Novembro Azul vai além do câncer de próstata e amplia debate sobre saúde do homem
Dia D do Novembro Azul em Goiás está previsto para 17 de novembro, com mobilização de unidades estaduais para atividades educativas sobre prevenção masculina
A prevenção de doenças e o diagnóstico precoce estão entre os principais focos da campanha Novembro Azul em Goiás. Em 2026, a estimativa é de que o Estado registre 2.610 novos casos de câncer de próstata, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Em Goiânia, a previsão é de aproximadamente 670 diagnósticos.
A estimativa para Goiás representa uma taxa bruta de 70,52 casos por 100 mil habitantes. Na Capital, o índice chega a 90,87 por 100 mil habitantes. As projeções fazem parte dos dados do INCA para o triênio de 2026 a 2028 e dimensionam a presença do tumor no Estado e em Goiânia.
Além do câncer de próstata, a campanha promovida pelo Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), busca chamar a atenção para outros problemas que afetam a população masculina. A mobilização inclui a prevenção de doenças crônicas não transmissíveis, infecções, acidentes e violências, além do incentivo ao acompanhamento regular na rede pública de saúde.
Dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, referentes ao período de 2021 a 2025, mostram que aproximadamente 18,5 mil homens adultos, com idades entre 20 e 59 anos, morreram em Goiás em decorrência de causas externas, como acidentes e violências.
As doenças do aparelho circulatório aparecem na sequência entre os principais fatores de mortalidade masculina, com cerca de 11,8 mil óbitos no mesmo intervalo. Nesse grupo estão problemas como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).
Ações em Goiás
A programação estadual para novembro prevê a mobilização de profissionais da Atenção Primária nos municípios, o envio de sugestões de atividades educativas e a produção de materiais informativos para apoiar as iniciativas locais. Um dos principais momentos será o Dia D do Novembro Azul, marcado para 17 de novembro, quando unidades de saúde estaduais deverão promover atividades educativas voltadas à população masculina. A programação também envolve as regionais de saúde e os municípios no alinhamento das estratégias.
As Unidades Básicas de Saúde (UBS) são a principal porta de entrada para o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Nesses locais, os homens podem receber orientações preventivas, realizar consultas, identificar fatores de risco e acompanhar condições crônicas, como a hipertensão arterial. A campanha estadual também aborda a saúde física, sexual e reprodutiva, a paternidade e a prevenção de acidentes e violências.
A superintendente de Políticas e Atenção Integral à Saúde da SES, Lígia Duarte, destaca que os cuidados não devem começar apenas quando aparecem sintomas. Segundo Lígia, o acompanhamento regular e a adoção de hábitos saudáveis precisam fazer parte da rotina masculina. A Secretaria também chama a atenção para as barreiras socioculturais que dificultam a procura dos homens por atendimento médico.
A mobilização integra as ações da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH) e busca fortalecer o acesso, o acolhimento e a qualidade da assistência na rede pública. A orientação da SES é que os homens mantenham as consultas preventivas em dia e procurem profissionais de saúde mesmo quando não apresentam sintomas.
Cenário nacional
No Brasil, o câncer de próstata é o tipo de tumor mais incidente entre os homens, excluindo os cânceres de pele não melanoma. A estimativa do INCA aponta 77.920 novos casos por ano durante o triênio de 2026 a 2028. A doença representa um dos principais desafios da saúde pública e reforça a importância da conscientização sobre a investigação e o acompanhamento médico.
A mortalidade também preocupa. Dados do Ministério da Saúde divulgados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), apontam que aproximadamente 18,5 mil brasileiros morreram em decorrência do câncer de próstata em 2025, o equivalente a uma média de 50 óbitos por dia. Entre 2017 e setembro de 2026, foram registradas mais de 160 mil mortes pela doença. O total de óbitos em 2025 foi 20% superior ao observado dez anos antes, quando foram contabilizadas 15,4 mil mortes.
Um dos principais desafios é o comportamento silencioso do tumor nas fases iniciais. Muitos pacientes não apresentam sintomas no começo da doença. A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que homens sem fatores adicionais de risco procurem um urologista a partir dos 50 anos para uma avaliação individualizada.
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