Consumo de medicamentos psiquiátricos cresce entre trabalhadores
Antidepressivos são os mais consumidos e população entre 26 a 45 anos é que mais consome
O consumo de medicamentos psiquiátricos apresentou crescimento nos últimos anos entre brasileiros em idade economicamente ativa. Um levantamento com dados do Programa de Benefícios em Medicamentos (PBM) corporativo da epharma aponta aumento de 25% no volume de caixas adquiridas entre janeiro e agosto de 2022 e o mesmo período de 2025. Na comparação entre 2024 e 2025, o avanço foi de 4,5%.
A análise reuniu informações de usuários das cinco regiões do país que utilizam o benefício corporativo para obtenção de descontos em farmácias. No mesmo intervalo, o número de beneficiários do programa cresceu 38%, indicando ampliação do acesso e maior adesão a tratamentos contínuos com medicamentos psiquiátricos.
O maior crescimento do consumo foi registrado entre pessoas de 26 a 45 anos, faixa etária majoritariamente inserida no mercado de trabalho. Entre as classes terapêuticas analisadas, os antidepressivos concentram o maior volume de uso, seguidos por outros fármacos indicados para transtornos mentais comuns.
Medicamentos psiquiátricos refletem avanço do esgotamento no trabalho
O aumento do consumo ocorre em paralelo à intensificação de quadros associados ao esgotamento profissional. Dados do Ministério da Previdência Social indicam crescimento de 493% nos auxílios-doença concedidos por burnout entre 2021 e 2024. Já a Isma-BR estima que a condição afete cerca de 30% da população brasileira.
O levantamento do PBM indica ainda que o tempo médio de tratamento por usuário permaneceu relativamente estável, variando entre 56 e 60 dias. O dado sugere que o avanço no uso de medicamentos psiquiátricos está relacionado a acompanhamentos de médio e longo prazo, e não apenas a intervenções pontuais em situações de crise.
Especialistas da área apontam que o crescimento do consumo está inserido em um contexto mais amplo de mudanças sociais, econômicas e organizacionais, marcado por pressão por desempenho, aumento do custo de vida e dificuldades de acesso a outras formas de cuidado em saúde mental. Nesse cenário, os medicamentos psiquiátricos acabam se tornando a alternativa mais imediata e acessível para parte da população.
O avanço do consumo reforça a necessidade de ampliar estratégias de prevenção, promoção de saúde mental e políticas públicas voltadas ao bem-estar no trabalho, de modo que o uso de medicamentos psiquiátricos não seja a única resposta disponível às demandas emocionais da vida contemporânea.
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