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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
TENSÃO ENTRE ALIADOS

Trump ameaça tarifar países contra plano dos EUA para Groenlândia

Líder americano eleva pressão sobre aliados com ameaça de tarifas contra países que rejeitem anexação da Groenlândia

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 16 de janeiro de 2026
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Foto: Divulgação/ Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a pressionar aliados e parceiros comerciais ao afirmar que considera a aplicação de tarifas contra países que não apoiem seu plano de aquisição da Groenlândia. A sinalização foi feita, na sexta-feira (16), durante um evento na Casa Branca, no qual o republicano associou diretamente a incorporação da ilha a interesses estratégicos de defesa, sem apresentar detalhes sobre valores, prazos ou mecanismos de cobrança.

“Posso impor uma tarifa aos países que não concordarem com a Groenlândia, porque precisamos da Groenlândia para a segurança nacional”, declarou Trump ao tratar do tema em público. Desde o início de seu segundo mandato, o presidente tem defendido a anexação do território, sustentando que a posição geográfica da ilha é essencial para projetos militares dos EUA.

A Groenlândia passou a ocupar lugar central no discurso do presidente após a apresentação do Domo de Ouro, sistema antimísseis que Trump pretende implantar como escudo de defesa do país. Em publicação recente, ele classificou o território como “vital” para o projeto e afirmou que a Otan deveria liderar um processo que viabilizasse o controle norte-americano da ilha. Ainda, argumentou que a ausência de uma ação dos EUA abriria espaço para a atuação de Rússia ou China na região.

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Foto: Divulgação/ Casa Branca

Situada entre a América do Norte e a Rússia, a Groenlândia é considerada estratégica para o controle de rotas e da segurança no Ártico. Os EUA mantêm uma base militar no território, mas reduziram significativamente sua presença ao longo dos últimos anos. Atualmente, cerca de 200 militares norte-americanos atuam na ilha por meio de um acordo bilateral firmado com as autoridades locais.

Europa se articula após declarações de Trump

As declarações de Trump provocaram reação entre países europeus aliados da Dinamarca. Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Holanda e Finlândia iniciaram o envio de pequenos contingentes militares para a Groenlândia, após solicitação do governo dinamarquês. Segundo autoridades alemãs, a missão tem como objetivo avaliar possíveis contribuições militares e reforçar a segurança diante do novo cenário político.

A Alemanha deslocou uma equipe de 13 militares, enquanto a França enviou cerca de 15 especialistas em operações em áreas montanhosas. Suécia e Noruega contribuíram com três e dois oficiais, respectivamente. Holanda e Finlândia também enviaram pequenos grupos, e um oficial britânico integra a missão. De acordo com autoridades europeias, os primeiros deslocamentos servem para preparar exercícios militares e planejar um reforço mais amplo ao longo de 2026.

EUA minimiza ação europeia

O governo dos EUA minimizou o impacto da presença europeia. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o envio de tropas não altera a posição do presidente nem o objetivo de adquirir a Groenlândia. Em declarações anteriores, Trump chegou a ironizar a capacidade defensiva do território e afirmou que os EUA o obterão “de um jeito ou de outro”.

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Karoline Leavitt (Foto: BruceSchaff/ Wikimedia Commons)

A movimentação no Ártico também gerou reação da Rússia. Moscou declarou estar seriamente preocupada com a ampliação da presença militar da Otan na região e acusou a aliança de promover uma mobilização acelerada com o objetivo de conter a Rússia e a China. Em comunicado divulgado pela embaixada russa na Bélgica, o governo afirmou que a Otan estaria reforçando sua atuação sob o que chamou de falso pretexto de uma ameaça crescente por parte de Moscou e Pequim. Ainda, uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo declarou que nem a Rússia nem a China manifestaram intenção de ocupar a ilha.

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