Delúbio Soares defende união da esquerda em Goiás e investimento em infraestrutura
Ex-tesoureiro do PT afirma que partido ampliou votação no Estado e cobra articulação para formar candidaturas municipais; na economia, aponta para investimentos em infraestrutura, ferrovias e energia nuclear
A necessidade de reorganizar a esquerda em Goiás após as eleições e construir uma frente capaz de disputar as eleições municipais está entre os desafios apontados pelo ex-tesoureiro nacional do PT, Delúbio Soares, que visitou o Grupo O HOJE na última segunda-feira (27). Candidato a deputado federal neste ano, Delúbio defende a unificação do “campo democrático” e avalia que a aproximação do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) com a direita contribuiu para o resultado eleitoral do tucano.
O petista participou do programa Momento Político, em entrevista conduzida pelo jornalista Wilson Silvestre. Na conversa, Delúbio analisa o desempenho eleitoral da esquerda, trata de sua permanência em Goiás e apresenta propostas para a economia brasileira, com ênfase em infraestrutura, educação técnica, energia e transporte ferroviário.
Esquerda em Goiás
Questionado sobre o desempenho eleitoral da centro-esquerda neste ano, Delúbio afirma que o PT e seus aliados conseguiram ampliar a votação em Goiás e atribui parte desse resultado à mobilização registrada no segundo turno da eleição presidencial. O petista cita o avanço nos votos dos partidos do campo progressista e também relaciona o desempenho da presidente estadual do PSB e vereadora Aava Santiago à ampliação do eleitorado de centro-esquerda.
“Nós ampliamos a votação do centro-esquerda em Goiás. O PT teve 100 mil votos a mais que em 2022. E acredito que a maioria das pessoas que votaram na Aava ou na chapa dela é de centro-esquerda, e ela teve mais de 120 mil votos. Então, nós aumentamos quase 200 mil votos”, afirma.
Para Delúbio, o resultado das eleições reforça a necessidade de reorganização das forças progressistas no Estado. O petista defende a construção de candidaturas para as 246 prefeituras e Câmaras Municipais de Goiás para a disputa em 2028 e disse que o “campo democrático” precisa estabelecer uma estratégia comum para as próximas disputas.
“E nós temos um desafio pra frente. Temos o desafio de formar candidaturas para as 246 prefeituras e Câmaras Municipais em Goiás. Nós temos que unificar esse campo democrático. É muito importante o que nós fizemos no segundo turno”, diz.
O petista destaca a votação do candidato do PT ao Governo de Goiás, Luis Cesar Bueno, e cita que o posicionamento do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) durante a campanha pode ter prejudicado o tucano. “A votação do companheiro Luis Cesar Bueno foi um fenômeno. Não do ponto de vista de expressão, mas em superar o ex-governador Marconi, que ficou flertando com a direita e teve menos votos que o Luis Cesar”, afirma.
“No último debate, ele declarou apoio a Flávio Bolsonaro. Isso é uma posição política definida. Tanto é que com aquela posição política, o ex-governador Marconi, que sempre foi um homem de votação expressiva, teve menos votos que o Luis Cesar. Não é que o Luis Cesar teve muito, ele que teve muito pouco”, avalia.
Atuação política
Apesar de não ter sido eleito deputado federal, Delúbio afirma que pretende continuar na militância para a articulação da esquerda no Estado. O ex-tesoureiro declara que mantém conversas com o ex-governador José Eliton, com a vereadora Aava Santiago e com integrantes do PDT sobre as articulações futuras.
Ao avaliar a eleição presidencial, Delúbio atribui importância à mobilização da juventude no segundo turno para levar às urnas eleitores que não haviam votado na primeira etapa da disputa. “Tivemos uma mobilização que a gente não via há muitos anos: a mobilização da juventude. A juventude foi fundamental e contagiou as pessoas. A alegria da juventude nas ruas, em Goiânia, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre e Belo Horizonte, fez muita gente que não tinha ido votar no primeiro turno ir no segundo.”
“É necessário que nós tenhamos, nesse governo, mobilização popular. O povo tem que dizer o que precisa. Nós não podemos ficar à mercê desse Congresso Nacional, e o Congresso empurrar as coisas com a barriga, como foi o fim da escala 6×1, o fim do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e o Vale Gás. É necessário criar muitas políticas para que tenhamos desenvolvimento”, ressalta o petista.

“O Brasil precisa mudar o patamar de transporte e energia”
Na avaliação econômica, Delúbio contesta a percepção de que o País atravessa um período de baixa da atividade produtiva. Questionado sobre empresas inadimplentes e oscilações no mercado financeiro, o petista argumenta que os indicadores de emprego e renda demonstram uma situação diferente.
“O Brasil está com o menor desemprego, a massa salarial é a maior que já teve”, afirma. O petista citou a saída de empresas como Sony e Ford durante o governo anterior e menciona a instalação de uma fabricante de veículos elétricos na antiga fábrica da Ford como exemplo de um novo impulsionamento da indústria.
“É necessário um projeto de infraestrutura, não só para Goiás, mas para o Brasil inteiro. Temos a maior matriz de energia limpa do mundo, mas nós temos que desenvolver mais a energia nuclear. Eu sou um defensor intransigente da energia nuclear. Todo país que não domina a tecnologia e não tem a proteção atômica fica vulnerável. Precisamos retomar o projeto do submarino nuclear brasileiro e investir em ciência e tecnologia”, avalia.
“O Brasil precisa mudar o patamar de transporte e energia. Temos instituições de ponta como a Embrapa e a Embraer. Em Anápolis temos o polo farmoquímico, talvez o maior de uma cidade, mas precisamos passar a produzir os princípios ativos dos medicamentos no Brasil para não depender totalmente da importação”, afirma.
Delúbio também defende o aumento do poder aquisitivo da classe média como forma de estimular a economia. Cita indicadores de emprego e renda para rebater a ideia de perda de capacidade de compra e atribui parte das críticas à situação econômica à circulação de informações falsas durante a campanha eleitoral.
Para o petista, o desenvolvimento econômico depende de uma mudança na estrutura logística brasileira e saiu em defesa de investimentos em portos, aeroportos e ferrovias, com o objetivo de reduzir o custo do transporte de mercadorias e ampliar a capacidade de escoamento da produção.
Duplicação da BR-153
O ex-tesoureiro também cita a necessidade de concluir a duplicação da BR-153 em Goiás e integrar a Ferrovia Norte-Sul à Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), além de defender a expansão do transporte ferroviário de cargas. Para a mobilidade urbana, menciona a tarifa zero no transporte público e a implantação de um metrô que conecte Goiânia a Brasília.
“Precisamos desenvolver e modernizar a matriz ferroviária. Isso significa modernidade. É esvaziar as estradas, tirar os caminhões pesados da estrada. Para tirar o caminhão da estrada é só com trem de ferro, não tem outro jeito”, afirma.
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