Fim do Fundeinfra gera discursos antagônicos entre pré-candidatos ao Governo de Goiás
Daniel destaca avanços, enquanto Marconi trata a ação como “injustiça” aos trabalhadores do campo. Wilder ainda não se posicionou
A menos de oito meses das eleições de outubro, os pré-candidatos ao Governo de Goiás parecem estar com seus discursos sobre o Fundeinfra preparados, só à espera de um momento oportuno para usá-los, cada um ao seu favor. É o caso da reação do vice-governador Daniel Vilela (MDB) e do ex-governador Marconi Perillo (PSDB), pré-candidatos ao comando do Palácio das Esmeraldas, em relação ao fim da cobrança do Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra), chamada pela oposição de “Taxa do Agro”.
A justificativa do Governo do Estado no que diz respeito à implantação e implementação do fundo gira em torno da geração de um montante de investimentos para a efetivação de obras rodoviárias. Enquanto Daniel aproveita o fim da cobrança para destacar os avanços na geração de recursos ligados à produção agrícola, pecuária e mineral devido ao fundo, Marconi ressalta que a suspensão da ação que gerou problemas a setores do agro é algo proveniente da resistência de quem, de acordo com o tucano, “nunca aceitou essa injustiça”.

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A ausência de posicionamento sobre o fim do Fundeinfra por parte do senador Wilder Morais (PL), que também disputa o Executivo estadual, é vista por analistas políticos como o interesse do pré-candidato em associar sua imagem a assuntos vinculados a pautas voltadas ao bolsonarismo, a fim de atender ao pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que avalia como mais importante a formação de palanque em Goiás para seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência da República.
Fundeinfra na mira do STF
Interlocutores dizem acreditar que a decisão do governador Ronaldo Caiado (PSD) e de seu vice em acabar com as cobranças do fundo foi tomada porque o Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar a inconstitucionalidade do Fundeinfra nos próximos dias. Com isso, os desdobramentos podem refletir nas urnas. Se isso ocorrer, os eleitores tendem a ver mais de perto os efeitos da cobrança da taxa de acordo com o julgamento na Suprema Corte.

“A pauta do Wilder é somente uma: associar Marconi eu nome ao bolsonarismo para tentar se viabilizar. A ‘Taxa do Agro’ caiu porque o STF vai julgar a sua inconstitucionalidade nos próximos dias. Ou seja, caberá ao eleitor avaliar se ela foi ou não benéfica para o Estado”, pontua o sociólogo Jones Matos em entrevista ao O HOJE.
Wilder reacendeu no cenário pré-eleitoral após seu último encontro com Bolsonaro, tido como o principal líder do Partido Liberal, onde o ex-presidente motivou o senador a ir em frente com a sua pré-candidatura ao Palácio das Esmeraldas. A partir daí, o senador, que é presidente estadual do PL, passou a ser visto como um potencial adversário de Daniel, ainda mais em meio à tentativa do emedebista, juntamente com Caiado, em garantir o apoio da ala bolsonarista no Estado à pré-candidatura do vice-governador.

Daniel foca em investimentos
“Estamos revogando o Fundeinfra sem reduzir o investimento em infraestrutura do Estado”, afirmou Daniel, ao explicar que os serviços serão mantidos com recursos próprios, somados ao valor já arrecadado pelo fundo. Diferente de Wilder, o outro adversário do vice de Caiado, o tucano Marconi Perillo, reagiu em tom de drama ao fim do fundo. O vice-governador relatou a dificuldade de pessoas que não concordam com as decisões do atual governo em demonstrar suas discordâncias sob risco de retaliação.

“Mesmo nesse ambiente, as entidades do setor cobraram, deputados de vários partidos cobraram, e eu não me calei um único dia: dei entrevistas, fui a debates, denunciei a injustiça em cada oportunidade que tive. A pressão funcionou”, declarou o tucano e adversário de Daniel em nota oficial sobre o fim do Fundeinfra. (Especial para O HOJE)