desempenho foi misto: o S&P 500 avançou 0,41%, aos 7.690,73 pontos, e o Nasdaq subiu 1,11%, aos 26.430 pontos, impulsionados pela recuperação de empresas ligadas à inteligência artificial. Já o Dow Jones recuou 0,07%, aos 51.966 pontos.

O dólar à vista acompanhou movimento de baixa e fechou cotado a R$ 5,0481, com recuo de 0,50%. A sessão marcou a retomada da rolagem de swaps cambiais pelo Banco Central, que ofertou e vendeu 75 mil contratos, equivalentes a US$ 3,75 bilhões, após uma suspensão técnica na semana anterior.

Disputa presidencial e orçamento no radar

O ambiente político brasileiro permaneceu entre os fatores observados pelo mercado. O debate entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, realizado pela Band, e a expectativa por novas pesquisas eleitorais aumentaram a atenção sobre as propostas dos candidatos para a economia e as contas públicas.

Na campanha de Lula, o senador Camilo Santana afirmou que o presidente autorizaria a quebra dos próprios sigilos bancário e telefônico e desafiou o adversário a fazer o mesmo. A campanha de Flávio Bolsonaro, por sua vez, declarou que manteria o Bolsa Família, com uma regra de transição de dois anos para beneficiários que conseguissem emprego.

As medidas com impacto sobre o orçamento também entraram na avaliação dos investidores. O Ministério do Planejamento informou que os anúncios do governo exigiriam um remanejamento de R$ 20 bilhões no Orçamento de 2027, montante equivalente a cerca de 1% das despesas submetidas ao limite de gastos. Entre as iniciativas mencionadas estão o reajuste de 15,04% no Bolsa Família, com impacto informado de R$ 22,7 bilhões, e o Desenrola 3.0, com previsão de R$ 15 bilhões até 2028.

Petrobras recua e Azzas dispara

Na bolsa brasileira, as ações da Petrobras estiveram entre os principais destaques negativos. Os papéis ordinários caíram 2,93%, enquanto os preferenciais recuaram 2,82%, em uma sessão marcada pela volatilidade dos preços internacionais do petróleo. A MBRF também registrou baixa expressiva, de 4,11%.

Em sentido contrário, a Azzas 2154 avançou 13,25% após o Citi elevar a recomendação das ações para compra. A MRV registrou valorização de 10,94%, figurando entre as maiores altas do pregão.

No mercado internacional de energia, o petróleo oscilou diante das tensões geopolíticas envolvendo Rússia, Ucrânia e Oriente Médio. Os contratos futuros do Brent para dezembro foram informados a US$ 109,55 por barril, enquanto o WTI para o mesmo vencimento ficou em US$ 98,54. Notícias sobre ataques a instalações energéticas e mudanças nas restrições norte-americanas aos combustíveis russos contribuíram para a volatilidade durante o dia.

Indicadores econômicos movimentam a agenda

A programação desta terça-feira (20) concentra indicadores importantes para a avaliação da atividade econômica global. Nos Estados Unidos, estão previstos dados semanais de emprego da ADP, números sobre construção e licenças de construção, vendas pendentes de moradias e estoques de petróleo. Na Europa, os destaques incluem a taxa de desemprego do Reino Unido, o índice de preços ao produtor da Alemanha e os indicadores de percepção econômica do instituto ZEW.

Os investidores também acompanham a temporada de balanços corporativos em Wall Street, com resultados de empresas de diferentes setores no centro das atenções. Os números divulgados pelas companhias podem oferecer novos sinais sobre o desempenho dos negócios e as perspectivas para os próximos trimestres.

No Brasil, o comportamento das ações de maior peso no Ibovespa, as expectativas em torno da política fiscal e os desdobramentos da disputa presidencial devem continuar no foco dos agentes financeiros ao longo da semana.

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