Brasil ganha 2 milhões de novos corredores em um ano
Mulheres, jovens e classe C impulsionam avanço do esporte
Em 2025, a corrida de rua ampliou sua base de praticantes no Brasil e passou a concentrar um perfil mais diverso. A modalidade chegou a 15 milhões de corredores no país, resultado da entrada de 2 milhões de novos praticantes em apenas um ano. Os números fazem parte da segunda edição da pesquisa Por Dentro do Corre, realizada pela Olympikus em parceria com a Box1824, com entrevistas conduzidas em todas as regiões brasileiras.
O crescimento não se distribui de forma homogênea. Ele é puxado por grupos historicamente menos associados à corrida de rua, como mulheres, jovens adultos e pessoas da classe C. Em um intervalo de doze meses, a participação dessa faixa de renda saltou de 36% para 43% do total de praticantes. O movimento reforça a consolidação da corrida como uma atividade compatível com orçamentos restritos e rotinas fragmentadas, sustentada pela ocupação do espaço público e pela baixa exigência de equipamentos.
A renovação etária acompanha esse deslocamento social. A idade média dos corredores caiu de 37 para 34 anos, resultado direto da expansão da faixa entre 18 e 24 anos, que passou a representar um quinto dos praticantes. Entre as mulheres, a entrada é ainda mais recente: mais da metade começou a correr há menos de um ano, índice que evidencia não apenas adesão, mas uma redefinição do sentido atribuído à prática.
A corrida ocupa hoje a quarta posição entre os esportes mais praticados no país, atrás apenas de caminhada, musculação e futebol. Embora a saúde física e mental permaneçam como motivações centrais, a forma de engajamento mudou. A frequência média semanal caiu quase pela metade, enquanto a distância total percorrida aumentou. O dado sugere uma reorganização da prática, menos orientada pela regularidade rígida e mais adaptada a agendas instáveis.
O espaço urbano segue como cenário predominante, mas não sem tensões. A insegurança aparece como um fator limitador, sobretudo para mulheres, que relatam maior dificuldade em correr ao ar livre. Esse contexto ajuda a explicar o crescimento da presença feminina em ambientes controlados, como academias, e aponta para uma assimetria persistente no acesso à cidade.
Ao mesmo tempo, a corrida se tornou menos solitária. Cresceu a adesão a grupos e assessorias, e aumentou a participação em provas oficiais, indicando que a experiência coletiva passou a ocupar papel central na permanência dos praticantes. Em 2025, quase um terço dos corredores participou de eventos competitivos, número superior ao registrado no ano anterior.
Para a Box1824, o conjunto dos dados indica que a corrida de rua deixou de ser apenas um fenômeno esportivo e passou a funcionar como termômetro social. A prática se dissemina, mas carrega consigo novas pressões e expectativas, ao mesmo tempo em que se consolida como uma das formas mais viáveis de bem-estar na vida cotidiana brasileira.
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