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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
Congresso Nacional

Câmara aprova urgência para projeto que prevê internação de menores por crueldade animal

Texto inclui violência contra animais entre hipóteses de internação previstas no ECA

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 10 de fevereiro de 2026
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Foto: Divulgação

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, nesta segunda-feira (9), o regime de urgência para a tramitação de um projeto que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em casos de crueldade animal. A proposta prevê a possibilidade de internação de menores de idade envolvidos em casos de extrema crueldade contra animais.

Na prática, a aprovação do requerimento de urgência acelera a análise da matéria. Com isso, o texto deixa de tramitar pelas comissões temáticas da Casa e pode ser votado diretamente em plenário. A medida reduz o tempo de tramitação e antecipa a deliberação final pelos parlamentares.

Urgência acelera tramitação no plenário

O avanço do projeto ocorre após a repercussão nacional da morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis, Santa Catarina. O caso envolveu adolescentes suspeitos de espancamento do animal até a morte. Reportagem exibida pela CNN Brasil apontou entraves legais que impediram a aplicação da internação aos envolvidos, conforme a legislação atual.

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Foto: Divulgação

Atualmente, o ECA estabelece que a internação é aplicada apenas em atos infracionais cometidos com grave ameaça ou violência contra pessoas. Além disso, o prazo máximo de cumprimento de medida socioeducativa é de até três anos, independentemente da gravidade do ato.

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Mudanças previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente

O projeto em análise propõe alterar esse entendimento ao incluir atos de violência grave contra animais como passíveis de internação. A proposta também prevê o aumento do tempo máximo da medida socioeducativa para até cinco anos, podendo chegar a dez anos em situações classificadas como atos gravíssimos.

A iniciativa busca modificar o artigo 122 do ECA, que atualmente não contempla crimes de crueldade contra animais como fundamento para aplicação da internação. Com a mudança, a legislação passaria a reconhecer a violência animal como critério para adoção da medida mais severa prevista no sistema socioeducativo.

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Foto: Divulgação

Origem da chamada “Lei Orelha”

A proposta ficou conhecida como “Lei Orelha” após a apresentação de um projeto de lei pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES), na última sexta-feira (6). O texto altera dispositivos do ECA com o objetivo de garantir punição mais rigorosa em casos de maus-tratos graves contra animais.

Na justificativa do projeto, o senador menciona diretamente o caso do cão Orelha como caso de crueldade, destacando que a conduta investigada envolve violência extrema. O episódio gerou manifestações e protestos em diversas cidades do país, ampliando o debate sobre a legislação vigente.

Além dessa proposta, Contarato também é autor do Projeto de Lei nº 1.473/2025, que amplia o tempo máximo de internação de adolescentes em conflito com a lei. A matéria foi aprovada pelo Senado em outubro de 2025 e aguarda análise na Câmara dos Deputados.

Com a aprovação do regime de urgência para crueldade, a Câmara poderá votar o mérito do projeto nos próximos dias, dando andamento à discussão sobre mudanças no sistema socioeducativo em casos de violência contra animais.

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