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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
NEGOCIOS

Mercado de saúde no Brasil deve crescer 9% até 2028 e atrair novos investimentos

Relatório aponta que o setor pode movimentar R$ 1,9 trilhão

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 19 de janeiro de 2026
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Foto: Divulgação

O mercado de saúde no Brasil entra em um novo ciclo de crescimento e consolidação, com projeção de expansão de cerca de 9% até 2028. O avanço é impulsionado pelo envelhecimento da população, pelo aumento dos gastos per capita com saúde e pela retomada das fusões e aquisições, em um ambiente econômico que volta a ser favorável ao setor. A análise consta no relatório A&M POV Farmacêuticas, elaborado pela consultoria Alvarez & Marsal, que aponta o segmento como um dos mais resilientes e estratégicos da economia brasileira.

Segundo o estudo, a receita total do setor deve alcançar R$ 1,898 trilhão até 2028, com crescimento médio anual estimado em 2,25%, acima da média histórica de 1,57% ao ano. Nos últimos sete anos, o crescimento acumulado já chegou a 11%, refletindo os efeitos da demanda reprimida no período pós-pandemia e a ampliação do consumo de serviços e produtos de saúde em todo o país.

Envelhecimento e gastos sustentam a expansão

Entre os principais vetores desse crescimento está o envelhecimento da população brasileira, que eleva de forma contínua a procura por serviços médicos, terapias de uso prolongado, medicamentos para doenças crônicas e cuidados de longo prazo. Esse movimento ocorre em paralelo ao aumento dos gastos per capita em saúde, tanto no setor público quanto no privado, pressionando o sistema, mas também ampliando oportunidades de negócios.

Além disso, o setor vem sendo impulsionado por investimentos em infraestrutura, com expansão e modernização de hospitais, clínicas, laboratórios e centros de diagnóstico, além da incorporação de novas tecnologias. A formulação de políticas públicas voltadas à ampliação do acesso e à inovação também contribui para criar um ambiente mais favorável ao crescimento sustentável da saúde no Brasil.

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Foto: Divulgação

Indústria farmacêutica mantém papel central

A indústria farmacêutica segue como um dos pilares desse avanço. Em 2024, o mercado farmacêutico brasileiro movimentou aproximadamente R$ 160,7 bilhões, com crescimento nominal de 12,9% em relação a 2023 e comercialização de mais de 6 bilhões de embalagens de medicamentos. Apesar do avanço da inovação, cerca de 75% do mercado ainda é composto por genéricos e similares, o que demonstra a importância do acesso e, ao mesmo tempo, o potencial de diversificação do portfólio.

Esse cenário reforça o Brasil como mercado estratégico para multinacionais, tanto pelo tamanho da população quanto pela capacidade produtiva. Investimentos recentes, como o anúncio de R$ 6,4 bilhões para ampliação de plantas industriais no país até 2028, evidenciam o interesse estrangeiro em fortalecer a produção local e atender à demanda regional.

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Fusões e aquisições voltam ao radar

Após um período de retração entre 2019 e 2024, quando o volume de operações de fusões e aquisições (M&A) no setor de saúde caiu 23%, o mercado começa a dar sinais claros de recuperação a partir de 2025. O setor volta a ocupar espaço relevante nas estratégias de fundos de investimento e grandes grupos empresariais, tanto nacionais quanto internacionais.

Entre 2018 e 2024, o segmento industrial da saúde — que inclui farmacêuticas, fabricantes de equipamentos, órteses e materiais hospitalares — registrou 365 operações de M&A, ficando atrás apenas dos provedores de serviços, como hospitais e laboratórios, que somaram 543 negociações. Dados mais recentes indicam crescimento de 37% nas operações da saúde suplementar até setembro de 2025, além de alta de 80% nas transações envolvendo hospitais e laboratórios no início do ano.

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Foto: Divulgação

Inovação ganha espaço nas estratégias

O perfil das transações também mudou ao longo da década. Se em 2020 a maior parte das operações tinha foco na expansão de portfólio, hoje inovação e funding respondem por cerca de 42% das negociações, enquanto a consolidação tradicional representa aproximadamente 25%. A mudança reflete a busca por soluções tecnológicas, biotecnologia e novas terapias, especialmente diante da perda de patentes de medicamentos tradicionais.

Empresas brasileiras, por sua vez, encontram oportunidades na aquisição de portfólios menos complexos vendidos por multinacionais, enquanto grupos globais concentram esforços em terapias avançadas. Em um ambiente marcado por tensões geopolíticas e reorganização das cadeias produtivas, o Brasil se consolida como um dos principais mercados de saúde da América Latina, combinando escala, demanda estrutural e potencial de inovação.

 

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