Bolsonarismo terá força até 2030 com Tarcísio e PT ainda é só Lula
Dois filhos de Jair estão nos Estados Unidos e, caso voltem, podem enfrentar problemas com o STF; o pai mesmo só terá elegibilidade se o Congresso anistiar os envolvidos no 8 de Janeiro; esquerda queimou Haddad com quatro fracassos seguidos e o próximo mandato será de arrocho, diferente do período que gestou Dilma
Jair Bolsonaro está com dois filhos nos Estados Unidos e dois para estrear no Congresso Nacional, a mulher eleita para o Senado e um irmão para a Câmara dos Deputados. No total, seu prestígio elegeu, apenas no PL, seis governadores, 212 deputados estaduais e 121 deputados federais, 19 senadores. Isso ele lá preso, incomunicável, morando em casa alugada e tomando sova nas mídias e no Judiciário 24 horas por dia. Portanto, conclui-se que o bolsonarismo vai continuar forte até 2030, quando terá algo que a esquerda ainda não apresentou, alguém para substituir o reeleito presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Esse alguém é Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito em São Paulo contra o nome mais reluzente do PT, Fernando Haddad, que Lula obrigou a ser candidato com certeza de derrota – foi o 4º insucesso sucessivo, batendo o recorde de Lula, esmagado três vezes seguida para presidente.
Não adianta supor que se o candidato da direita a presidente tivesse sido Tarcísio, em vez de do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Lula não teria ganhado. O cenário atual tem Lula formando o novo ministério, pilotando a máquina de gerar desgastes aos adversários e indo atrás dos parlamentares que Jair mandou para Brasília – além do PL, ajudou a eleger em todos os partidos, à exceção da esquerda, como no Novo, PP, União Brasil, Republicanos, MDB, PSD, PSDB. Por mais traidores que haja, e geralmente há muitos, só os fiéis já formarão uma superbancada. Por menos vocação que essa turma tenha para se opor, no mínimo vai fazer um barulhinho bom nas orelhas grandes dos governistas. O que promover de desconforto já ajuda na pré-campanha de Tarcísio.
Ótimo desempenho de Tarcísio conforta um pouco Bolsonaro
O ótimo desempenho de Tarcísio conforta um pouco Bolsonaro, mas sua aspiração mesmo é ficar livre para ser candidato. Haveria quatro chances: golpe, só que não existe sequer clima para isso; indulto, com aquele decretão comum nos fins de ano, o Lula não vai lhe conceder; graça, muito menos; anistia… Bom, anistia pode até ser, porém seus próprios aliados andam se estranhando com o único que tem condição de conseguir e esteve repetindo essa ladainha por esses dias, o presidente do Senado, que é também o do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP). Uma das moedas de troca, além de os bolsonoristas o reelegerem presidente, seria não lhe empurrarem impeachment de ministros do Supremo. E disso os bolsonaristas não abrem mão.
Em sua família, é provável que não haja quem Bolsonaro promover para atrapalhar a pretensão do governador de São Paulo. Tome-se o caso dos dois filhos que estão em território norte-americano. Eduardo foi para lá articular apoio internacional para o pai não ser preso. Não só não conseguiu, como ele próprio quase acabou atrás das grades, escapou somente por ter ficado por lá. Em consequência, ficou sem o mandato de deputado federal por São Paulo e tiraram-lhe o cargo de escrivão da Polícia Federal, a que alcançou via concurso público. Flávio também está na Flórida e é provável que não tente de novo a Presidência, até porque a experiência como o anti-Lula se desmanchou entre o 1º e o 2º turno. Com o nível de perseguição a que alguns integrantes do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral os tem submetido, é bastante lógico que não retornem – nem para o Brasil nem muito menos para a política e muito menos para candidatura e muito menos para a Presidência da República.
Os outros dois filhos estão no Brasil, na política e com mandatos
Os outros dois filhos estão no Brasil, na política e com mandatos. Ambos se elegeram vereadores em 2024, Carlos no Rio de Janeiro (RJ), Jair Renan em Balneário Camboriú (SC). Agora, ambos se elegeram congressistas por Santa Catarina, Carlos senador, Renan deputado federal. Carlos não tem perfil de candidato a presidente da República e Renan, 28 anos, nem terá chegado ainda à idade mínima para o cargo, 35 anos. A esposa, Michelle, eleita senadora pelo Distrito Federal, passou grande parte da corrida presidencial com índices semelhantes aos do marido, que no fim escolheu o filho 01. Da família, é quem dispõe de mais esperança de ser candidata à presidência em 2030. Independe de seu desempenho no Senado, pois Flávio também teve atuação discreta do ponto de vista parlamentar e ainda assim obteve quase 60 milhões de votos – todos e cada um deles por causa do pai ou do anti-Lula.
Então, a vaga é de Tarcísio, até por exclusão. E já pode ser considerado favorito, até por exclusão também. A direita não tem nome melhor. A esquerda não tem nome algum. Ronaldo Caiado, que tentou pela 2ª vez realizar o sonho de ocupar o Palácio do Planalto, sede do Executivo federal, já avisou que vai tentar pela 3ª vez ocupar o Palácio das Esmeraldas, residência do governador de Goiás. Romeu Zema teve votação ínfima de tal forma que está com o futuro comprometido até para sonhar com o 3º mandato no Palácio Tiradentes, sede do Governo de Minas. Os nomes do Centrão estão mais para palavrão. A esquerda, por estar no poder, tem a prerrogativa de fabricar alguém, como Lula inventou Dilma para o suceder em 2010. Há um porém: aquele Lula não existe mais. Por pouco não perdeu para um neófito, que o surrou no 1º turno, mesmo com o festival de bizarrices populistas engendrado nas semanas anteriores à votação. (Especial para O HOJE)
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