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terça-feira, 13 de janeiro de 2026
Saúde

Atraso em repasses do SUS expõe crise na saúde de Goiânia e coloca atendimentos em risco

Instabilidade no sistema de pagamentos da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia adia quitação de prestadores para janeiro. Laboratórios alertam para risco imediato de suspensão de serviços

Letícia Leitepor Letícia Leite em 24 de dezembro de 2025
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SMS informou que realiza manutenção corretiva nos sistemas financeiros da pasta, que apresentam instabilidade desde o dia 10 de dezembro. Foto: Divulgação/Secom Goiânia

A crise na saúde pública de Goiânia ganhou novos contornos com o atraso no pagamento de prestadores de serviços credenciados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Os repasses, referentes aos recursos federais do Fundo de Alta e Média Complexidade (MAC), competência de outubro de 2025, ainda não foram efetuados pela prefeitura de Goiânia, apesar de o valor ter sido transferido pelo Ministério da Saúde ao Fundo Municipal de Saúde no dia 4 de dezembro.

Em nota enviada à reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) informou que realiza manutenção corretiva nos sistemas financeiros da pasta, que apresentam instabilidade desde o dia 10 de dezembro. Segundo a secretaria, essa situação impossibilitou a execução dos pagamentos dentro do prazo previsto, o que levou ao adiamento dos repasses para janeiro.

A SMS esclareceu ainda que o fluxo de pagamento do Ministério da Saúde ocorre, em média, 60 dias após a prestação dos serviços. Conforme a secretaria, os prestadores informam a produção realizada, o município executa a auditoria e, após a conferência, efetua o pagamento dentro desse prazo. 

“O pagamento de outubro já é feito em dezembro mesmo. Só neste ano que ele vai precisar ser feito nos primeiros dias de janeiro, porque como é sistema de pagamento, sistema financeiro, tem uma série de protocolos e prazos que a gente precisa seguir a cada manutenção”, informou a pasta, ressaltando que não se trata de um atraso acumulado desde outubro, mas de um adiamento entre dezembro e janeiro.

Crise na saúde afeta 40 laboratórios e quatro bancos de sangue

Apesar do posicionamento da SMS, o Sindicato dos Laboratórios de Análises e Bancos de Sangue no Estado de Goiás (Sindilabs-GO) aponta que a situação compromete de forma grave a sustentabilidade dos prestadores. Em entrevista à reportagem, a presidente do sindicato, Christiane Maria do Valle Santos, afirmou que cerca de 40 laboratórios e quatro bancos de sangue são diretamente afetados, com impacto financeiro estimado em aproximadamente R$ 4 milhões.

Segundo ela, havia expectativa de quitação ainda nesta semana. “Nós havíamos recebido na sexta-feira do próprio secretário municipal de saúde, ele me disse que teve reunião no TCM, que o prefeito tinha sinalizado que segunda ou terça desta semana faria o pagamento, faria a quitação, mas hoje falei com ele novamente, infelizmente a notícia foi que não, a conta continua offline e não concretizaria”, afirmou.

A presidente do Sindilabs-GO alertou que os atendimentos ambulatoriais correm risco imediato de interrupção. “Existe uma forma insustentável de manutenção das empresas”, disse. O cenário coloca em risco exames, diagnósticos e atendimentos essenciais. 

A preocupação também foi manifestada pelo Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde no Estado de Goiás (Sindsaúde/GO). Em nota, a entidade destacou que o tema foi apresentado e debatido na plenária do Conselho Municipal de Saúde de Goiânia, realizada no dia 17 de dezembro, reforçando o papel do controle social na fiscalização do uso dos recursos públicos da saúde.

O Sindsaúde/GO ressaltou que os serviços já foram prestados e precisam ser pagos. Segundo o sindicato, a retenção dos recursos gera prejuízos diretos não apenas aos laboratórios, mas também aos trabalhadores e trabalhadoras desses serviços, que integram de forma indireta a força de trabalho do SUS. A falta de pagamento compromete salários, direitos trabalhistas, contratos com fornecedores e a própria continuidade dos serviços.

A entidade também alertou para o risco de suspensão dos atendimentos, especialmente no período de fim de ano, quando a demanda tende a aumentar em razão das férias escolares, das festividades e de fatores sazonais que pressionam o sistema de saúde. Para o Sindsaúde/GO, trata-se de um recurso federal com destinação específica, sem justificativa técnica ou legal para a retenção.

Diante do cenário, os sindicatos cobram da prefeitura de Goiânia a regularização imediata dos pagamentos, a fim de evitar desassistência à população e o agravamento da crise na saúde pública municipal. O Sindsaúde/GO reforçou ainda críticas à gestão da saúde no município, apontando desvalorização dos trabalhadores, falta de estrutura e déficit de servidores efetivos.

Enquanto isso, prestadores e trabalhadores aguardam uma solução concreta. O impasse administrativo mantém serviços essenciais sob risco e amplia a apreensão de usuários do SUS, que dependem diretamente da rede conveniada para exames, diagnósticos e tratamentos em Goiânia.

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