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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
Saúde

Fibras e hidratação são mais eficazes que promessas de limpeza rápida

Especialistas reforçam que o organismo saudável já dispõe de sistemas naturais de limpeza

Leticia Mariellepor Leticia Marielle em 26 de fevereiro de 2026
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Fibras e hidratação são mais eficazes que promessas de limpeza rápida. | Foto: Reprodução/freepik

Após o período de Carnaval, aumenta a busca por regimes alimentares que prometem eliminar substâncias nocivas e promover uma espécie de “limpeza” no organismo. Especialistas, no entanto, afirmam que faltam evidências científicas consistentes de que jejuns baseados apenas em sucos ou planos com grande restrição de calorias e proteínas sejam capazes de cumprir essa proposta.

A palavra “toxinas”, frequentemente usada na divulgação dessas estratégias, costuma aparecer de maneira ampla e pouco específica. Embora o corpo esteja, de fato, exposto a compostos potencialmente prejudiciais no ambiente, o organismo humano conta com sistemas próprios e eficientes para processar e eliminar essas substâncias. Fígado, rins, intestino e pulmões atuam de forma integrada nesse trabalho contínuo de filtragem e excreção.

Em vez de apostar em soluções imediatistas, médicos e nutricionistas recomendam mudanças simples e sustentáveis para fortalecer os mecanismos naturais do corpo. Entre as principais orientações está o aumento da ingestão de fibras, nutriente ainda consumido em quantidade insuficiente por boa parte da população. As fibras melhoram o trânsito intestinal, diminuem o tempo de permanência de compostos potencialmente nocivos no intestino e estão associadas à redução do risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e câncer colorretal.

Pesquisas apontam que as fibras conseguem se ligar a determinados compostos no trato digestivo, favorecendo sua eliminação pelas fezes. Elas também auxiliam no controle do colesterol ao contribuir para a remoção de ácidos biliares. Leguminosas como feijão, lentilha e grão-de-bico, além de aveia, cereais integrais, frutas, verduras de folhas verdes, nozes e sementes, figuram entre as principais fontes e devem compor a alimentação de forma variada.

A ingestão adequada de líquidos também desempenha papel central nesse contexto. A água é fundamental para o funcionamento dos rins, participando da eliminação de resíduos como ureia e sódio. A baixa ingestão hídrica pode prejudicar esse processo e, a longo prazo, elevar o risco de complicações renais. De modo geral, especialistas indicam que o consumo diário entre 1,5 e 1,8 litro de líquidos atende à maioria das pessoas, considerando também bebidas como chás e café sem adição de açúcar.

No caso dos pulmões, instituições como a American Lung Association alertam para os riscos de produtos que prometem purificação acelerada. As orientações mais eficazes incluem evitar a exposição a poluentes, abandonar o cigarro e reduzir o contato com fumaça passiva. Manter os ambientes bem ventilados e praticar atividade física regularmente também favorece a saúde respiratória.

De acordo com especialistas, um organismo saudável já possui sistemas naturais de eliminação de resíduos em pleno funcionamento. Por isso, a recomendação é priorizar uma alimentação equilibrada e hidratação adequada.

Sono atua como “sistema de limpeza” do cérebro

Pesquisas recentes reforçam que o sono vai além do descanso físico e mental. Durante a noite, o cérebro ativa um mecanismo natural de “limpeza”, no qual fluidos circulam entre as células para remover resíduos acumulados ao longo do dia.

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Durante a noite, o cérebro ativa um mecanismo natural de “limpeza”. | Foto: Reprodução/freepik

Entre esses resíduos estão proteínas em excesso e moléculas como as beta- amiloides, associadas à doença de Alzheimer. Parte dessas substâncias é eliminada pela barreira hematoencefálica, que regula a passagem de compostos entre o sangue e o cérebro, mas outra parte pode se acumular entre os neurônios.

Estudos indicam que o líquido cefalorraquidiano, que envolve o cérebro e a medula espinhal, tem papel central nesse processo. Durante o sono, ele alcança os espaços extracelulares e auxilia na remoção de moléculas potencialmente tóxicas. Pequenos despertares no sono leve parecem estimular ondas desse líquido, favorecendo a “faxina” noturna. Há ainda a hipótese de que a melatonina contribua para neutralizar resíduos prejudiciais, mas não há evidências de que a suplementação amplifique essa função.

A privação de sono pode comprometer o sistema. Noites mal dormidas afetam a barreira hematoencefálica e reduzem a eliminação de subprodutos neurotóxicos. Dormir menos de cerca de sete horas por noite, embora a necessidade varie, pode prejudicar a regeneração cerebral. Os efeitos aparecem já no dia seguinte, com impacto na atenção, memória e tomada de decisão.

Cientistas estudam formas de reproduzir artificialmente esse mecanismo, como a radiofrequência transcraniana, ainda em fase experimental. Enquanto isso, especialistas defendem hábitos que favoreçam o sono de qualidade.

Dormir de lado pode ajudar na circulação do líquido cefalorraquidiano, enquanto o excesso de álcool piora o descanso e a atividade física regular tende a melhorá-lo.

Grande parte das evidências, no entanto, ainda vem de estudos preliminares, muitos realizados em animais, e exige mais pesquisas em humanos antes de recomendações definitivas.

Exercício ajuda na “limpeza” do corpo

A prática regular de atividade física pode auxiliar o organismo nos processos naturais de eliminação de substâncias indesejadas. No entanto, especialistas alertam que essa ação não ocorre por meio do suor, como sugerem algumas tendências populares.

Nos últimos anos, modalidades como hot yoga, saunas e treinos em ambientes aquecidos passaram a ser associadas à ideia de “desintoxicação”. Pesquisadores, porém, afirmam que não há evidências científicas robustas de que o suor elimine toxinas de forma significativa. Composto majoritariamente por água, o suor tem como principal função regular a temperatura corporal.

Os verdadeiros responsáveis pela filtragem e excreção de resíduos são o fígado e os rins. Estudos indicam que o exercício físico melhora o fluxo sanguíneo nesses órgãos, favorecendo sua capacidade de filtração. Além disso, a redução do excesso de gordura corporal, especialmente no fígado, contribui para um funcionamento mais eficiente.

Pesquisas com pessoas diagnosticadas com doença hepática gordurosa não alcoólica mostram que tanto o treinamento de força quanto atividades aeróbicas ajudam a diminuir a gordura acumulada no fígado. Há também evidências de que exercícios regulares podem retardar o declínio da função renal em adultos mais velhos.

Especialistas recomendam atividades como caminhada em ritmo acelerado, natação e ciclismo, mas ressaltam que tarefas cotidianas, como subir escadas ou realizar trabalhos domésticos, também colaboram para a saúde geral. O consenso é que os benefícios dependem da regularidade: mudanças permanentes no estilo de vida têm impacto muito maior do que ações pontuais ou modismos de curto prazo.

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