quinta-feira, 5 de novembro de 2026
SEGURANÇA AMBIENTAL

Gameleira de até 60 anos que obstrui calçada será substituída no setor Campinas em Goiânia

Operação na Rua José Hermano deve durar cerca de 10 dias, com a via fechada 24 horas e mais de 100 profissionais envolvidos

Gabriel Diaspor em
Gameleira de até 60 anos que obstrui calçada é substituída no setor Campinas em Goiânia
Foto: Divulgação/Amma

A Prefeitura de Goiânia iniciou nesta quarta-feira (4) a operação de substituição da gameleira da Rua José Hermano, no Setor Campinas. O trabalho deve durar cerca de 10 dias e envolve de 100 a 110 profissionais diretamente, segundo a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg).

A rua permanece fechada ao trânsito 24 horas por dia durante toda a operação. O diretor de Negócios e Serviços da Comurg José Antônio Nunes informou que as atividades mais intensas ocorrem das 7h às 22h e que a remoção de material e outras tarefas de menor impacto seguem durante a noite. O prazo pode chegar a 12 ou 13 dias se houver chuva. Outras 30 a 40 pessoas atuam indiretamente no apoio operacional.

A ação reúne equipes da Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), da Defesa Civil, da Comurg, da Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET) e da Equatorial Goiás. Nunes afirmou que a participação de vários órgãos busca garantir a saúde e a integridade dos moradores da vizinhança e das equipes que atuam no local.

O serviço é dividido em etapas. A primeira é uma poda de limpeza, que prepara o local para a entrada dos equipamentos de grande porte. Em seguida, os guindastes cortam os troncos maiores e, por fim, as raízes são retiradas. A Comurg precisou contratar os guindastes porque não tem esse tipo de equipamento no parque de máquinas.

De acordo com Nunes, a licitação ficou deserta por duas vezes por falta de interesse de empresas do mercado, até a Prefeitura encontrar uma parceira. A madeira da gameleira não pode ser reaproveitada em bancos ou outros itens de mobiliário urbano. O material segue para compostagem, e o composto retorna a parques e canteiros ornamentais da cidade.

O plantio da nova árvore ocorre somente depois da retirada completa das raízes e do preparo do solo, na última etapa da operação. A Amma doa uma muda de escumilha africana, que a Prefeitura classifica como espécie adequada para a via pública. A muda chega com cerca de 3 metros de altura.

A bióloga e analista ambiental da Amma Wanessa de Castro afirmou que a espécie tem crescimento rápido e pode florescer já no próximo ano. O proprietário do imóvel que pediu a vistoria fica responsável pelo plantio, acompanhado pela Amma.

A doação da muda ocorre como ação social da Amma, que entrega a árvore ao proprietário do imóvel e acompanha o plantio. Segundo a bióloga, a escumilha africana foi indicada porque já chega com altura que reduz o tempo de espera pela nova copa, o que ameniza a falta da gameleira no local.

Segundo Wanessa, a Amma recebeu o pedido do proprietário do imóvel da esquina por causa da obstrução do passeio público e da interferência da árvore nas estruturas vizinhas. A análise concluiu que a substituição era a única intervenção possível diante da falta de acessibilidade na calçada. A bióloga explicou que a gameleira está saudável, mas pressionada pelo imóvel de um lado e pelo asfalto do outro, sem espaço para fixar as raízes.

Wanessa esclareceu que a Amma não mede o grau de comprometimento estrutural do imóvel que fez o pedido. A agência avalia o efeito das raízes sobre essa construção e sobre as demais estruturas do entorno.

A espécie tem raízes aéreas, necessárias à sustentação, e raízes tubulares subterrâneas. Segundo a analista, as aéreas já haviam sido podadas ao longo dos anos, o que compromete a fixação e o desenvolvimento da árvore. As tubulares avançam sobre qualquer espaço disponível.

A poda preventiva é indicada para reduzir o risco de queda de galhos. Conforme Wanessa, essa medida não resolveria a obstrução da calçada nem a interferência nas construções próximas. Antes da decisão pela substituição, a árvore passou por outras intervenções ao longo dos anos, e a Amma concluiu que já não havia outra possibilidade.

Amma baseia a substituição no Plano Diretor de Arborização

A Amma baseou a decisão no Plano Diretor de Arborização Urbana de Goiânia, instituído pela Lei Complementar 374, de 24 de janeiro de 2024. De acordo com a analista, o artigo 32 da norma prevê a retirada de árvores que obstruem totalmente a calçada ou causam danos a imóveis.

A gameleira tem entre 50 e 60 anos. A bióloga informou que a espécie não é nativa e chegou ao Brasil em vasos, antes de ser plantada no solo. A bióloga disse que a árvore foi plantada em local inadequado para o porte, o que agrava os conflitos com a via e as construções. Segundo a analista, a espécie foi usada no início da cidade, quando o plantio não seguia critérios técnicos.

A bióloga destacou a importância de plantar a espécie correta no local correto e lembrou que, por ser de grande porte, cada árvore exige avaliação individual para o manejo adequado. Wanessa relatou casos semelhantes em vários pontos da capital e citou como exemplo outra gameleira plantada em uma rotatória do Setor Coimbra, que ocupa o espaço e avança sobre a rua.

A autorização da Amma para a retirada é de 2024. Wanessa disse que o Ministério Público de Goiás pediu um laudo para verificar se havia alternativa à retirada. A Amma concluiu que o porte da árvore e a largura da calçada, entre uma via e uma residência, impedem liberar a passagem mantendo a gameleira. Depois de uma nova solicitação, a agência ratificou o parecer.

Sobre a possibilidade de outras retiradas na capital, a analista afirmou que cada caso é avaliado ponto a ponto. A Amma analisa os processos conforme chegam e emite parecer para cada um.

Nunes não informou o valor investido na contratação dos guindastes, descritos pelo diretor como equipamentos de grande porte e de custo considerável. O trânsito segue interrompido no trecho para garantir a segurança de todos e permitir a mobilização dos equipamentos durante toda a operação. (Especial para O HOJE)

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