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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
Saúde & Beleza

Extensões de cabelo contêm substâncias ligadas a câncer

Estudo identifica compostos ligados a câncer e alerta para falta de transparência na indústria de beleza

Luana Avelarpor Luana Avelar em 18 de fevereiro de 2026
Extensões de cabelo
Foto: ApoHair

Um levantamento conduzido pelo Silent Spring Institute e publicado na revista Environment & Health trouxe novas evidências sobre a presença de substâncias potencialmente tóxicas em extensões de cabelo comercializadas no varejo. A análise incluiu 43 produtos, feitos de fibras sintéticas e de cabelo humano, vendidos em lojas físicas e plataformas digitais.

Os pesquisadores identificaram mais de 900 assinaturas químicas e catalogaram 169 compostos distintos. Entre eles estavam retardantes de chama, ftalatos, pesticidas e organoestânicos. Parte dessas substâncias já é associada a desregulação hormonal, alterações no sistema imunológico e maior risco de câncer, segundo classificações de órgãos internacionais de saúde.

Em 36 amostras, 17 compostos apresentaram ligação com interferências endócrinas e risco aumentado de câncer de mama. Quase 10% dos produtos continham organoestânicos acima dos limites considerados seguros na União Europeia. De acordo com os autores, tratamentos químicos aplicados para conferir resistência ao fogo, impermeabilidade e ação antimicrobiana podem explicar parte dessa composição.

Como as extensões permanecem em contato direto com o couro cabeludo, há possibilidade de absorção cutânea. O aquecimento frequente com secadores e chapinhas também pode liberar partículas no ar, ampliando a exposição por inalação.

Extensões de cabelo e exposição desigual

O estudo destaca ainda que o uso de extensões de cabelo é mais frequente entre mulheres negras nos Estados Unidos, onde mais de 70% relataram utilizar o produto, contra menos de 10% entre outros grupos raciais. A diferença aponta para um impacto potencialmente concentrado, associado a padrões de consumo e oferta de mercado.

Os pesquisadores ressaltam que os resultados não significam que todas as extensões causem doenças, mas indicam lacunas regulatórias e necessidade de maior transparência. A ausência de rotulagem detalhada dificulta a avaliação de riscos e limita escolhas informadas por parte dos consumidores.

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