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domingo, 25 de janeiro de 2026
OPINIÃO

Nikolas, jovem deputado mineiro, substitui ex-presidente nas mobilizações

Jovem deputado mineiro substitui ex-presidente nas mobilizações, com efeito surpreendente para a esquerda que pode ser a salvação da direita enquanto seu líder estiver preso, prova de mistura produtiva entre mídias sociais e povo na rua

Nilson Gomespor Nilson Gomes em 25 de janeiro de 2026
Nikolas
Foto: Divulgação

Os militantes da esquerda nos governos e nas mídias fizeram tudo o que estava a seu alcance no caso da marcha promovida pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), de Paracatu (MG) a Brasília. Primeiro, agiram como se fosse uma maluquice do jovem parlamentar. Depois, torceram para ser um fracasso de público. Em seguida, saíram as primeiras imagens da multidão e chamaram de irresponsabilidade, pois tumultuária o tráfego de carros e caminhões. Por fim, falaram em acidente.

Nada disso aconteceu, somente um teste de coragem, quando os manifestantes já estavam no Distrito Federal: mesmo com chuva torrencial, não arredaram pé e grades de ferro atraíram raio, que feriu três dezenas deles. Era o mesmo raio caindo duas vezes na direita: primeiro, em 2018, com Jair Bolsonaro levando às ruas milhões de brasileiros, como não se via desde as passeatas por Diretas Já, décadas antes; agora, um sub-30 bolsonarista se revela mais líder que todos os formados desde a fundação do PT, em 1980.

CONSEGUIU O QUE BOULOS NÃO DEU CONTA: GENTE NA PRAÇA

Nikolas tem 29 anos, 3 bilhões e 200 milhões curtidas no Facebook, 21 milhões de seguidores no Instagram e na última vez em que enfrentou cara a cara alguém da esquerda obteve 600%: ele era o golden boy de Bolsonaro nas mídias sociais e André Janones, o de Lula; ficaram respectivamente em 1º e 2º lugares em Minas, 1.492.047 votos para Nikolas, 238.967 para Janones, que em 2024 foi salvo da cassação em parecer do agora ministro Guilherme Boulos (PSol) mesmo após confessar ter tomado parte do dinheiro do pessoal de seu gabinete, a chamada “rachadinha”. Coincidência das grandes: Boulos está no governo para produzir o que Nikola conseguiu pela oposição, juntar gente nas praças.

Alguns de seus colegas na equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostram-se decepcionados com Boulos, que fecha este janeiro só conseguindo amealhar mesmo assessores, e muitos assessores nomeados; povo, que é bom, até agora, nada. Enquanto isso, a satisfação com Nikolas se prova pelas inexoráveis imagens mostradas inclusive por quem tentou ignorar o sucesso da caminhada a Brasília.

EM VEZ DE AVIÃO DA FAB, O PÉ

Em cada cidade que a multidão parou, parou a cidade com multidão. Era uma incógnita a medida que a direita tomaria para ao menos tentar substituir Bolsonaro, que cumpre pena em regime fechado num quartel da Polícia Militar do DF apelidado de Papudinha. Se um dos efeitos pretendidos com a condenação de Bolsonaro foi evitar as indefectíveis motociatas das campanhas anteriores, deu errado: a moçada de seu espectro ideológico está andando centenas de quilômetros é a pé, nada de avião da FAB ou de limusine.

Nikolas
Foto: Divulgação

Nas cidades goianas atravessadas pela multidão da marcha, o espanto foi generalizado, sobretudo na esquerda. Parecia que a população inteira estava atrás de Nikolas & cia. Em Cristalina, no Entorno de Brasília, repetiram-se as cenas do 7 de Setembro na Praça dos Três Poderes quando Bolsonaro era o presidente – tudo coalhado de verde-bandeira e amarelo.

TRANSPOR DO VIRTUAL PARA O PRESENCIAL

É um êxito pretendido globalmente, o virtual se acoplar ao presencial, uma transposição mais rara que a do Rio São Francisco, que começou com Dom Pedro II (1847) e terminou com Bolsonaro (2022): Nikolas parte das redes sociais para o tête-à-tête com os cidadãos. Na última semana, quem saiu de Goiânia ou Anápolis indo a Brasília se deparou com centenas de pessoas que, à frente, se encontrariam com a marcha – o repórter de O HOJE conversou com algumas delas e nenhuma estava sendo remunerada pela tarefa.

Nikolas
Foto: Divulgação

A nova missão de Nikolas, que com isso fica afastado em definitivo de querer o Governo de Minas (o favorito é seu aliado Cleitinho Azevedo, senador pelo Republicanos), passa a ser a de repetir as caminhadas no País. Nos Estados de campanha fraca para o candidato de seu partido a presidente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), será responsabilidade sua a mobilização popular. Afinal, é um raro liberal com trânsito não apenas no PL, mas também nos demais partidos do Centrão e da direita. Evangélico, congrega em uma igreja pequena de Belo Horizonte, a Graça e Paz, mas está longe do pastor Silas Malafaia, pois não transforma sua fé numa máquina de aporrinhar quem professa outra religião.

Cada passo da marcha a Brasília aproximou Nikolas da liderança que a direita ainda não tem de forma indiscutível para substituir Jair Bolsonaro nos diversos públicos que conquistou. Mas o deputado mineiro dispõe de tempo, destemor e empatia. Ainda não tem idade para ser candidato a senador, mas será no mínimo reeleito para voltar à Câmara em 2027 revestido de um poder que tanta falta faz ao Congresso – o do apoio conquistado de graça.

 

 

 

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