O que uma maçã por dia pode fazer pela sua saúde? Pesquisa aponta benefícios para o coração e intestino
Rica em fibras e antioxidantes, fruta pode favorecer o funcionamento do intestino e contribuir para a saúde cardiovascular
Na correria do dia a dia, a maçã costuma ser aquela fruta escolhida pela praticidade. Cabe na bolsa, não exige preparo e pode ser consumida entre uma atividade e outra. Mas o que acontece no organismo depois de algumas mordidas? Por trás da aparência comum, a fruta reúne substâncias que podem beneficiar o coração, o intestino e até o controle do açúcar no sangue. É o que indica uma revisão de 38 estudos científicos publicada na revista Food & Function.
A pesquisa, conduzida por cientistas italianos, reuniu evidências sobre os efeitos do consumo de maçãs na saúde cardiometabólica, que envolve fatores como glicemia e funcionamento dos vasos sanguíneos. Os resultados apontam benefícios potenciais, embora existam diferenças entre os estudos que impedem conclusões definitivas.
Uma das explicações está na pectina, fibra encontrada na fruta que forma uma espécie de gel durante a digestão. Esse mecanismo torna mais lenta a absorção dos carboidratos, ajudando a moderar as oscilações da glicose após as refeições.
No intestino, a mesma fibra desempenha outra função. Parte dela chega ao cólon, onde serve de alimento para bactérias benéficas. A fermentação produz substâncias associadas à manutenção da barreira intestinal e à regulação de processos inflamatórios. A revisão também encontrou indícios de aumento de bifidobactérias, microrganismos relacionados ao equilíbrio da microbiota.
E a casca, vale comer?
Quem costuma descascar a maçã pode estar deixando de aproveitar uma parcela importante de seus compostos. A casca concentra mais de 80% dos flavonoides presentes na fruta, substâncias pertencentes ao grupo dos polifenóis, investigadas por seus efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios.
Esses compostos também estão associados à proteção das células que revestem as artérias, contribuindo para o funcionamento dos vasos sanguíneos. Para aproveitá-los, a orientação é consumir a maçã com casca, desde que bem higienizada.
A variedade também merece atenção. Fuji, Gala e Granny Smith, por exemplo, apresentam diferenças de sabor, textura e composição de compostos bioativos. Alternar entre elas é uma maneira simples de diversificar a alimentação, sem transformar a escolha da fruta em uma regra complicada.
Apesar das descobertas, não existe quantidade de maçãs capaz de compensar, sozinha, hábitos alimentares inadequados. Tampouco a fruta substitui medicamentos ou tratamentos para diabetes e doenças cardiovasculares.
O interesse científico pelo alimento revela algo importante sobre a relação entre saúde e comportamento: cuidar da alimentação nem sempre exige produtos caros ou mudanças radicais. Muitas vezes, começa com escolhas que já estão ao alcance das mãos, como incluir uma fruta na rotina e consumi-la com regularidade.
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