Internações por infarto crescem entre pessoas com menos de 40 anos em Goiás e no Brasil
Goiás registrou 1.842 hospitalizações de pessoas com menos de 40 anos entre 2017 e 2023; no Brasil, foram mais de 9 mil internações de pessoas de 15 a 29 anos em uma década
O infarto, frequentemente associado ao envelhecimento, também tem atingido pessoas mais jovens. No Brasil, foram registradas 9.106 internações de pessoas entre 15 e 29 anos entre 2015 e 2024, segundo dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus). Em Goiás, outro levantamento identificou 1.842 internações de pacientes com menos de 40 anos entre 2017 e 2023.
No Estado, os registros passaram de 163, em 2017, para 333, em 2023. Embora os levantamentos considerem faixas etárias e períodos diferentes, os números mostram a ocorrência da doença entre adultos jovens e reforçam a importância do diagnóstico precoce.
A dimensão das doenças cardiovasculares também aparece nos dados de mortalidade. Goiás registrou 9.123 mortes relacionadas a essas doenças em 2025, segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. Desse total, 4.678 foram relacionadas ao infarto, 2.728 ao Acidente Vascular Cerebral (AVC) e 1.717 à insuficiência cardíaca.
Para a médica Fernanda Cavaliere, um dos principais desafios entre adultos jovens é reconhecer condições que podem evoluir sem apresentar sintomas evidentes. Hipertensão, colesterol elevado e alterações na glicemia podem permanecer sem diagnóstico por períodos prolongados. “O grande obstáculo entre adultos jovens é que essas condições progridem de forma silenciosa, acumulando danos vasculares sem dar sinais evidentes. Quando a pessoa busca socorro na emergência, o dano pode já ser irreversível”, alerta.
Fatores de risco nos mais jovens
Entre os fatores que podem contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares estão sedentarismo, alimentação inadequada, obesidade, tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas e estresse. Hipertensão, diabetes e colesterol alto também aumentam os riscos. A combinação dessas condições pode comprometer a saúde cardiovascular e favorecer o aparecimento de complicações mesmo antes dos 40 anos.
A rotina também influencia os indicadores de saúde. Longos períodos sem atividade física, alimentação baseada em produtos ultraprocessados e noites de sono insuficientes podem prejudicar o organismo. O uso de cigarros convencionais e eletrônicos também merece atenção, já que a exposição à nicotina integra os fatores considerados na avaliação da saúde cardiovascular.
A ausência de sintomas pode dificultar a identificação precoce. Uma pessoa jovem pode não associar alterações na pressão arterial, no colesterol ou na glicemia a um risco futuro de infarto, principalmente quando não sente desconforto. Por isso, avaliações clínicas periódicas ajudam a identificar alterações e acompanhar sua evolução antes que surjam complicações.
O acompanhamento não deve ocorrer apenas quando aparecem dores ou outros sinais de alerta. A verificação periódica da pressão arterial, dos níveis de colesterol e da glicemia permite identificar alterações que podem passar despercebidas. A frequência dos exames e as medidas necessárias devem ser definidas conforme o histórico familiar, a idade e as condições de saúde de cada paciente.
O período de calor intenso e baixa umidade, comum em Goiás e no Centro-Oeste, também exige cuidados. A desidratação pode provocar alterações no funcionamento do organismo e na circulação sanguínea, especialmente entre pessoas que já apresentam problemas de saúde. Manter a ingestão adequada de água e evitar exposição prolongada ao calor são medidas importantes, mas não substituem o acompanhamento médico.
Hábitos saudáveis ajudam a reduzir riscos
A American Heart Association reúne oito componentes da saúde cardiovascular no modelo Life’s Essential 8: alimentação, atividade física, exposição à nicotina, sono, peso, colesterol, glicemia e pressão arterial. Para adultos, a entidade recomenda pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada ou 75 minutos de exercício vigoroso, além de sete a nove horas de sono por noite.
Segundo Cavaliere, estudos apontam que pessoas com maior adesão a esses oito componentes apresentaram até 64% menos risco de doenças cardiovasculares, 66% menos risco de doença coronariana e 55% menos risco de AVC ao longo de aproximadamente dez anos. Os percentuais correspondem a uma análise de adultos e não representam uma estimativa específica para jovens ou para a população de Goiás.
A médica destaca que o acompanhamento contínuo permite observar mudanças nos indicadores e ajustar as orientações conforme as necessidades de cada paciente. “Quando transformamos a orientação pontual em um processo contínuo liderado por uma equipe multidisciplinar, com médicos, enfermeiros, psicólogos e nutricionistas, passamos a monitorar a evolução real de indicadores como pressão, peso, sono e glicemia. Isso permite detectar pequenas oscilações nos exames e readequar hábitos antes que o risco se converta em uma complicação clínica grave”, explica.
Na saúde suplementar, o grupo Care Plus mantém o Personal System, programa de prevenção cardiovascular com acompanhamento multidisciplinar. Segundo dados divulgados pela empresa, 93% dos pacientes com hipertensão atendidos pelo programa mantêm a pressão controlada. Entre os participantes com diabetes, 59,4% apresentam a hemoglobina glicada (HbA1c) dentro das metas médicas. Os resultados se referem ao público acompanhado pelo serviço e não representam indicadores gerais da população goiana.
A prevenção inclui praticar atividades físicas, priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e evitar tabaco e cigarros eletrônicos. A avaliação profissional também ajuda a estabelecer metas compatíveis com a rotina e as condições de saúde de cada pessoa. Em vez de mudanças radicais, a orientação é incorporar medidas possíveis ao cotidiano e manter a regularidade dos cuidados.
Cavaliere ressalta que o acompanhamento precisa considerar as particularidades de cada paciente. O histórico familiar, a presença de doenças crônicas e os hábitos cotidianos ajudam a orientar as recomendações. Dessa forma, o cuidado não fica restrito a uma consulta isolada, mas permite observar a evolução dos indicadores e rever as estratégias quando necessário.
Atendimento imediato
Dor ou pressão no peito, falta de ar repentina, suor frio, náuseas e desconforto que se espalha para os braços, as costas, o pescoço ou a mandíbula podem ser sinais de infarto. Diante da suspeita, a orientação é procurar atendimento de emergência imediatamente.
Para Cavaliere, a prevenção deve ser construída de forma contínua. Acompanhar o peso, realizar avaliações periódicas e procurar orientação diante de alterações são medidas que ajudam a identificar riscos.
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