Casa própria avança em Goiás com 156 mil moradias financiadas entre 2022 e 2025
Impulsionado pelo Minha Casa, Minha Vida, Estado movimenta R$ 23,3 bilhões em investimentos e amplia acesso de famílias de baixa e média renda à moradia
O sonho da casa própria tem se tornado uma realidade cada vez mais presente para milhares de famílias em Goiás. Entre 2022 e 2025, o Estado registrou um avanço significativo no acesso à moradia popular, impulsionado por políticas públicas estruturadas e por volume recorde de recursos destinados ao setor habitacional. De acordo com dados do Ministério das Cidades, o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) financiou 156.520 unidades habitacionais em Goiás nesse período, movimentando R$ 23,33 bilhões em investimentos.
Para Paulo Passos, gerente comercial e especialista no programa em Goiás, o avanço não é fruto do acaso nem de um aquecimento econômico passageiro. Segundo ele, os números demonstram a maturidade do setor. “O salto no número de unidades financiadas em Goiás revela uma consolidação da política habitacional no Estado”, afirma.
Ele ressalta que, embora existam estímulos econômicos relevantes, a continuidade do crescimento indica que a moradia se consolidou como prioridade acessível. “Não é algo momentâneo; pelo contrário, mais e mais pessoas têm conseguido conquistar o sonho da casa própria por meio do programa ao longo dos anos”, pontua.
A esperança da casa própria
Por trás das estatísticas estão histórias de superação, como a de Brenda Wythlle Rebeka da Silva Farias, de 24 anos. Após a perda da mãe, ela e a irmã assumiram o sustento da casa e dos irmãos mais novos. O que antes parecia inalcançável tornou-se possível com as facilidades do financiamento habitacional.
Ao descobrir que poderia compor renda com a irmã, Brenda enxergou uma oportunidade concreta de obter uma casa própria. “Quando falaram que a gente podia compor renda, eu pensei: imagina ter nossa casa? Parecia impossível, mas vimos que o sonho cabia no bolso”, recorda a jovem, que trabalha com proteção veicular e aguarda a entrega das chaves do primeiro imóvel.
Outra trajetória de transformação é a de Josenira Arcanjo da Conceição, de 33 anos. Mãe solo e trabalhadora autônoma, ela divide a rotina entre serviços de empregada doméstica, auxiliar de cozinha e a produção de bolos por encomenda. Josenira acreditava que o valor da entrada da casa seria um obstáculo intransponível, mas a busca por informação mudou sua perspectiva.
Um dos pilares desse crescimento é a utilização estratégica do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Entre 2022 e 2025, foram destinados R$ 3,81 bilhões em subsídios do fundo para ampliar o acesso das famílias goianas à moradia. Paulo Passos explica que o FGTS é um dos principais aliados do trabalhador nesse processo. “O uso do FGTS permite reduzir o valor financiado ou as prestações mensais, tornando o financiamento mais leve e acessível”, destaca.
Além disso, a flexibilidade na comprovação de renda tem sido fundamental para incluir trabalhadores informais ou freelancers, realidade comum em diversas cidades goianas. Para quem não possui carteira assinada, o programa aceita declarações de Imposto de Renda e extratos bancários.
A composição de renda, que possibilita unir os ganhos de casais, pais e filhos ou até irmãos, também é apontada como diferencial. “Isso amplia significativamente as chances de aprovação no financiamento, especialmente em cidades da Grande Goiânia, onde a renda familiar combinada é comum”, ressalta Paulo. Atualmente, o programa contempla famílias com renda entre R$ 2 mil e R$ 12 mil mensais.
O cenário para 2026 é de otimismo. O orçamento do FGTS prevê R$ 160,5 bilhões, dos quais R$ 144,5 bilhões serão destinados à habitação. Houve ainda ampliação no teto do valor dos imóveis para as Faixas 1 e 2 do programa, que agora variam entre R$ 255 mil e R$ 270 mil, conforme o porte e a classificação do município.
Segundo Passos, essas mudanças devem sustentar o ritmo de crescimento. Ele reforça que a escolha das áreas onde os empreendimentos são construídos integra a estratégia de garantir dignidade aos moradores.
A predominância de contratos na Faixa 1, destinada a famílias com renda de até R$ 2.850, tem sido um dos principais motores da redução do déficit habitacional. Entre 2022 e 2025, essa faixa respondeu por 42,37% das unidades financiadas em Goiás. “Há sim uma importante redução do déficit habitacional”, diz Paulo, observando que, com as novas regras, uma gama ainda maior de unidades será incorporada ao estoque disponível no mercado.
Com a previsão de crescimento de 2,0% para a construção civil em 2026, impulsionada pela queda nas taxas de juros e pelo orçamento recorde, Goiás se prepara para mais um ciclo de transformações no cenário urbano e social.