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domingo, 25 de janeiro de 2026
Alerta

Governo incentiva caça a javalis para controle da espécie

Estratégia aproveita concentração de animais em áreas elevadas após cheias

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 25 de janeiro de 2026
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Após enchentes, força-tarefa usa caçadores para conter avanço de javalis. Foto: Divulgação

Autoridades australianas passaram a contratar caçadores especializados para reduzir a população de javalis em regiões atingidas por enchentes no noroeste de Queensland. A estratégia foi divulgada pelo site Beef Central e envolve ações coordenadas entre governos, entidades do setor rural e órgãos ambientais.

A iniciativa aproveita uma janela operacional criada após as inundações. Com a elevação do nível da água, os javalis ficam concentrados em áreas mais altas, como margens de rios e elevações do terreno. Dessa forma, os grupos tornam-se mais expostos e localizáveis, o que aumenta a eficiência das ações de controle em comparação a períodos de normalidade, quando os animais se dispersam e utilizam áreas de vegetação densa como abrigo.

Segundo o Beef Central, a entidade AgForce comunicou o governo sobre a necessidade de atuação imediata. A avaliação é que uma resposta rápida reduz riscos futuros, especialmente em um cenário no qual propriedades rurais ainda enfrentam danos estruturais provocados pelas enchentes.

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Enchentes abrem janela estratégica para controle de javalis no campo. Foto: Divulgação

Enchentes ampliam risco de crescimento populacional

Além dos impactos diretos causados pelas inundações, autoridades alertam para o risco posterior à retração das águas. Quando o solo começa a secar, a combinação entre disponibilidade de água, alimento e áreas abertas favorece a recuperação e a reprodução acelerada dos javalis.

Esse cenário preocupa produtores rurais, já que cercas danificadas e áreas fragilizadas facilitam a circulação dos animais. O aumento da população pode intensificar prejuízos no campo, ampliar riscos sanitários e afetar rebanhos e lavouras.

A ministra federal de Gestão de Emergências da Austrália, Kristy McBain, afirmou que a destruição de cercas cria condições para novos danos, caso o controle não seja feito de forma imediata. Já o ministro de Indústrias Primárias de Queensland, Tony Perrett, destacou que o momento pós-enchente é considerado estratégico para evitar impactos ambientais e econômicos nos meses seguintes.

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Javalis se concentram após enchentes e controle é intensificado. Foto: Divulgação

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Coordenação entre setor rural e órgãos ambientais

As ações de controle também envolvem áreas protegidas. De acordo com o Beef Central, o departamento responsável atua em parceria com o Queensland Parks and Wildlife Service para coordenar operações em unidades de conservação e regiões sensíveis do ponto de vista ambiental.

A iniciativa integra um pacote mais amplo de apoio ao produtor rural, inserido em programas de recuperação de desastres. O controle populacional faz parte do Primary Producer Support Package, que soma US$ 11,32 milhões, dentro dos acordos de financiamento vinculados ao Disaster Recovery Funding Arrangements (DRFA), após o evento climático conhecido como North Queensland Monsoon Trough.

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Desastre climático expõe oportunidade para conter população de javalis. Foto: Divulgação

Reflexos para o Brasil

O cenário australiano dialoga com a realidade brasileira. No Brasil, o javali e seus cruzamentos são considerados uma das principais espécies invasoras, com registros de prejuízos em diferentes regiões do país. Entre os impactos associados estão danos a lavouras, ataques a animais domésticos, destruição de cercas, risco sanitário e pressão sobre a biodiversidade.

Eventos climáticos extremos, como enchentes, secas e queimadas, também alteram o deslocamento dos animais no território brasileiro. Assim, especialistas apontam que esses períodos podem concentrar grupos em áreas específicas, o que demanda planejamento, resposta rápida e coordenação entre produtores e órgãos ambientais para ações de controle mais eficientes.

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