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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
Saúde e desigualdade

Estresse financeiro é fator de risco cardíaco e atinge mais população negra

Estudos indicam que o estresse financeiro crônico afeta o coração e atinge com mais força a população negra no Brasil

Luana Avelarpor Luana Avelar em 5 de fevereiro de 2026
Estresse financeiro
Foto: iStock

A dificuldade financeira prolongada não adoece apenas o orçamento. Pesquisas recentes da American Heart Association indicam que o estresse financeiro contínuo atua como fator relevante no aumento do risco de doenças cardiovasculares, ao manter o organismo em estado permanente de alerta e sobrecarga hormonal.

Os estudos apontam que situações de desemprego, endividamento e insegurança econômica elevam de forma persistente os níveis de cortisol, hormônio associado ao estresse. Quando mantido alto por longos períodos, esse mecanismo fisiológico contribui para o aumento da pressão arterial, processos inflamatórios e desgaste do sistema cardiovascular, ampliando a probabilidade de infarto, AVC e outras complicações cardíacas.

Os pesquisadores ressaltam que não é a escassez de dinheiro, isoladamente, que desencadeia a doença, mas a experiência prolongada de preocupação, ansiedade e incerteza, elementos centrais do estresse financeiro.

Estresse financeiro e desigualdade racial

No Brasil, esse fator de risco ganha contornos sociais e raciais bem definidos. Dados recentes do IBGE, do Insper e do DIEESE mostram que pessoas negras, pretas e pardas, concentram os menores níveis de renda no país, o que as expõe de forma mais intensa ao estresse financeiro descrito pelos estudos internacionais.

Trabalhadores brancos recebem, em média, 67,7% a mais por hora trabalhada do que trabalhadores negros. A renda mensal da população negra corresponde a cerca de 58% da renda da população branca, diferença que persiste mesmo em cargos de chefia. Entre diretores, profissionais negros ganham, em média, 34% a menos. No recorte de gênero, mulheres negras recebem cerca de 53% menos do que homens brancos.

Especialistas indicam que essas disparidades não se explicam apenas por escolaridade, mas por fatores estruturais, como discriminação racial no mercado de trabalho, maior inserção na informalidade e concentração regional em áreas com menor média salarial.

Na prática, isso significa maior exposição cotidiana ao estresse financeiro, condição associada não apenas ao adoecimento cardiovascular, mas também a alterações no sono, alimentação irregular, sedentarismo e menor acesso a acompanhamento médico, fatores que se retroalimentam.

Estudos citados por pesquisadores brasileiros apontam que, mantido o ritmo atual de redução das desigualdades, seriam necessários mais de 300 anos para que a renda média de pessoas negras se equiparasse à de pessoas brancas no país.

Nesse cenário, o debate sobre saúde do coração extrapola o campo individual e clínico. O estresse financeiro, apontado como fator de risco por pesquisas internacionais, revela no Brasil uma dimensão social profunda, na qual renda, raça e saúde permanecem intimamente conectadas.

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