Japão condena à prisão perpétua assassino de ex-premiê
Tetsuya Yamagami foi sentenciado à prisão perpétua pelo assassinato de Shinzo Abe
Tetsuya Yamagami foi sentenciado à prisão perpétua pelo assassinato do ex-primeiro-ministro do Japão Shinzo Abe, morto em 2022. A decisão foi proferida, na quarta-feira (21), pelo tribunal de Nara, cidade onde ocorreu o julgamento. O réu, de 45 anos, respondeu por homicídio e por violação das leis de controle de armas.
Durante uma audiência realizada em outubro de 2025, Yamagami assumiu a autoria do crime. “Tudo é verdade”, afirmou em tribunal. Com a confissão, o processo avançou diretamente para a definição da pena. No mês anterior à sentença, o Ministério Público pediu prisão perpétua e classificou o ataque como um “incidente extremamente grave e sem precedentes na história do pós-guerra”.
Assassinato do ex-premiê do Japão
O crime ocorreu em julho de 2022, quando Abe participava de um evento de campanha eleitoral na cidade de Nara, no oeste do Japão. Mesmo fora do cargo, o ex-premiê seguia como figura central do Partido Liberal Democrata, então no poder, e exercia forte influência interna. O assassinato provocou comoção nacional em um país marcado por índices baixos de violência armada.

Ele havia deixado o cargo em setembro de 2021, após oito anos no comando do governo, período que o consolidou como o líder que mais tempo permaneceu à frente do Executivo japonês.
A saída do poder de Abe foi atribuída a problemas de saúde, ele sofria de colite ulcerativa crônica, condição que já o havia afastado do cargo em 2007. Ao anunciar a renúncia, declarou: “Eu me dediquei de corpo e alma à recuperação econômica e à diplomacia para proteger o interesse nacional do Japão todos os dias desde que retornamos ao poder”.
No cenário internacional, Abe ficou conhecido pela política econômica chamada de “abenomics”, baseada na combinação de estímulos monetários, gastos públicos e reformas estruturais. Após sua renúncia, o cargo de primeiro-ministro passou a ser ocupado por Fumio Kishida.