Cursinhos gratuitos preparam estudantes da rede pública de Goiânia para o Enem
Projetos de preparação para o Enem oferecem aulas, material e auxílio de R$200 mensais a estudantes de baixa renda em Goiânia
O primeiro dia do Enem 2026 ocorre neste domingo (8) com mais de 5 milhões de candidatos inscritos. Parcela dos estudantes de Goiânia faz a prova após preparação gratuita em cursinhos populares. Os projetos atendem prioritariamente estudantes da rede pública em situação de vulnerabilidade socioeconômica, e a capital tem iniciativas ligadas ao Ministério da Educação (MEC) e à Universidade Federal de Goiás (UFG), além do projeto de preparação da rede estadual.
Na rede federal, o cursinho Horizontes funciona no Instituto Federal de Goiás (IFG), Câmpus Goiânia Oeste, e integra a Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP). O MEC instituiu a rede pelo Decreto nº 12.410, de março de 2025, e a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi) responde pelo programa. O objetivo é oferecer apoio técnico e financeiro a cursinhos que preparam estudantes para o Enem, principal acesso à educação superior.
O Horizontes oferece 40 vagas, e a seleção ocorre por divulgação junto à comunidade e aos estudantes da rede pública, com prioridade para quem cursa o terceiro ano do ensino médio. As aulas começaram em 25 de maio e seguem até dezembro, às segundas, terças e quintas-feiras, das 17h30 às 20h30. O conteúdo abrange linguagens, ciências humanas, ciências da natureza e matemática, as áreas do conhecimento cobradas no exame.
Os estudantes selecionados recebem auxílio permanência de R$200 mensais, desde que mantenham frequência mínima de 75%. Em junho, a terceira chamada pública do câmpus abriu cadastro de reserva para até dez candidatos, que podem frequentar as aulas e ser convocados como bolsistas se surgirem vagas.
O perfil dos alunos decorre dos critérios de acesso definidos pelo MEC. A CPOP dá prioridade a estudantes de escolas públicas, pessoas negras, indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência e famílias com renda de até um salário mínimo por pessoa. No Horizontes, o candidato precisa ter concluído o ensino médio em escola pública ou estar cursando o terceiro ano na rede pública, além de estar inscrito no Enem 2026.
A UFG também desenvolve e apoia cursinhos na capital, conforme a Secretaria de Comunicação da universidade. O Cursinho Federal de Goiás tem aulas presenciais na Escola de Veterinária e Zootecnia do Câmpus Samambaia e oferta on-line. O Cursinho Popular Comunidade FazArte funciona no mesmo câmpus, e o Cursinho Popular Leodegária de Jesus está vinculado ao Núcleo de Direitos Humanos e tem aulas no Centro de Aulas D do Câmpus Colemar Natal e Silva.
Além das aulas de conteúdo, parte dos projetos da UFG desenvolve atividades de formação crítica, cultural e cidadã, conforme a Secretaria de Comunicação da universidade. A Faculdade de Medicina também organiza a Maratona ENEM MED UFG, que reúne revisão de conteúdos, oficina de redação e orientação para estudantes da rede pública e em vulnerabilidade socioeconômica.
A UFG informou que esses projetos recebem principalmente estudantes da rede pública e pessoas sem condições de pagar preparação privada, entre elas concluintes do ensino médio e adultos que já terminaram essa etapa. A universidade não tem pesquisa que detalhe idade, gênero e cursos de interesse dos participantes.
Escolas públicas somam 59% dos estudantes da UFG
Segundo o painel Analisa UFG, atualizado em 5 de novembro, 59% dos 19.180 estudantes apresentados em graduações da UFG vieram de escolas públicas, o que equivale a cerca de 11,3 mil pessoas. O número reúne vários anos de ingresso e não representa uma única turma.
A UFG reserva vagas a quem cursou todo o ensino médio em escola pública, com recortes de renda, raça e deficiência, e o programa UFGInclui acrescenta vagas para indígenas, negros quilombolas e pessoas trans. Para a permanência, a universidade oferece alimentação, moradia estudantil, apoio pedagógico e bolsas. A UFG não informou a taxa de evasão desse grupo.
A gerente de ensino médio da Secretaria da Educação de Goiás (Seduc) Ábia Vargas afirmou que o projeto Só Vem Enem existe desde 2019 e reúne aulas em sala, videoaulas em plataforma, questões no padrão do exame, orientação sobre rotina de estudo e aulas de redação e atualidades.
A gerente afirma que a Seduc vê os cursinhos populares como complemento a esse trabalho, mas informou que não mantém parceria com cursinhos específicos e apenas divulgou o programa do MEC. Como indicador de ingresso no ensino superior, citou o Prêmio Redação Enem e o Prêmio Matemática Enem, e o número de premiados passou de 10 para 75 em 2025.
Na primeira edição da CPOP, em 2025, o MEC selecionou 384 cursinhos. Neste ano, a CPOP soma 1.535 cursinhos e atende mais de 58 mil estudantes, com mais de 21 mil educadores e profissionais de apoio pedagógico. O Edital nº 1/2026 previu R$108 milhões para 514 cursinhos, com até R$208 mil por unidade, valor que inclui o auxílio de R$200 mensais, pago por até oito meses a entre 20 e 40 estudantes de cada cursinho. Em maio, o MEC divulgou o resultado de 504 novos cursinhos pelo edital nº 4/2026, o que representa a terceira ampliação da rede no ano.
Sobre os resultados, o indicador divulgado pelo MEC é a participação no exame, e 92,4% dos bolsistas da CPOP fizeram o Enem 2025. A página oficial da rede apresenta o número de cursinhos e de estudantes atendidos, sem taxa de aprovação em cursos superiores.
A importância da rede está no objetivo declarado pelo MEC de ampliar as chances de acesso à educação superior e de estimular o interesse dos jovens pelo Enem. O exame será aplicado em 8 e 15 de novembro, com portões abertos das 12h às 13h, no horário de Brasília, e provas a partir das 13h30. No primeiro domingo, os candidatos fazem linguagens, ciências humanas e redação. No segundo, fazem matemática e ciências da natureza. (Especial para O HOJE)
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