quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Fenômeno climático

Aquecimento do El Niño ultrapassa marca histórica registrada em 1982

Dados de outubro mostram temperaturas acima das registradas em episódios anteriores e colocam o fenômeno de 2026 entre os mais intensos já observados

Thais Munizpor em
el niño
Mapa mostra a anomalia média da temperatura da superfície do mar em outubro de 2026 Foto: Inmet/ND Mais

O Oceano Pacífico está mais quente do que o habitual, e os números registrados em outubro de 2026 colocaram o atual El Niño em um patamar histórico. O fenômeno atingiu uma anomalia de 2,47°C na região do Niño 3.4, a maior já observada para o mês nessa área, conforme dados divulgados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

A medição classifica o episódio como muito forte. Além disso, na região do Niño 3, que exerce influência importante sobre o clima da América do Sul, a diferença em relação à temperatura média chegou a 3,56°C.

Os registros foram divulgados pelo Inmet na terça-feira (3). A Organização Meteorológica Mundial (OMM) também avalia que o episódio de 2026 tem potencial para figurar entre os mais intensos já registrados.

El Niño supera marcas de episódios históricos

O aquecimento observado em outubro ultrapassou o recorde anterior para o mesmo mês, registrado durante o El Niño de 1982. Naquele ano, a anomalia da temperatura da superfície do mar chegou a 2,07°C na região Niño 3.4. O fenômeno permaneceu ativo até o primeiro semestre de 1983 e entrou para a lista dos episódios mais intensos já documentados.

O monitoramento semanal também identificou valores extremos. Na última semana de outubro de 2026, a anomalia na região Niño 3.4 alcançou 2,5°C, estabelecendo uma nova marca histórica para o período analisado.

Já na região Niño 3, o desvio semanal chegou a 3,7°C. O resultado superou o recorde anterior, de 3,6°C, registrado em dezembro de 1982.

O meteorologista Leydson Dantas, do Inmet, alertou para a necessidade de considerar os diferentes períodos de medição na comparação dos resultados.

“É importante destacar que a comparação entre dados mensais e semanais requer cautela, pois representam períodos de referência distintos”, explicou.

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Como o fenômeno pode afetar o clima no Brasil?

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração modifica a circulação atmosférica e interfere nos padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.

No Brasil, os efeitos variam conforme a região e a época do ano. Historicamente, o fenômeno está associado ao aumento das chuvas no Sul e à redução das precipitações em áreas do Norte e do Nordeste. Também pode favorecer temperaturas acima da média em diferentes partes do território nacional.

Para o período de novembro de 2026 a janeiro de 2027, o painel climático do Inmet aponta maior probabilidade de chuvas acima da média no Sul e em partes do Sudeste e Centro-Oeste. Em contrapartida, a previsão indica possibilidade de precipitações abaixo da normalidade em grande parte do Norte e em áreas do Nordeste. As temperaturas tendem a ficar acima da média em quase todo o país.

No entanto, a intensidade dos efeitos depende de outros fatores atmosféricos regionais. Por isso, a ocorrência de El Niño não significa que todas as localidades terão necessariamente as mesmas condições meteorológicas.

A previsão internacional também aponta continuidade do aquecimento. Em boletim divulgado em outubro, o Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estimou em mais de 83% a probabilidade de o El Niño permanecer forte ou muito forte até o trimestre de janeiro a março de 2027.

O órgão também calculou em 83% a possibilidade de o episódio atingir intensidade histórica no trimestre de outubro a dezembro de 2026, considerando o índice RONI, utilizado para avaliar a intensidade do fenômeno.

Quando o El Niño começou em 2026?

O atual episódio começou a se configurar em junho de 2026 e apresentou uma elevação acelerada das temperaturas nos meses seguintes. O acompanhamento das regiões Niño 3 e Niño 3.4 permite identificar a evolução do aquecimento no Pacífico Equatorial.

A região Niño 3.4 é a principal referência internacional para monitorar os episódios de El Niño e La Niña. Já a Niño 3 tem importância particular para a análise das variações climáticas na América do Sul.

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