Ex-piloto acusado de matar adolescente tinha histórico de agressões no DF
A investigação aponta ao menos quatro episódios de violência envolvendo Pedro Turra
O ex-piloto de automobilismo Pedro Turra, de 19 anos, já era conhecido da Polícia Civil do Distrito Federal por um histórico de comportamento violento antes de ser acusado de agredir e matar o adolescente Rodrigo Castanheira, de 16 anos, após uma discussão por causa de um chiclete. Segundo os investigadores, há boletins de ocorrência e depoimentos que apontam pelo menos quatro episódios distintos de violência atribuídos ao jovem, envolvendo vítimas de diferentes idades e perfis.
Um dos registros mais recentes ocorreu em julho de 2025, em Águas Claras, durante uma briga de trânsito. Na ocasião, Pedro teria agredido um homem de 49 anos. Imagens anexadas ao inquérito mostram o ex-piloto desferindo tapas no rosto da vítima e exigindo pedidos de desculpa, enquanto o homem tenta se proteger. O caso foi registrado como vias de fato.
Outro episódio investigado envolve uma adolescente que relatou ter sido coagida a consumir bebida alcoólica durante uma festa no Jóquei Clube de Brasília, quando ainda tinha 17 anos. Segundo o depoimento, Pedro insistiu para que ela ingerisse vodca mesmo após recusas e teria ordenado que outras pessoas a segurassem. Um vídeo entregue à polícia mostra o momento em que a jovem tenta se afastar enquanto ele segura a garrafa. O caso resultou na abertura de um segundo inquérito com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Há ainda o registro de uma agressão ocorrida em junho de 2025, em uma praça de Águas Claras. Um jovem de 18 anos denunciou que foi atacado após uma conversa aparentemente pacífica. Conforme o relato, Pedro teria desferido um soco pelas costas e aplicado um golpe conhecido como “mata-leão”, interrompendo a agressão apenas após a intervenção de terceiros.
Padrão agressivo
De acordo com a Polícia Civil, os episódios demonstram um padrão de comportamento agressivo, envolvendo homens, mulheres, adolescentes e até pessoas mais velhas. Para os investigadores, o conjunto das ocorrências afasta a hipótese de que a agressão ao adolescente de 16 anos tenha sido um ato isolado ou impulsivo.
Pedro Turra chegou a ser preso logo após a agressão a Rodrigo Castanheira, mas foi solto após o pagamento de fiança no valor de R$ 24,3 mil. Com o surgimento de novas provas e denúncias, a Justiça decretou novamente a prisão preventiva, e ele foi transferido para o Complexo da Papuda, onde permanece detido.

Com a morte do adolescente, confirmada na manhã de sábado (7), após 16 dias internado em estado gravíssimo, a tipificação do crime pode ser alterada de lesão corporal gravíssima para homicídio, a depender da conclusão do Ministério Público. A polícia também avalia a apreensão do passaporte do investigado.
Defesa
A defesa do ex-piloto informou que não irá se manifestar sobre os casos antigos ou novas denúncias. Em relação à morte de Rodrigo Castanheira, o advogado declarou, por meio de nota, que, “em nome da família de Pedro Turra, com profundo respeito e sincera solidariedade”, lamenta o falecimento do jovem. A defesa afirmou ainda que Pedro estaria “profundamente arrependido”.