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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
12 mil novos casos

Leucemia tem anemia como sinal inicial, mas exige diagnóstico criterioso

Neste Fevereiro Laranja médica traz esclarecimentos sobre a enfermidade e desfaz mitos

Luana Avelarpor Luana Avelar em 10 de fevereiro de 2026
leucemia
Foto: iStock

Embora seja mais frequentemente associada à população idosa, a leucemia ocupa uma posição distinta no cenário oncológico brasileiro. Segundo dados consolidados pelo Observatório da Oncologia, trata-se do tipo de câncer mais comum entre crianças, adolescentes e jovens de até 20 anos. No Brasil, são registrados cerca de 12 mil novos casos por ano, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer, número que sustenta campanhas nacionais de conscientização concentradas no mês de fevereiro.

Entre os sinais iniciais mais recorrentes da leucemia está a anemia, condição caracterizada pela redução de glóbulos vermelhos saudáveis no sangue, responsáveis pelo transporte de oxigênio para os tecidos. A diminuição dessas células compromete funções vitais do organismo e costuma se manifestar por cansaço intenso e palidez, sintomas que frequentemente levam o paciente a buscar atendimento médico.

leucemia
Foto: iStock

Quando a anemia pode indicar leucemia

A presença de anemia, no entanto, não autoriza conclusões precipitadas. A hematologista Maria Amorelli, que atua em Goiânia, ressalta que o quadro é comum a diversas condições clínicas. “Quando se trata de leucemia, o paciente em geral começa a ficar bastante cansado, às vezes tem uma palidez cutânea e, junto com isso, surgem outros sintomas como manchas roxas pelo corpo, infecções e sangramento, ao escovar os dentes, por exemplo”, pontua.

A médica esclarece que a anemia pode decorrer de deficiência de ferro, vitamina B12 ou ácido fólico, além de inflamações, infecções, doenças crônicas, perdas sanguíneas e condições genéticas. Nesses casos, não há relação direta com leucemia. “Uma anemia por falta de ferro, anemia falciforme, por exemplo, essas anemias hereditárias e genéticas, elas nunca poderão se transformar em leucemia”, diz.

O ponto de atenção, segundo a especialista, está na recorrência do quadro. “Se a anemia começa a retornar com muita frequência, isso sempre é um sinal maior de alarme. Uma anemia, por exemplo, por falta de ferro que fica se repetindo, pode ser sinal de um sangramento ou um câncer oculto. Pode ser uma doença da medula óssea, na fábrica do sangue que pode predispor a uma leucemia. Então, sempre que a anemia se repete, é importante que a gente busque uma investigação mais aprofundada com o hematologista”, afirma.

A vigilância clínica é considerada decisiva porque a leucemia, quando diagnosticada precocemente, apresenta melhores respostas ao tratamento. O desafio está em diferenciar manifestações comuns de alterações persistentes que exigem investigação especializada, evitando tanto alarmismo quanto atrasos no diagnóstico.

Fevereiro laranja

Maria Amorelli ressalta que a campanha Fevereiro Laranja é importante para conscientizar a população sobre os sintomas da leucemia para que se faça um diagnóstico precoce. “É também uma campanha para alertar também sobre predisposição familiar como uma causa importante, e sobre a necessidade de se fazer exames de prevenção em alguns casos”, diz. “Além da doação de medula óssea e de sangue e de plaquetas, que é essencial no tratamento desses pacientes, pois precisam de muitas transfusões, principalmente nos tratamentos das leucemias agudas”, completa.

Além da predisposição familiar, pessoas que já foram tratadas para outros tipos de câncer e expostas à quimioterapia ou radioterapia possuem mais chances de desenvolver uma leucemia. “Todos esses tratamentos que a gente chama de citotóxicos podem ajudar a gerar uma leucemia. Além disso, aquela pessoa que tem exposição constante a agrotóxicos, ao benzeno, isso tudo a gente pode ter um risco um pouco aumentado”, destaca a especialista.

Segundo a hematologista, os tratamentos estão evoluindo e se tornando mais assertivos. “O tratamento e o diagnóstico da leucemia mudaram muito nos últimos anos. Hoje em dia existem exames moleculares em que conseguimos saber exatamente qual a mutação que levou a essa leucemia, e usar um medicamento específico para aquele tipo da doença. É como um mecanismo de chave e fechadura, em que a gente descobre qual a mutação específica daquela leucemia”, salienta a médica.

Leia mais: Fevereiro Laranja conscientiza sobre diagnóstico precoce da leucemia

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