Greve geral na Argentina cancela voos para o Brasil e adia jogos do Campeonato Argentino
Paralisação de 24 horas atinge aeroportos, transporte público e exportações no dia em que deputados analisam reforma trabalhista
Uma greve geral convocada na Argentina nesta quinta-feira (19) provocou o cancelamento e a reprogramação de dezenas de voos entre Brasil e Argentina, além do adiamento de partidas do Campeonato Argentino. A paralisação ocorre no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados debate o projeto de reforma trabalhista do governo de Javier Milei, já aprovado pelo Senado.
A mobilização foi organizada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) e conta com adesão de sindicatos do setor aéreo, transporte público, petróleo e serviços portuários. Segundo o jornal Clarín, desde a meia-noite não há operação de trens, metrôs ou aviões no país, com exceção de algumas linhas de ônibus.
No setor aéreo, a Aerolíneas Argentinas anunciou o cancelamento de 255 voos. Em nota, a companhia informou que a greve afetará cerca de 31 mil passageiros e terá impacto econômico estimado em 3 milhões de dólares. Do total, 21 voos de e para o Brasil foram cancelados.
A Gol Linhas Aéreas comunicou que a paralisação inviabiliza operações aeroportuárias em Buenos Aires, Córdoba, Mendoza e Rosário, o que levou ao cancelamento de parte dos voos entre Brasil e Argentina. Já a LATAM Airlines informou que ajustou sua malha aérea após notificação formal de adesão dos sindicatos que representam trabalhadores da Intercargo, empresa responsável pelos serviços de rampa nos aeroportos argentinos. A companhia declarou que “alguns voos poderão operar com alteração de horário e/ou data, sem necessariamente serem cancelados”.
A JetSmart afirmou que cancelou todos os voos domésticos na Argentina e os internacionais programados para esta quinta-feira. Segundo a empresa, 96 voos e cerca de 17 mil passageiros foram impactados. Por outro lado, a Flybondi informou que transferiu suas operações do Aeroporto Jorge Newbery para o Aeroporto Internacional de Ezeiza, em Buenos Aires, e declarou que nenhum voo internacional foi cancelado.
Campeonato Argentino tem quatro jogos adiados
A greve geral também afetou o futebol. Quatro partidas da sexta rodada do Campeonato Argentino foram adiadas devido à impossibilidade de realização dos jogos. A paralisação contou com adesão do Sindicato dos Trabalhadores do Esporte e Entidades Civis (Utedyc), responsável pela organização das partidas locais.
Foram suspensos os confrontos entre Defensa y Justicia x Belgrano, San Lorenzo x Estudiantes, Instituto x Atlético Tucumán e Independiente Rivadavia x Independiente. De acordo com o Clarín, os jogos serão remarcados para o fim de semana: duas partidas na sexta-feira (20), uma no sábado (21) e outra no domingo (22).
A partida entre Lanús e Flamengo, marcada para esta quinta-feira, foi mantida porque é organizada pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol).
Exportações de grãos e transporte marítimo na Argentina são interrompidos
Além do transporte aéreo e terrestre, a greve afetou o setor portuário e a exportação de grãos. Sindicatos marítimos iniciaram uma paralisação de 48 horas ainda na quarta-feira (18), interrompendo o envio de grãos e derivados.
O presidente da Câmara de Exportadores e Processadores de Grãos (CIARA-CEC), Gustavo Idígoras, declarou que a medida “claramente paralisa totalmente as atividades de agroexportação”. Já a Federação dos Trabalhadores Marítimos e Fluviais (Fesimaf) afirmou, em comunicado divulgado nas redes sociais, que “esta ação visa defender nossos direitos trabalhistas e a estabilidade de nossos empregos”.
A área portuária de Rosário, um dos principais polos de exportação agrícola do país, registrou impactos na atracação e desatracação de navios, no transporte de práticos e nos serviços às embarcações.
O projeto de reforma trabalhista em discussão prevê mudanças nas condições de contratação, redução de indenizações por demissão, limitação do direito de greve e possibilidade de ampliação da jornada para até 12 horas diárias. A proposta enfrenta resistência de sindicatos, enquanto o governo argumenta que as paralisações frequentes afetam a produtividade do país.
