Caiado reforça aliança entre base e PL goiano, enquanto Wilder resiste
A expectativa é que o projeto eleitoral da sigla passe por mudanças após visita de Wilder a Bolsonaro, em fevereiro
Uma das maiores incertezas sobre as pré-candidaturas ao Governo de Goiás gira em torno do porquê o senador bolsonarista Wilder Morais (PL) não detalha os motivos de ainda manter interesse por disputar o Palácio das Esmeraldas diante da atual conjuntura política que o Partido Liberal se encontra em Goiás.
Presidente estadual da sigla, o senador corre o risco de ter sua imagem prejudicada por conta de determinadas posições do governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), que reitera que a base do governo está de acordo fechado com o PL para garantir mais apoio à pré-candidatura do adversário de Wilder, o vice-governador Daniel Vilela (MDB).

Tanto o chefe do Executivo goiano quanto seu vice consideram a tentativa de aliança com a extrema direita como algo tido como normal em processos eleitorais, uma vez que a busca das siglas para compor alianças é fundamental para legendas que necessitam de fortalecer candidaturas para fins eleitorais específicos.
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Quando interrogado sobre a parceria entre os partidos, Caiado disse na segunda-feira segunda-feira (26) ao O Popular: “É lógico que essa decisão virá pelo partido do PL”.

Porém, na última quinta-feira (30), o governador disse estar fechado o acordo entre o PL e a base do governo em apoio à pré-candidatura de Daniel. Caiado afirmou que a aliança com a legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro está consolidada, apesar de sua filiação ao PSD e os entraves políticos decorrentes disso.
Interesses em torno da aliança
A possível ligação do partido presidido por Wilder em Goiás com a base do governo também sustenta os interesses do pré-candidato ao Planalto e de seus aliados no que diz respeito à formação de uma chapa para o Senado. Se consolidada essa tendência, os nomes a disputar o Senado na chapa de Daniel Vilela seria a primeira-dama Gracinha Caiado (UB) e o deputado federal bolsonarista Gustavo Gayer (PL).

A formulação de tal chapa ao Senado teve início por meio de uma reunião em dezembro de 2025, que contou com a participação de Caiado, Wilder, Gayer e o primogênito de Bolsonaro e pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A partir desse encontro, criou-se a expectativa de que o senador carioca levaria ao seu pai a proposta costurada na reunião antes de qualquer decisão final. Desde então, Caiado reitera a aliança entre os partidos.
Discordâncias
Quanto a essa parceria entre as siglas, Caiado dá declarações que dão a entender que o governador e o ex-presidente já bateram o martelo, apesar de Wilder rejeitar a hipótese de desistência em concorrer ao Governo do Estado. O senador por Goiás e presidente estadual do PL foi direto ao afirmar que não há qualquer acordo, como diz o governador.

O que se espera é que o arranjo político e a situação atual do PL no Estado só tenha uma possibilidade de conclusão após o dia 14 de fevereiro. Nessa data, Wilder está autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena na Papudinha, em Brasília.
Até o momento, o senador demonstra o interesse em manter sua pré-candidatura com o intuito de aguardar o que será definido após a reunião com Bolsonaro. Mesmo que aliados do PL passem a dar como certo o apoio do ex-presidente à aliança entre o partido e a chapa de Daniel Vilela e da base caiadista em Goiás.
Wilder resiste
A manifestação de Wilder, ao afirmar que seu partido não fará aliança com a base do governo, é vista como a quebra do silêncio que o senador mantinha sobre o assunto. O senador só se manifestou na última semana sobre uma possível proposta do PL nacional que poderia estimulá-lo a desistir da pré-campanha ao Palácio das Esmeraldas para aceitar o cargo de tesoureiro na pré-campanha presidencial de Flávio.

Em entrevista ao O HOJE, o cientista político Lehninger Mota avalia o posicionamento de Caiado em relação aos interesses em torno de uma possível aliança entre o PL e a base do governo.
“Essa é a tentativa do Caiado, tirar um candidato que tem um espectro ideológico mais à direita, que é o caso do senador Wilder Morais. O senador dialoga com a direita, que possui muita força em Goiás e que é um entrave para Daniel. Marconi é muito conhecido politicamente, mas possui um desgaste muito grande. Então, certamente, deve haver uma perspectiva de crescimento do poder de Wilder na ala da direita no Estado”, pontua Mota. (Especial para O HOJE)