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terça-feira, 13 de janeiro de 2026
Valores distintos

Apesar do esforço de Lula, aliança com evangélicos pode não prosperar

Líderes religiosos goianos preferem Caiado para fugir da extrema-direita, mas está longe a possibilidade de, em algum momento, apoiarem Lula

Marina Moreirapor Marina Moreira em 13 de janeiro de 2026
Lula
“Para quem se diz representante da esquerda, o apoio dos evangélicos se torna caro, pois o governo pode deixar de lado pautas populares”, diz especialista - Créditos: Ricardo Stuckert/PR

Líderes religiosos revelaram um possível caminho que os evangélicos pretendem percorrer no que diz respeito ao direcionamento de apoio a uma candidatura à Presidência da República que não seja considerada extremista. 

Em Goiás, o segmento demonstra concordância com o posicionamento do chefe do Executivo goiano, Ronaldo Caiado (UB), e defende apoiar o pré-candidato, que representa uma alternativa que não reflete discursos que dialoguem totalmente com o bolsonarismo, muito menos com os valores defendidos por Lula (PT). 

Lula
Caiado durante comemoração de aniversário do Bispo Oídes do Carmo, presidente da Convenção Estadual dos Ministros Evangélicos das Assembleias de Deus em Goiás – Créditos: Cristian Ark

Apesar de um dos principais adversários do presidente da República tentar aproximação com o setor, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não é tido, de acordo com a opinião de líderes religiosos, como melhor opção para o Palácio do Planalto. 

Acesse também: “Sem extremismo”, evangélicos querem equilibrar balança eleitoral

Caiado passou a ser cotado por evangélicos após o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sinalizar interesse em se reeleger e, assim, dar a entender a impossibilidade de disputar as eleições presidenciais. 

Com base nisso, evangélicos decidiram apoiar o governador de Goiás frente a um cenário eleitoral com a ausência de Tarcísio. Em relação à probabilidade de apoio a Lula, o que se sabe é que parte do eleitorado evangélico vê como acertada a decisão do presidente em indicar o advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, para assumir uma vaga como ministro no Supremo Tribunal Federal (STF). 

Lula
Messias conquistou reconhecimento do presidente já na montagem do governo – (Créditos: Marcelo Camargo/ABr)

O apoio à indicação é derivado da ideia de Messias representar o segmento evangélico, mas há quem diga que isso não foi prioridade para Lula ao escolher o advogado, pois o que realmente teria influenciado seria a vasta experiência que o AGU possui na área jurídica. 

“Quanto ao nome do indicado ao posto de ministro do STF, Jorge Messias, pelo presidente Lula, o advogado contempla, sim, o segmento evangélico devido à sua formação cristã. Porém, penso que não vai alterar a posição que os evangélicos sustentam em relação ao presidente”, pondera o bispo Oídes do Carmo, presidente da Convenção Estadual dos Ministros Evangélicos das Assembleias de Deus em Goiás (Conemad-GO). 

Lula e evangélicos, aliança sem futuro

A longo prazo, o que se observa é que a relação entre evangélicos com o governo Lula pode se desgastar devido à decisão político-econômica do empresariado evangélico neopentecostal em não dialogar com o que chamam de “ideologia refletida nos discursos do petista”. 

Lula
Créditos: Reprodução

No Congresso Nacional, é visível a proximidade da chamada bancada da Bíblia com bancadas ruralistas como a do agronegócio, conhecida como bancada do boi, e da defesa armamentista, a da bala, além de alianças com representantes das forças de segurança e militares. 

Essa configuração que envolve a inserção de setores religiosos no Congresso e a relação dos evangélicos com bancadas de direita faz com que um possível apoio do segmento ao PT se torne algo caro para os líderes religiosos. 

Isso porque a relação da bancada da Bíblia com setores de direita garante aos evangélicos a ascensão ideológica, econômica e mercadológica que faz com que o setor se torne um eleitorado prioritário para qualquer candidato. 

Valores diferentes

A ligação deste campo eleitoral com a esquerda também pode custar caro para Lula, que tem um discurso voltado para a melhoria de vida dos pobres e trabalhadores, o que não compactua com ideais das bancadas descritas anteriormente. 

Lula
Ricardo Stuckert/PR

Em entrevista ao O HOJE, o filósofo e professor Guilherme Giani explica por que uma forte ligação entre o eleitorado evangélico com Lula não vai para frente. “A tentativa do presidente em se aproximar dos evangélicos é uma tentativa de continuidade e de fortalecimento dessa aliança que se mostra muito difícil de permanecer a longo prazo, justamente porque a representatividade política e econômica desse setor evangélico faz com que dificulte a aliança muito oportunista e lucrativa da Igreja com o lulismo.” 

Giani reforça a inviabilidade da relação de uma gestão progressista com campos conservadores e com religiosos. “Para quem se diz representante da esquerda, o apoio dos evangélicos se torna caro, pois o governo pode deixar pautas populares que realmente mudariam a vida do povo brasileiro”, pontua o filósofo. (Especial para O HOJE)

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