Venezuela liberta 17 presos políticos em meio a pressão por anistia
Libertação de presos políticos ocorre após adiamento de lei de anistia e início de greve de fome de familiares em Caracas
A Venezuela libertou 17 presos políticos na madrugada deste sábado (14), em Caracas, em meio à pressão de familiares e ao adiamento do debate sobre uma lei de anistia que pode beneficiar pessoas detidas por participação em protestos. A libertação foi divulgada pelo movimento de oposição Vente Venezuela e pela ONG Clippve.
Segundo as organizações, os libertados estavam detidos nas celas da Polícia Nacional conhecidas como Zona 7, na capital venezuelana. O grupo é formado por dez homens e sete mulheres. O governo ainda não se manifestou oficialmente sobre a soltura.
A libertação ocorre dois dias após legisladores adiarem, na quinta-feira (12), o debate sobre um projeto de lei de anistia que prevê clemência imediata a pessoas presas por envolvimento em manifestações políticas.
A medida faz parte de um processo conduzido pela presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o poder no mês passado após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. Desde então, ela atendeu a exigências da administração de Donald Trump relacionadas às vendas de petróleo e libertou centenas de detidos classificados por organizações de direitos humanos como presos políticos, como parte da normalização das relações entre os dois países.

Familiares fazem greve de fome na Venezuela
Mesmo com as libertações, familiares continuam mobilizados. Também neste sábado, parentes iniciaram uma greve de fome em frente à Zona 7 para pressionar por mais solturas. De máscara, cerca de dez mulheres se deitaram em fila na entrada do local, onde familiares acampam há mais de um mês, e deixaram uma lista com os nomes das participantes escrita à mão.
O grupo cobra rapidez no cumprimento do processo de libertações anunciado em 8 de janeiro e defende que todos os presos políticos sejam incluídos nas medidas de clemência.