Caso Orelha: MP apura coação contra porteiro em condomínio de Florianópolis
Investigação envolve familiares de adolescentes ligados à morte de cachorro comunitário na Praia Brava
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) apura um possível crime de coação contra o porteiro de um condomínio na Praia Brava, em Florianópolis. Três pessoas foram indiciadas após ameaças ao trabalhador, que teria feito um registro fotográfico de adolescentes investigados pela morte do cachorro comunitário Orelha, ocorrida em 5 de janeiro.
Segundo a Polícia Civil, os indiciados são familiares dos adolescentes suspeitos pelo caso envolvendo o animal. A investigação aponta que os adultos teriam intimidado o porteiro com o objetivo de impedir o repasse de informações às autoridades.
O episódio é analisado no âmbito da Delegacia de Proteção Animal, que acompanha os desdobramentos tanto do caso de maus-tratos com o Orelha quanto da suposta coação ao funcionário do prédio.
Vídeo registra momento das ameaças ao porteiro
Um vídeo exibido com exclusividade pelo programa Domingo Espetacular, da Record TV, registrou parte da ocorrência. As imagens foram gravadas no dia 13 de janeiro, pouco depois da meia-noite.
O registro mostra o momento em que uma mulher deixa o condomínio acompanhada de um dos adolescentes investigados. Ao passar pelo porteiro, o jovem dirige xingamentos ao trabalhador. Minutos depois, o pai e o tio do adolescente aparecem no local.
De acordo com a Polícia Civil, o episódio de coação ocorreu entre os dias 12 e 13 de janeiro. Conforme relato da delegada Mardjoli Adorian Valcareggi, responsável pelo inquérito, o tio de um dos adolescentes apresentava “um volume na região da cintura”, o que levantou a suspeita de que estivesse armado durante a abordagem.
“A postura dos envolvidos gerou a suspeita de porte de arma no momento da coação”, afirmou a delegada em declarações à Polícia Civil.
Apesar da desconfiança, a existência de arma de fogo não foi confirmada até o momento.
Após a denúncia, equipes da Polícia Civil realizaram diligências na residência dos suspeitos, em busca de possíveis objetos utilizados para intimidar o porteiro. Durante a ação, nenhuma arma foi localizada.
A investigação aponta que as ameaças teriam como finalidade evitar que o porteiro compartilhasse imagens ou informações sobre os adolescentes investigados pela morte do cachorro Orelha.
Segundo a apuração, o trabalhador teria feito uma foto dos jovens envolvidos, o que teria motivado a reação dos familiares. O conteúdo do registro e a forma como foi utilizado seguem sob análise dos investigadores.
“O inquérito apura se houve tentativa de obstruir a investigação e constranger o porteiro para que não colaborasse com as autoridades”, informou a Polícia Civil em nota.
Porteiro foi afastado após o episódio
Após o ocorrido, o porteiro recebeu férias compulsórias por decisão da administração do condomínio onde trabalha. A medida foi adotada depois do episódio envolvendo os familiares dos adolescentes investigados.
O afastamento do funcionário também integra o contexto apurado pelo Ministério Público, que acompanha os impactos do caso na rotina do condomínio e na situação do trabalhador.
O MPSC informou que analisa os elementos reunidos pela Polícia Civil para definir eventuais medidas no âmbito criminal relacionadas ao crime de coação.
Caso Orelha segue sob investigação
Paralelamente à apuração das ameaças, a morte do cachorro comunitário Orelha continua sob investigação. O animal era conhecido por frequentar a região da Praia Brava e teve a morte registrada no início de janeiro.
Os adolescentes investigados pelo caso permanecem no centro das apurações, enquanto as autoridades analisam provas, depoimentos e registros audiovisuais relacionados ao episódio.
A Polícia Civil informou que novas diligências podem ser realizadas conforme o avanço das investigações. O Ministério Público acompanha os dois inquéritos — tanto o que trata da morte do animal quanto o que apura a coação contra o porteiro — para avaliar eventuais responsabilizações criminais.
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