Goiás Fomento projeta R$ 160 milhões para fortalecer pequenos negócios em 2026
O programa itinerante já percorreu municípios do Entorno do DF e do Sudoeste goiano
O fortalecimento do crédito produtivo orientado deve ganhar novo impulso em Goiás em 2026. Após encerrar 2025 com resultados considerados positivos, a Goiás Fomento projeta ampliar sua capacidade de financiamento para micro e pequenos negócios, com previsão de até R$ 160 milhões disponíveis ao longo do próximo ano. O montante inclui cerca de R$ 120 milhões em recursos próprios, além de aproximadamente R$ 40 milhões do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO), somados a repasses de instituições como BNDES, Finep e Fungetur, cujos valores ainda aguardam liberação.
A estratégia da agência estadual de fomento tem como eixo central a descentralização do crédito e a aproximação com o empreendedor, especialmente aquele que enfrenta dificuldades estruturais para acessar linhas de financiamento tradicionais. À frente da instituição, o presidente Rivael Aguiar destaca que o foco permanece nos micro e pequenos negócios, responsáveis por grande parte da geração de emprego e renda no estado.
Crédito itinerante aproxima agência do empreendedor
Lançado no início de dezembro, o programa Goiás Fomento Até Você se tornou o principal instrumento dessa estratégia. A iniciativa consiste em uma van totalmente equipada, com ar-condicionado, internet via Starlink, grupo gerador e painéis solares, capaz de realizar atendimentos em qualquer município, independentemente da infraestrutura local. Segundo Aguiar, a procura superou as expectativas, com pedidos de prefeituras de diversas regiões para receber o programa.
As primeiras edições ocorreram no Entorno do Distrito Federal e em municípios como Jataí, onde o público atendido foi majoritariamente formado por produtores rurais e agricultores familiares. A proposta é expandir o atendimento itinerante para todas as regiões de Goiás ao longo de 2026.

Linhas de crédito adaptadas ao perfil de cada setor
A Goiás Fomento opera dezenas de linhas de crédito, organizadas em três grandes grupos: investimento, capital de giro e aquisição de bens e equipamentos. A escolha da linha não varia por região, mas pelo perfil do público atendido. Em eventos voltados ao agronegócio, por exemplo, o foco recai sobre linhas como Produtor Empreendedor e FCO Rural. Já em regiões com predominância do comércio varejista, são priorizadas linhas específicas para esse segmento. O turismo também conta com produtos próprios, operados em parceria com o Fungetur.
Além dos recursos próprios, a agência atua como repassadora de linhas do FCO, Finep — voltada à inovação — e do BNDES. O objetivo é direcionar cada empreendedor para a alternativa mais vantajosa, considerando taxas de juros, prazos e carência.
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Parcerias ampliam orientação e reduzem riscos
O programa conta com parceiros estratégicos, como Sebrae, Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Garante Goiás, prefeituras e entidades empresariais. O Sebrae desempenha papel central ao oferecer consultoria prévia aos empreendedores, ajudando a identificar a real necessidade de crédito e a melhor forma de aplicação dos recursos.
Essa orientação prévia reduz riscos tanto para o empresário quanto para a agência, além de aumentar a eficiência das operações. Segundo a Goiás Fomento, a parceria permite que o empreendedor chegue ao atendimento já com clareza sobre seu projeto e sua capacidade financeira.

Demanda concentra-se no varejo, turismo e inovação
A maior parte da demanda por crédito na Goiás Fomento vem do comércio varejista, formado majoritariamente por microempresas. O setor de turismo também apresenta forte procura, impulsionado por linhas com condições consideradas vantajosas para bares, restaurantes, hotéis e pousadas. Já o crédito para inovação e startups cresce em ritmo consistente, embora envolva análises mais complexas, com participação da Secretaria de Inovação Tecnológica e da Fapeg.
Para acessar os financiamentos, as empresas precisam comprovar capacidade de pagamento, viabilidade do negócio e regularidade fiscal e cadastral. Em operações acima de R$ 50 mil, é exigida garantia real. Para valores menores, a agência utiliza fundos garantidores como FGI, Famp e o Fundec, fundo estadual voltado a operações de até R$ 21 mil.
Sustentabilidade como incentivo, não barreira
A sustentabilidade integra a política institucional da Goiás Fomento, mas não funciona como critério obrigatório de elegibilidade. Algumas atividades são vedadas, como exploração de florestas primárias e tabacarias, mas, no geral, a agência adota uma lógica de incentivo. Empresas que implementam práticas sustentáveis podem obter redução nas taxas de juros, estimulando a adoção gradual de programas ESG.
Essa abordagem foi apresentada pela agência na COP 30, no painel “Pequenos Negócios e Grandes Impactos”, com destaque para projetos financiados em Goiás, como soluções em energia limpa e inovação tecnológica. Para 2026, a expectativa é que o crédito continue sendo um instrumento de desenvolvimento econômico, inclusão produtiva e fortalecimento sustentável dos pequenos negócios no estado.