Talles Barreto condiciona disputa pela presidência da Alego a apoio de Caiado e Daniel Vilela
Deputado afirma que não pretende entrar na corrida sem o aval das principais lideranças da base governista e defende mudanças na estrutura administrativa e no modelo de gestão da Assembleia
A disputa pela presidência da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) deverá depender de um entendimento entre as principais lideranças políticas da base governista. Essa é a avaliação do deputado estadual Talles Barreto (UB), que pretende exercer o quinto mandato e não descarta assumir o comando do Legislativo, desde que tenha o apoio do governador Daniel Vilela (MDB) e do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD). Em entrevista à Rádio Bandeirantes Goiânia, o parlamentar foi direto ao afirmar que não pretende entrar na disputa sem o aval dos dois: “Daniel Vilela e Ronaldo Caiado vão decidir. Sem aval deles não quero nem ser (candidato)”.
Embora reconheça que a escolha também passa pela articulação individual com os demais deputados, Barreto considera indispensável que a base governista esteja alinhada em torno de um nome. Para ele, a Assembleia precisa manter sua independência institucional, mas a construção política da sucessão exige consenso entre as lideranças. “Tem que ser uma Casa independente, mas a base do governo é fundamental estar em comum acordo”, afirmou, reforçando que, sem esse entendimento, suas chances de candidatura são inexistentes.
As negociações, segundo o deputado, devem avançar depois do retorno de Caiado, previsto para o dia 17. Barreto avalia que Daniel Vilela não deverá tomar uma decisão definitiva sem conversar com o ex-governador. Ele também reconheceu que outros parlamentares já trabalham para conquistar apoio, como Issy Quinan (MDB), mas acredita que a palavra final terá influência direta de Caiado. “Todo mundo tem direito de negociar, pedir o voto, trabalhar, como o Issy tem feito, mas a gente sabe que a decisão passa por ele”, declarou.
Apesar do interesse em presidir a Alego, Barreto afirmou que sua prioridade é exercer o mandato e fazer um trabalho que considere marcante em sua trajetória política. Ao comentar a possibilidade de chegar ao comando da Casa, destacou a experiência acumulada em quatro legislaturas e reconheceu que a presidência é uma oportunidade desejada por parlamentares com longa atuação no Legislativo. “Estou no meu quinto mandato. Vou fazer o melhor mandato da minha vida e um dos melhores da história da Alego”, disse.
Renovação e funcionamento da Assembleia
Além da sucessão, Barreto pretende discutir o modelo de gestão da Assembleia, especialmente a duração dos mandatos na presidência. O deputado avaliou que os períodos em que Lissauer Vieira e Bruno Peixoto estiveram à frente da Casa tiveram problemas relacionados à falta de renovação e ao desgaste administrativo. Na entrevista, afirmou que a permanência prolongada no comando pode provocar desmotivação e dificuldades internas, defendendo que qualquer divisão de períodos seja acertada previamente entre os envolvidos.
“Isso tem que ser olho no olho. Quem vai ficar os dois primeiros, quem vai ficar nos últimos. Quais as dificuldades que vamos encontrar”, afirmou. A proposta, segundo o parlamentar, é evitar mudanças posteriores nos acordos e estabelecer desde o início como será organizada a alternância na presidência.
O deputado também defendeu uma revisão da estrutura administrativa, incluindo a possibilidade de reorganização dos cargos comissionados. Sem apresentar números ou um projeto fechado, Barreto disse que a Assembleia precisa reavaliar seu funcionamento e recuperar o foco nas atribuições legislativas. Ele criticou a percepção pública de que a instituição estaria concentrada na oferta de serviços, citando iniciativas como corte de cabelo e procedimentos veterinários. “É importante ter, mas é muito maior que isso”, afirmou.
Para Barreto, a atuação da Alego precisa dar mais visibilidade à fiscalização do Poder Executivo e à independência dos parlamentares, incluindo os que integram a oposição. Na avaliação dele, a instituição deve fortalecer seu papel político e fiscalizador, além de promover mudanças na forma como funciona e se apresenta à sociedade.
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