Gameleira de até 60 anos que obstrui calçada será substituída no setor Campinas em Goiânia
Operação na Rua José Hermano deve durar cerca de 10 dias, com a via fechada 24 horas e mais de 100 profissionais envolvidos
A Prefeitura de Goiânia iniciou nesta quarta-feira (4) a operação de substituição da gameleira da Rua José Hermano, no Setor Campinas. O trabalho deve durar cerca de 10 dias e envolve de 100 a 110 profissionais diretamente, segundo a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg).
A rua permanece fechada ao trânsito 24 horas por dia durante toda a operação. O diretor de Negócios e Serviços da Comurg José Antônio Nunes informou que as atividades mais intensas ocorrem das 7h às 22h e que a remoção de material e outras tarefas de menor impacto seguem durante a noite. O prazo pode chegar a 12 ou 13 dias se houver chuva. Outras 30 a 40 pessoas atuam indiretamente no apoio operacional.
A ação reúne equipes da Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), da Defesa Civil, da Comurg, da Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET) e da Equatorial Goiás. Nunes afirmou que a participação de vários órgãos busca garantir a saúde e a integridade dos moradores da vizinhança e das equipes que atuam no local.
O serviço é dividido em etapas. A primeira é uma poda de limpeza, que prepara o local para a entrada dos equipamentos de grande porte. Em seguida, os guindastes cortam os troncos maiores e, por fim, as raízes são retiradas. A Comurg precisou contratar os guindastes porque não tem esse tipo de equipamento no parque de máquinas.
De acordo com Nunes, a licitação ficou deserta por duas vezes por falta de interesse de empresas do mercado, até a Prefeitura encontrar uma parceira. A madeira da gameleira não pode ser reaproveitada em bancos ou outros itens de mobiliário urbano. O material segue para compostagem, e o composto retorna a parques e canteiros ornamentais da cidade.
O plantio da nova árvore ocorre somente depois da retirada completa das raízes e do preparo do solo, na última etapa da operação. A Amma doa uma muda de escumilha africana, que a Prefeitura classifica como espécie adequada para a via pública. A muda chega com cerca de 3 metros de altura.
A bióloga e analista ambiental da Amma Wanessa de Castro afirmou que a espécie tem crescimento rápido e pode florescer já no próximo ano. O proprietário do imóvel que pediu a vistoria fica responsável pelo plantio, acompanhado pela Amma.
A doação da muda ocorre como ação social da Amma, que entrega a árvore ao proprietário do imóvel e acompanha o plantio. Segundo a bióloga, a escumilha africana foi indicada porque já chega com altura que reduz o tempo de espera pela nova copa, o que ameniza a falta da gameleira no local.
Segundo Wanessa, a Amma recebeu o pedido do proprietário do imóvel da esquina por causa da obstrução do passeio público e da interferência da árvore nas estruturas vizinhas. A análise concluiu que a substituição era a única intervenção possível diante da falta de acessibilidade na calçada. A bióloga explicou que a gameleira está saudável, mas pressionada pelo imóvel de um lado e pelo asfalto do outro, sem espaço para fixar as raízes.
Wanessa esclareceu que a Amma não mede o grau de comprometimento estrutural do imóvel que fez o pedido. A agência avalia o efeito das raízes sobre essa construção e sobre as demais estruturas do entorno.
A espécie tem raízes aéreas, necessárias à sustentação, e raízes tubulares subterrâneas. Segundo a analista, as aéreas já haviam sido podadas ao longo dos anos, o que compromete a fixação e o desenvolvimento da árvore. As tubulares avançam sobre qualquer espaço disponível.
A poda preventiva é indicada para reduzir o risco de queda de galhos. Conforme Wanessa, essa medida não resolveria a obstrução da calçada nem a interferência nas construções próximas. Antes da decisão pela substituição, a árvore passou por outras intervenções ao longo dos anos, e a Amma concluiu que já não havia outra possibilidade.
Amma baseia a substituição no Plano Diretor de Arborização
A Amma baseou a decisão no Plano Diretor de Arborização Urbana de Goiânia, instituído pela Lei Complementar 374, de 24 de janeiro de 2024. De acordo com a analista, o artigo 32 da norma prevê a retirada de árvores que obstruem totalmente a calçada ou causam danos a imóveis.
A gameleira tem entre 50 e 60 anos. A bióloga informou que a espécie não é nativa e chegou ao Brasil em vasos, antes de ser plantada no solo. A bióloga disse que a árvore foi plantada em local inadequado para o porte, o que agrava os conflitos com a via e as construções. Segundo a analista, a espécie foi usada no início da cidade, quando o plantio não seguia critérios técnicos.
A bióloga destacou a importância de plantar a espécie correta no local correto e lembrou que, por ser de grande porte, cada árvore exige avaliação individual para o manejo adequado. Wanessa relatou casos semelhantes em vários pontos da capital e citou como exemplo outra gameleira plantada em uma rotatória do Setor Coimbra, que ocupa o espaço e avança sobre a rua.
A autorização da Amma para a retirada é de 2024. Wanessa disse que o Ministério Público de Goiás pediu um laudo para verificar se havia alternativa à retirada. A Amma concluiu que o porte da árvore e a largura da calçada, entre uma via e uma residência, impedem liberar a passagem mantendo a gameleira. Depois de uma nova solicitação, a agência ratificou o parecer.
Sobre a possibilidade de outras retiradas na capital, a analista afirmou que cada caso é avaliado ponto a ponto. A Amma analisa os processos conforme chegam e emite parecer para cada um.
Nunes não informou o valor investido na contratação dos guindastes, descritos pelo diretor como equipamentos de grande porte e de custo considerável. O trânsito segue interrompido no trecho para garantir a segurança de todos e permitir a mobilização dos equipamentos durante toda a operação. (Especial para O HOJE)
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