Celina fez maior obra do DF depois da própria construção de Brasília
Manter o funcionamento do BRB preserva o patrimônio dos brasilienses, o dinheiro de 9 milhões de clientes e a segurança financeira do GDF, o que não tem dinheiro que paga, mas sem dinheiro não seria possível pagar sequer a folha, oficializando a quebradeira da Capital Federal e, ao evitá-la, a governadora conseguiu a maior realização do quadradinho
A maior obra de Brasília foi sua própria construção, gigantesco feito do presidente Juscelino Kubitschek, um mineiro que foi senador por Goiás e morou em Luziânia, a 40km do Plano Piloto. Quase sete décadas depois, nenhuma outra realização sequer se aproximou de ela própria ter nascido num quadradinho no meio do Cerrado, no centro do País, no Oeste para o qual Getúlio Vargas prometeu que o progresso marcharia. Seu primeiro governador foi outro goiano habitante do Entorno, Joaquim Roriz, que ali teve quatro mandatos no Executivo. Uma jovem militante rorizista acaba de bater o recorde do próprio ídolo e do ídolo nacional JK: Celina Leão (PP), governadora reeleita, conseguiu até agora salvar o BRB, o banco do GDF, cujo valor pode ser medido sempre com aumentativos.
O Banco de Brasília é um orgulho candango que sobreviveu à maré de privatizações e liquidações de 30 anos atrás, que ceifou seus similares, como quatro em Goiás, o BEG, a Caixego, o BD-GO e o Agrobanco. Atualmente, está bem mais fácil montar um banco ou uma fintech, seu arremedo tecnológico. Difícil, quase impossível, é mantê-lo saudável se houver política no meio. Era o caso do BRB. Estão se fechando algumas datas redondas de sua existência, como os 60 anos de funcionamento, os 30 anos do novo nome (era Banco Regional de Brasília e tirou-se o Regional) e o 1º ano de afastamento de seu então presidente, Paulo Henrique Costa. Porém, sem a atuação firme de Celina, tudo isso teria virado pó e a página estaria virada, não mais haveria o banco.
Quando Ibaneis transferiu o cargo para sua vice, o cenário mudou
Quando Celina assumiu o GDF, Brasília ainda estava atônita com os acontecimentos. Era o auge do Caso Master, o banco que esteve para ser comprado pelo BRB e não era uma instituição financeira, mas um amontoado de fraudes. A irresponsabilidade ou a incompetência ou a prática criminosa ou as três juntas incidiram sobre ele e do que terminara o ano anterior valendo cerca de R$ 5 bilhões, terminou 2025 na faixa de R$ 1 bilhão e concluiu o primeiro trimestre de 2026 sem valer nem 1 centavo, pois o caminho natural seria o Banco Central o liquidar, como por muito menos já havia feito em outros casos. Quando o então governador Ibaneis Rocha transferiu o cargo para sua vice, o cenário mudou.
Celina fez valer o seu apelido popular, Leoa, e virou uma fera na defesa do banco. Não se tratava de estratégia para obter votos, até porque se afastou da pré-campanha para cuidar especificamente do banco. A rigor, trata-se de uma instituição respeitável, com mais de 200 agências, 5 mil colaboradores, 9 milhões de clientes, três vezes a população inteira do DF. Paulo Henrique, em proposta de colaboração para evitar longos e tenebrosos invernos na cadeia, disse às autoridades que Ibaneis forçava o negócio entre o Master e o BRB. Até onde se apurou até agora, o rombo dessa parceria delituosa passa de R$ 12 bilhões. Esse era o tamanho do prejuízo se tivesse havido a liquidação, evitada após Celina procurar o presidente Lula em plena campanha de reeleição de ambos em lados opostos. A cratera nos cofres continua aberta, a diferença é que ainda é possível ir atrás dos criminosos e tomar-lhes o patrimônio para restaurar o estrago.
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Brasília iria à bancarrota, pois estariam fechadas as portas
A demonstração de civilidade entre Celina, Lula e integrantes do alto escalão do Governo Federal teve como beneficiados a democracia e os cofres públicos. Brasília iria à bancarrota, pois estariam fechadas as portas inclusive para eventuais ideias de perseguir os fraudadores e fazer com que devolvam o produto do roubo. As negociações só existiram por causa de um fato incontroverso, a nova governadora não esteve e não está envolvida com as atividades ilícitas de Daniel Vorcaro, que no comando do Master pôs a República a seus pés em troca de prostitutas e propinas. Assim, ela pôde conversar de fronte erguida, no mesmo nível dos interlocutores – ou até com o queixo mais alto, porque Vorcaro subjugou ministros do Judiciário e do Executivo federal.
Manter o funcionamento do BRB preserva o patrimônio dos brasilienses, o dinheiro de 9 milhões de clientes e a segurança financeira do GDF, o que não tem dinheiro que pague, mas sem dinheiro não seria possível pagar sequer a folha dos servidores públicos, oficializando a quebradeira da Capital do País. Ao evitá-la, a governadora conseguiu a maior obra do quadrilátero. Espera-se que o Governo Federal como um todo, e o BC em particular, torne a eleição um fato concreto e o que nela ocorreu, apenas o fruto da vontade das urnas. Celina venceu, levando consigo Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL, ocupando com mulheres os quatro cargos majoritários da unidade da federação, o de governadora e os três do Senado (além de Michelle e Bia, Damares Alves, do Republicanos).
Lula precisa de seu PP para a governabilidade. Vai dar match
A maior parte do Progressistas, partido de Celina, compôs a bancada de Lula na Câmara e no Senado, além de ministério e outros postos estratégicos, como a presidência da Caixa Econômica Federal. A federação que o PP integra como o UB, a União Progressista, está salivando de vontade de pular de vez no colo do PT. A cúpula das siglas achava que Flávio Bolsonaro (PL) ganharia para presidente e o apoiou no 2º turno, mas é o sistema nervoso do Centrão e seu sangue é o pragmatismo. Celina precisa de Lula para continuar sendo autora da maior obra de Brasília fora a própria existência da Capital no Cerrado. E Lula precisa de seu PP para a governabilidade. Vai dar match. (Especial para O HOJE)
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