Com Caiado no PSD, União Brasil terá que evitar perda de aliados
Saída do ex-governador pode ampliar a migração de prefeitos da antiga sigla para o novo partido do candidato derrotado na corrida presidencial, que busca crescer em Goiás
Bruno Goulart
A saída do ex-governador Ronaldo Caiado do União Brasil (UB) e sua chegada ao comando do Partido Social Democrático (PSD) já provoca uma reconfiguração das forças políticas em Goiás. Prefeitos, parlamentares e lideranças que cresceram politicamente sob a articulação de Caiado agora precisam decidir se permanecem na antiga legenda ou acompanham o ex-governador na nova sigla. Nos bastidores, a possibilidade de uma debandada já começa a ganhar forma, principalmente entre prefeitos do interior.
Em 2024, o União Brasil foi o partido que mais elegeu prefeitos em Goiás: ao todo, foram 94. Agora, entretanto, parte dessa estrutura pode mudar de endereço. O PSD, que elegeu apenas três prefeitos nas últimas eleições municipais, aparece como possível destino de aliados interessados em continuar próximos do ex-governador.
Baixa
Dois movimentos já confirmam essa tendência. Os prefeitos de Itumbiara, Dione Araújo, e de Porangatu, Vanuza Valadares, deixaram o União Brasil e se filiaram ao PSD. As mudanças ocorreram a convite de Caiado, que trabalha para ampliar a presença da legenda nos municípios goianos. A expectativa é de que novas lideranças sejam procuradas a partir de 2027, quando o cenário de reorganização partidária deve ganhar força.
O União Brasil, por sua vez, tenta se reorganizar para evitar a perda de protagonismo. O deputado estadual Virmondes Cruvinel (UB) avalia que a saída de Caiado abre espaço para uma renovação interna e para a construção de novas lideranças. “Conversei com Bruno Peixoto [presidente estadual do UB] e é natural que o Caiado convide alguns amigos para o PSD, pessoas que são amigas de longa data dele. Será o momento também de dar um novo oxigênio ao União”, afirma o parlamentar ao O HOJE.
Virmondes também destaca que a legenda pretende investir na formação de novos quadros para as próximas eleições municipais. “Temos quatro estaduais e três federais. Vamos convidar nossas lideranças a virem disputar as eleições de 2028 para prefeito e vereador por aqui também”, declara.
A estratégia indica que o União Brasil não pretende simplesmente assistir à transferência de sua base política. Apesar da saída de Caiado, a sigla ainda conta com parlamentares com mandato e lideranças que podem assumir o papel de reorganizar o partido no Estado. Além de Bruno Peixoto, a legenda conta com os deputados federais José Nelto e Silvye Alves, os estaduais Talles Barreto, Wilde Cambão, André do Premium e o próprio Virmondes Cruvinel.
Desgaste com o União Brasil
A mudança de partido de Caiado também tem uma origem política. O ex-governador deixou o União Brasil depois de não conseguir o apoio da direção nacional para viabilizar sua candidatura à Presidência da República. O desgaste com a cúpula partidária acabou por acelerar seu afastamento de uma legenda que, em Goiás, havia se fortalecido justamente com sua liderança.
Além da reorganização imediata, a movimentação tem um horizonte eleitoral mais distante. Caiado já admitiu a possibilidade de disputar novamente o Governo de Goiás em 2030. Nesse contexto, fortalecer o PSD desde agora pode ser parte de uma estratégia para construir uma estrutura partidária própria, com presença nos municípios e capacidade de sustentar um projeto eleitoral. (Especial para O HOJE)
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