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terça-feira, 20 de janeiro de 2026
Crime Bárbaro

Polícia investiga ex-técnicos de enfermagem suspeitos de matar pacientes em hospital do DF

Operação Anúbis apura ao menos três mortes ocorridas em UTI de hospital particular em Taguatinga; crimes teriam sido praticados com aplicação de substâncias letais

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em 20 de janeiro de 2026
Técnicos
Marcela, Marcos e Amanda estão presos por suspeita de envolvimento nos homicídios

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga a suspeita de que ex-técnicos de enfermagem de um hospital particular tenham provocado a morte de ao menos três pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), por meio da aplicação intencional de substâncias letais. As mortes ocorreram entre novembro e dezembro de 2025 no Hospital Anchieta, em Taguatinga, mas o caso só veio a público nesta segunda-feira (19).

No último dia 11, a corporação deflagrou a Operação Anúbis, que resultou na prisão temporária de dois suspeitos um homem e uma mulher. Já na quinta-feira (15), uma terceira investigada foi presa. Durante as ações, os policiais apreenderam dispositivos eletrônicos e outros materiais que devem auxiliar no aprofundamento das investigações. O caso tramita sob segredo de Justiça, e, por isso, a Polícia Civil não divulgou oficialmente os nomes das vítimas nem dos investigados.

Provas indicam uso de medicamento indevido e desinfetante por parte dos técnicos

Durante coletiva de imprensa, o delegado Wisllei Salomão informou que as provas reunidas até o momento indicam que os técnicos de enfermagem teriam injetado um medicamento de uso comum em UTIs, porém administrado de forma inadequada, diretamente na veia dos pacientes, o que teria provocado paradas cardíacas. “É um medicamento que, nessas condições, leva à morte”, afirmou.

Segundo o delegado, imagens das câmeras de segurança da UTI, análise dos prontuários médicos e depoimentos de funcionários permitiram reconstruir a dinâmica dos crimes. Em ao menos duas ocasiões, um dos técnicos teria utilizado um sistema hospitalar aberto em nome de médicos para prescrever o medicamento, buscá-lo na farmácia, escondê-lo no jaleco e aplicá-lo nas vítimas. Em um dos casos, ainda conforme a investigação, o suspeito teria injetado desinfetante na veia de uma paciente após o medicamento acabar.

As investigações apontam que as duas técnicas de enfermagem presas teriam atuado de forma conivente. Uma delas teria auxiliado na retirada do medicamento na farmácia e presenciado a aplicação indevida. As vítimas identificadas pela Polícia Civil são uma professora aposentada, de 75 anos; um servidor público de 63 anos; e um homem de 33 anos. “Eles foram mortos pela ação de quem deveria estar cuidando deles”, declarou o delegado.

Mortes suspeitas chamaram atenção pela piora súbita dos pacientes

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vítimas são João Clemente Pereira, de 63 anos, Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos e Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos

As possíveis vítimas identificadas pela Polícia Civil são a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, moradora de Taguatinga; o servidor público João Clemente Pereira, de 63 anos, residente no Riacho Fundo I; e o servidor público Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos, de Brazlândia.

Segundo os investigadores, os três pacientes apresentavam quadros clínicos distintos e níveis diferentes de gravidade, mas todos tiveram uma piora súbita e inesperada durante a internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o que despertou a atenção da equipe médica e deu início às apurações internas do hospital.

Em nota, o Hospital Anchieta informou que demitiu os três técnicos assim que um comitê interno identificou “circunstâncias atípicas” nas mortes ocorridas na UTI em um intervalo inferior a 20 dias. A instituição afirmou ter acionado imediatamente a Polícia Civil e repassado todas as informações levantadas na apuração interna, além de prestar esclarecimentos às famílias das vítimas.

A Polícia Civil segue investigando o caso para identificar se há outras vítimas com o mesmo padrão de morte e se mais pessoas contribuíram para os crimes. Os três investigados permanecem presos temporariamente por 30 dias. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios informou que irá analisar as medidas cabíveis assim que receber o procedimento investigativo.

Leia mais: Polícia recolhe itens pessoais com material biológico de corretora desaparecida em Caldas Novas

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