Volta às aulas aquece mercado de papelarias e movimenta bilhões
Pesquisa mostra que 85% das famílias brasileiras sentem o peso dos custos de volta às aulas
O período de volta às aulas voltou a impulsionar o mercado de papelarias e materiais escolares no Brasil, movimentando bilhões de reais e impactando um dos momentos mais fortes do varejo no início do ano letivo. Dados recentes mostram que o gasto das famílias com itens como cadernos, canetas, mochilas e acessórios pedagógicos vem crescendo de forma consistente e exerce papel importante na dinâmica de consumo, tanto nas lojas físicas quanto no e-commerce.
Segundo levantamento do Instituto Locomotiva em parceria com o QuestionPro, o total gasto com materiais escolares no Brasil chegou a R$ 49,3 bilhões em 2025, um aumento de 43,7% em quatro anos e reflexo não apenas da inflação, mas também do aprofundamento das listas de itens exigidos pelas instituições de ensino. O estudo aponta que 85% das famílias com filhos em idade escolar sentem o impacto desses gastos no orçamento doméstico, e cerca de um terço dos consumidores planeja parcelar as compras para arcar com as despesas do ano letivo.
Varejo aquecido e crescimento do e-commerce
O mercado começa a movimentar o varejo ainda antes do início das aulas. Levantamentos do setor indicam que as vendas de materiais escolares no comércio eletrônico registraram crescimento superior a 70% no início de 2025, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Itens como canetas e cadernos lideram a procura, enquanto mochilas tiveram variações menos expressivas, mas o crescimento geral reforça a transformação digital do consumo.
Complementando esse cenário, estudo da Layers Education registra que as compras por meio de plataformas online ultrapassaram a marca de R$ 119 milhões, com crescimento de cerca de 33% em relação ao ano anterior, consolidando o canal digital como alternativa para famílias que buscam praticidade e preços competitivos.
O desempenho positivo também se reflete no segmento de pequenas e médias empresas (PMEs). De acordo com dados da plataforma Olist, as PMEs especializadas em papelaria e material escolar registraram alta de 33,25% nas vendas em janeiro de 2025, ultrapassando R$ 38 milhões no período de volta às aulas. Essa elevação evidencia o papel dessas empresas na cadeia produtiva, especialmente na oferta de kits personalizados e itens diferenciados.

Variedade de preços e impacto no orçamento familiar
Entretanto, o salto nas vendas convive com desafios para os consumidores. Pesquisas de órgãos de defesa do consumidor apontam que os preços dos itens escolares podem variar significativamente entre estabelecimentos, com alguns produtos chegando a apresentar diferenças de até 269% no valor entre papelarias da mesma cidade.
O impacto desses preços sobre as finanças das famílias é ampliado pela necessidade de adquirir uniformes, livros didáticos e demais insumos, o que aumenta ainda mais o custo total da volta às aulas. Conforme o mesmo levantamento, 90% das famílias com filhos na rede pública e 96% das que têm filhos em escolas privadas pretendem comprar materiais escolares para 2025.
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Tendências e desafios do setor
As pressões de custos também vêm dos produtores e importadores. A Associação Brasileira de Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (ABFIAE) projeta aumento de 5% a 9% nos preços dos materiais em 2025, refletindo fatores como inflação, custo de produção e alta do dólar, que influencia diretamente o preço de itens importados, como mochilas, estojos e alguns acessórios.
Nesse contexto, varejistas e distribuidores buscam estratégias como compras antecipadas, promoções e kits promocionais para atrair os consumidores e diluir o impacto no caixa das famílias — medidas que ganharam ainda mais importância diante do cenário econômico mais apertado no início de ano.

Crescimento projetado do mercado
Embora o foco dessa reportagem seja o Brasil, projeções globais indicam que o mercado de artigos de papelaria escolar deve continuar em expansão nas próximas décadas. Estimativas internacionais apontam que o segmento global pode crescer de US$ 105,1 bilhões em 2025 para cerca de US$ 184,7 bilhões até 2035, impulsionado não apenas pelo retorno às aulas presenciais, mas também por tendências como papelaria sustentável e produtos especializados para educação.
No Brasil, esse cenário reforça a importância da volta às aulas não apenas como evento educacional, mas como fator estrutural do varejo anual, alavancando vendas, promovendo inovação no ponto de venda e exigindo maior atenção de empreendedores, distribuidores e gestores para equilibrar oferta, preço e experiência do consumidor neste período crítico do comércio.