Imas pode passar a cobrar dependentes e prefeitura estuda contratar empresa para reestruturar plano de saúde
Mabel afirma que modelo atual do Imas é insustentável, acumula mais de R$ 200 milhões em dívidas e pode ser extinto se não houver reequilíbrio financeiro
A prefeitura de Goiânia estuda mudanças profundas no Instituto Municipal de Assistência à Saúde dos Servidores (Imas), incluindo a cobrança de dependentes dos titulares do plano e a contratação de uma empresa especializada para gerir a reestruturação administrativa e financeira do instituto.
As informações foram confirmadas pelo prefeito Sandro Mabel em entrevistas concedidas à TV Anhanguera, na quarta-feira (24), nas quais ele reconheceu a gravidade da crise enfrentada pelo plano de saúde dos servidores municipais.
Segundo Mabel, o modelo atual do Imas se tornou financeiramente insustentável ao longo dos anos, principalmente pela baixa contribuição de alguns titulares em relação ao número elevado de dependentes vinculados ao plano.
“Hoje um servidor pode pagar pouco, mas tem vários dependentes, e isso acaba deixando o plano em uma situação insustentável”, afirmou o prefeito. De acordo com ele, o instituto acumula uma dívida superior a R$ 200 milhões, além de enfrentar déficit mensal significativo, o que tem dificultado o pagamento de procedimentos, exames e atendimentos médicos.
Entre as medidas em estudo está a cobrança direta pelos dependentes dos servidores, em formato semelhante ao modelo adotado recentemente pelo Serviço Social Autônomo de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos e Militares de Goiás (Ipasgo Saúde). Mabel destacou que a proposta não significa, necessariamente, reajuste linear das mensalidades dos titulares, mas uma redistribuição mais equilibrada dos custos.
“Não estou satisfeito com o Imas, como as pessoas, os usuários, também não estão. Então, nós precisamos dar uma reformulada no Imas, como o Ipasgo foi agora recentemente. Você precisa achar a tarifa certa pra cada pessoa, considerando fatores como idade e perfil de utilização do plano.
O prefeito citou exemplos para justificar a necessidade de mudança. “Lá [no Imas] tem funcionário que paga R$ 80 e tem oito dependentes. O plano vai se adequar”, disse. Ele também mencionou que faixas etárias diferentes devem ter valores distintos, como ocorre em planos de saúde suplementares. “Tem pessoas que têm 70 anos que têm que pagar como 70 anos. Tem pessoas que têm 5 anos que vão pagar como 5 anos de idade”, completou.
Prefeitura diz que o objetivo é reorganizar o Imas
Além da revisão no modelo de cobrança, a prefeitura de Goiânia abriu um processo de licitação para contratar uma empresa especializada na gestão de planos de saúde, com o objetivo de reorganizar o Imas.
De acordo com Mabel, a iniciativa não representa privatização nem terceirização do instituto, mas a busca por expertise técnica para enfrentar uma crise classificada por ele como resultado de “amadorismo” na administração ao longo dos anos.
A empresa contratada deverá atuar principalmente nas áreas administrativa, financeira e estratégica, auxiliando na reorganização das contas, na revisão de contratos e na adoção de práticas mais eficientes de gestão.
O comando do Imas, segundo o prefeito, continuará sob responsabilidade do município, a contratação busca profissionais que já trabalharam com situações de crise em outros planos de saúde, como Unimed e operadoras privadas, para “fazer um pente fino” nas finanças e práticas do instituto.
O prefeito classificou a iniciativa como uma das últimas tentativas de salvar o Imas. Segundo ele, caso a reestruturação não produza resultados, a extinção do instituto poderá ser considerada.
“É a última tentativa que eu vou fazer no Imas”, declarou. A possibilidade já foi discutida com o Ministério Público de Goiás (MP-GO), onde tramita um inquérito civil público sobre a situação do plano. A hipótese de extinção foi tratada como legítima pelo órgão, enquanto a terceirização foi descartada.
O Imas tem sido alvo de críticas constantes de servidores municipais, que relatam dificuldades de acesso a serviços médicos devido à inadimplência com prestadores. A prefeitura informou que a licitação para escolha da empresa gestora está em andamento, mas ainda não divulgou prazos para a conclusão do processo nem para a implementação das mudanças no plano.