UB e MDB goiano movimentam tabuleiro por vagas na Câmara dos Deputados
Siglas de Caiado e Daniel são fortes, mas não deixam de enfrentar desafios com a nominata
Nas eleições de 2022, ocorreu o que muitos partidos temem repetir este ano, que é a não reeleição de candidatos porque suas siglas não atingiram a cláusula de desempenho. Deputados reclamaram do fato de não terem ocupado uma cadeira na Câmara dos Deputados devido ao não cumprimento da regra relacionada ao alcance do quociente eleitoral.
A norma é clara e rígida, só assumem mandato candidatos que atingirem o quociente eleitoral, que é o número total de votos válidos de determinado Estado dividido pelo número de vagas daquela unidade do País na Câmara dos Deputados.

A exemplo disso, em 2022, o deputado Ronaldo Martins (Republicanos-CE) obteve 104 mil votos. Porém, sua legenda teve um total de 179 mil votos e não alcançou o quociente eleitoral no Ceará, que ficou em 232 mil naquela eleição. Com esse resultado nas urnas, o partido ficou sem representante do Estado na Casa Baixa do Congresso.
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Na maioria dos casos, os partidos pequenos possuem dificuldades e, a exemplo disso, uma sigla menor em Goiás geralmente precisa de algo entre 140 mil e 150 mil, ou até 180 mil votos.
Interlocutores afirmam que a média que cada partido em Goiás precisa alcançar para eleger um deputado federal deve ficar em torno de 170 mil votos nas eleições deste ano. Diante dessa situação, as siglas menores tendem a focar em eleger deputados estaduais devido ao receio de não conseguir alcançar o quociente eleitoral para conseguir ao menos uma vaga na Câmara dos Deputados.

Acúmulo de forças
Assim, o que resta a essas siglas é se aliar a partidos maiores que possuem programas semelhantes, a chamada federação de partidos. Pela estrutura e número de parlamentares eleitos em 2022, legendas como MDB, PL, PT, PSD, União Brasil, PP e Podemos, apesar de terem força de atração de votos, todas essas siglas possuem desafios na tentativa de ocupar espaço no Congresso.
Analistas apontam que a nominata do MDB goiano, sigla do vice-governador Daniel Vilela, se mostra como uma das mais complicadas de ser definida, pois há muitos interessados em se candidatar pela legenda. Parlamentares avaliam que o partido de Daniel, que trabalha com a possibilidade de eleger cinco deputados federais, pode chegar a pelo menos três, com nomes como o deputado estadual Lucas do Vale e os federais Flávia Morais e Célio Silveira. Informações de bastidores destacam que Silveira sinaliza que o parlamentar fará um grande esforço para conseguir se reeleger.

De acordo com lideranças partidárias, fala-se na possibilidade de que Lucas do Vale alcance um número próximo a 200 mil votos e Flávia, entre 160 mil e 180 mil. Se isso ocorrer, o MDB pode eleger até cinco deputados federais, como tem projetado.
No que diz respeito a possíveis eleitos, parlamentares apostam em nomes como Lucas do Vale, Flávia Morais, Célio Silveira, Lucas Vergílio (vereador por Goiânia) e Marussa Boldrin (deputada federal). Mas só o resultado final da apuração dos votos no primeiro turno, na noite de 4 de outubro, tem como dizer se isso vai mesmo acontecer.
Obstáculo para o MDB de Daniel
Analistas apontam que um dos grandes desafios do MDB de Daniel está no fato de que, para que o partido consiga eleger três deputados federais, a sigla precisa que outros candidatos consigam no mínimo 70 mil votos. No final das contas, todo esse levantamento é baseado em especulações de um panorama que só será confirmado daqui a oito meses, mas que já apresenta reflexos desde agora.

Em relação ao União Brasil, do governador Ronaldo Caiado (UB), a expectativa é de que o pré-candidato à Presidência da República anuncie sua desistência da corrida ao Palácio do Planalto e se decida pela disputa por uma cadeira no Senado.
Mudança de planos
Devido aos bons índices relacionados à sua gestão enquanto governador, o que se espera é que Caiado confirme a mudança de planos, dispute uma cadeira na Casa Alta do Congresso e anuncie a candidatura para deputada federal da primeira-dama Gracinha Caiado.
Em entrevista ao O HOJE, o ex-deputado Delegado Waldir diz que deseja disputar uma cadeira na Câmara Federal e que não pretende deixar o União Brasil. Além de Waldir, o União Brasil pode apostar em nomes como o do presidente da Assembleia Legislativa, Bruno Peixoto, dos deputados federais José Nelto, Lêda Borges, Silvye Alves e do presidente da Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra), Pedro Sales. (Especial para O HOJE)