O Hoje, O Melhor Conteúdo Online e Impresso, Notícias, Goiânia, Goiás Brasil e do Mundo - Skip to main content

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
NEGOCIOS

Goiás puxa interesse por carros chineses enquanto produção nacional cai

Em Goiás, as buscas por modelos de marcas chinesas aumentaram 103% em 2025

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 16 de janeiro de 2026
Venda de Veiculos
Foto: Divulgação

A indústria automotiva brasileira fechou 2025 em um cenário de crescimento moderado, sustentado principalmente pelas exportações, mas ainda marcado por desequilíbrios estruturais entre produção, vendas internas e importações de carros em Goiás. Dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que as fábricas nacionais produziram 2 milhões 664 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus no ano passado, avanço de 3,5% em relação a 2024. Apesar da alta, pelo segundo ano consecutivo a produção ficou abaixo do mercado doméstico, que registrou 2 milhões 690 mil emplacamentos, crescimento de 2,1%.

O resultado confirma uma tendência de recuperação lenta da indústria, abaixo das expectativas iniciais do setor. No começo de 2025, a Anfavea projetava crescimento de 7,9% na produção e quase 5% nas vendas internas, números que não se concretizaram. Ainda assim, segundo o presidente executivo da entidade, Igor Calvet, o desempenho foi suficiente para manter o Brasil como o oitavo maior produtor de veículos do mundo.

Exportações impulsionam, mas importações seguem pressionando

O principal motor do crescimento da produção em 2025 foi o desempenho das exportações, que avançaram expressivos 32,1% e alcançaram 528,8 mil unidades. O bom resultado ajudou a sustentar as linhas de montagem em um cenário doméstico mais cauteloso. Em contrapartida, as importações também cresceram, ainda que em ritmo menor, com alta de 6,7% e volume total de 497,8 mil veículos, ampliando a concorrência com os modelos produzidos no país.

Para a Anfavea, esse movimento reforça a necessidade de políticas industriais e tributárias mais claras, sobretudo em um momento de transição tecnológica e de entrada de novas montadoras no mercado brasileiro.

Goiás
Foto: Divulgação

Veículos leves avançam; caminhões enfrentam retração

O desempenho da indústria foi bastante desigual entre os segmentos. A produção de veículos leves — automóveis e comerciais leves — cresceu 4,5%, totalizando 2 milhões 492 mil unidades. Já o segmento de caminhões teve um ano difícil, com queda de 12,1% e produção de 124,1 mil veículos. No caso dos chassis de ônibus, houve leve avanço de 1,6%, com 28,2 mil unidades produzidas.

Em dezembro, a desaceleração ficou mais evidente. As fábricas produziram 184,5 mil veículos, queda de 3,9% em relação ao mesmo mês de 2024 e recuo acentuado de 15,8% frente a novembro. Segundo Calvet, o resultado foi influenciado pelas férias coletivas adotadas por diversas montadoras no fim do ano.

Goiás acompanha mudança no perfil do consumidor

Em Goiás, os dados confirmam uma mudança clara no interesse do consumidor. Levantamento da Webmotors Autoinsights mostra que as buscas por veículos de marcas chinesas que estrearam no Brasil nos últimos cinco anos cresceram 103% em 2025 na comparação com o ano anterior, considerando modelos novos e usados. O crescimento foi puxado principalmente pelo mercado de usados, que registrou alta de 120%.

A BYD lidera com folga a preferência dos goianos, concentrando 64,09% das buscas no mercado de usados e 57,39% no segmento de veículos zero quilômetro. A GWM aparece em segundo lugar, com 31,62% das buscas por usados e 26,04% no mercado de 0 km. Marcas como Zeekr, GAC, Omoda, Geely, MG Motors e Leapmotor ainda têm participação menor, mas já começam a ganhar visibilidade no estado.

1
Foto: Divulgação

Financiamento de usados cresce e supera veículos novos

Outro movimento relevante em Goiás é o avanço do financiamento de veículos usados. Segundo dados do Sistema Nacional de Gravames, mais de 25 mil veículos foram financiados no estado no último levantamento. Desse total, cerca de 16 mil eram usados, enquanto pouco mais de 9 mil eram novos. O financiamento de usados cresceu 13,3% em relação a 2024, superando a alta de 9% dos veículos zero quilômetro.

No segmento de motos, o crescimento foi ainda mais expressivo, com avanço de 21%. Já os veículos pesados novos registraram queda acentuada de 54%, refletindo a crise enfrentada pelo setor de caminhões em nível nacional.

Leia também: Carnaval deixa de ser só festa e vira motor econômico em Goiás

Juros altos moldam decisões de compra em Goiás

Especialistas apontam o custo do crédito como fator central para esse comportamento. Com a taxa Selic em torno de 15%, o financiamento tradicional ficou mais caro, levando muitos consumidores a adiar a compra de veículos novos. Para o economista Danilo Orsida, a tendência é de manutenção desse cenário em 2026, com juros ainda elevados.

Segundo ele, o consórcio em Goiás surge como alternativa para quem não tem urgência na compra, por não envolver juros, mas exige planejamento. “É fundamental considerar gastos como IPVA, seguro e manutenção antes de assumir compromissos de longo prazo”, alerta.

Siga o Canal do Jornal O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do Jornal O Hoje.
Tags:
Veja também