Ex-senador ganha vice de Daniel em acordo nacional com evangélicos
Se fosse hoje a convenção dos partidos aliados ao Governo de Goiás, o pastor Luiz Carlos do Carmo, da Assembleia de Deus, entraria na chapa após aliança em que igrejas se comprometem a apoiar Ronaldo Caiado para presidente da República
Vai lendo que você descobrirá como o raio pode cair pela 2ª vez no mesmíssimo lugar. Depois de uma espera de décadas, em 2014, finalmente, o então deputado federal Ronaldo Caiado via a possibilidade de cumprir a tradição da família e ser senador, a 5ª geração seguida. Não seria fácil, pois o chefe do Executivo era seu inimigo Marconi Perillo, que havia acabado de receber R$ 13 bilhões da presidente Dilma Rousseff para consertar estradas (o ex-governador só admite ter chegado menos de 30% desse montante).
Para enfrentar Caiado, o governador havia lançado Vilmar Rocha, com o 1º suplente sendo Cyro Miranda, à época senador, pois herdara a cadeira de Marconi. Portanto, qualquer erro poderia ser fatal, principalmente quanto aos companheiros de chapa. Caiado se convenceu de que precisava de um líder evangélico e alguém do Entorno de Brasília para suas duas suplências. E convidou Luiz Carlos do Carmo e Eládio Carneiro. Então, há 12 anos o raio caía pela 1ª vez no colo de Luiz Carlos.
Maior nome da Assembleia de Deus indicou Carmo
Caiado chegou a essa alternativa graças a um velho amigo, na idade e no tempo de convivência, o bispo Manoel Ferreira, líder supremo do mais numeroso ramo da Igreja Assembleia de Deus, o Madureira, com sede no Rio de Janeiro. Ferreira havia tido ótimo relacionamento com Caiado em seus tempos de colegas na Câmara dos Deputados.
Consultado, o bispo se lembrou que o campo de Campinas (bairro de Goiânia) de sua igreja já havia feito um senador que começara suplente, Albino Boaventura, que compôs a chapa de Mauro Miranda entre 1995 e 2003. Albino, fundador daquele segmento da denominação, substituiu Miranda em dois períodos, em 1997 e 2000 e os líderes nacionais da igreja consideraram sua interinidade uma excelente conquista.
Suplente ficou mais no Senado do que Caiado
Eureca! Ferreira conversou com os irmãos Carmo, que assumiram a chefia do campo após a morte de Albino, em agosto de 2002, portanto, antes do encerramento de seu mandato. O líder da ramificação da igreja é o pastor Oídes do Carmo, mas o clã entrou em acordo para a vaga na chapa de Caiado ser ocupada por Luiz Carlos. O restante da história é mais conhecido: Caiado foi eleito governador em 2018 e o indicado de Ferreira ficou no Senado até 31 de janeiro de 2023, quase 50 meses, mais que o titular.
É agora que cai o raio novamente em Luiz Carlos do Carmo. Em 2022, dezenas de postulantes queriam se candidatar ao Senado na chapa de reeleição de Caiado, que não teve concorrente, pois o único adversário à altura seria Daniel Vilela, do MDB, tornado seu vice. Luiz Carlos poderia muito bem ter batido o pé, dado piti, feito escândalo para ocupar uma das vagas. Pelo contrário: abriu mão de ser candidato à reeleição e ficou apenas na campanha de Caiado. Que não esqueceu o gesto.
Articulações estão rendendo
Pré-candidato à Presidência da República, Caiado tem agido nas variadas áreas para aumentar suas chances. Uma delas é das lideranças religiosas. As articulações renderam. Ainda não se pode ver um terrivelmente evangélico ou católico como seu companheiro de chapa, porém, já se pode adiantar que, após muitas reuniões, lideranças nacionais levantaram a possibilidade de Luiz Carlos ser o vice de Daniel. As articulações já afunilaram tanto que se as convenções das diversas siglas aliadas ao Governo de Goiás fossem realizadas hoje, a chapa seria Daniel governador, Luiz Carlos vice e Gracinha Caiado senadora. Apenas a 2ª vaga ao Senado está aberta.
Isso não significa que os demais favoritos estejam descartados. Após o senador Wilder Morais (PL) firmar candidatura ao governo, ampliaram-se as possibilidades de o vice de Daniel voltar a ser o ex-deputado federal José Mário Schreiner, 2º maior líder ruralista de Goiás (o 1º é Caiado). No momento, José Mário é presidente ao mesmo tempo da Federação de Agricultura (Faeg) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-GO), além de ser o principal dirigente do Sebrae-GO. Como grande parte dos produtores rurais goianos é ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, seria uma fonte de votos e apoios para Wilder. A forma que os governistas veem de barrar é com Schreiner na chapa.
Os demais pré-candidatos a vice

Além de Luiz Carlos e José Mário, ambos com ligações caiadistas históricas, há um nome que tem até o sobrenome: Adriano Rocha Lima é da família – não um Caiado, mas primo de Ronaldo. À exceção do casal Caiado, o pelotão de elite do mandato com a maior aprovação do Brasil é formado por Adriano (secretário-geral de Governo) ao lado de Andréa Vulcanis (Meio Ambiente), César Moura (Retomada), Fátima Gavioli (Educação), Pedro Sales (Goinfra, a agência de obras) e Rudson Guerra (recém-saído de Esportes). Adriano é citado primeiro não apenas porque a lista está em ordem alfabética. Portanto, a concorrência interna é de altíssimo nível. Caso Luiz Carlos vença a disputa na base, sai cacifado no topo, pois o patamar é inédito.
José Mário também dispõe de articulação nacional. É há décadas vice-presidente da CNA, mais respeitada entidade de agropecuaristas do Brasil. Seria bis in idem (“duas vezes pelo mesmo” em latim) numa chapa com Caiado, mas conta demais como companheiro de Daniel. A diferença é que Luiz Carlos do Carmo pode unificar um segmento que vive fracionado, só se uniu para ajudar Jair Bolsonaro. Segundo O HOJE apurou nos bastidores, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem possibilidade de juntar bastantes líderes evangélicos, mas não repetirá o pai – até porque Ronaldo Caiado está com uma gorda lista já apalavrada. Em vez de ser um raio que cai, seria uma luz a clarear bastante o caminho até a Praça dos Três Poderes. (Especial para O HOJE)